Edição 1 658 - 19/7/2000

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Operação secreta

Depois dos seios, mulheres vão ao vale
do silicone para aumentar o bumbum

Bel Moherdaui


Claudio Rossi
A modelo Nana pós-cirurgia: 300 mililitros de cada lado


Os seios se valorizaram, é certo, mas na terra do culto ao tchan não podia ser diferente: na surdina, sem contar para ninguém, as mulheres estão descobrindo, e colocando em uso, a cirurgia plástica que aplica próteses de silicone para aumentar as nádegas. Os médicos calculam que o número de pacientes da operação para empinar o derrière quintuplicou desde que a cirurgia começou a ser feita no Brasil na década de 80. "Há cinco anos, eu atendia três consultas por mês. Hoje coloco prótese de silicone no glúteo de oito pacientes a cada mês", contabiliza o cirurgião plástico Raul Gonzalez, de São Paulo. Que ninguém se iluda: a prótese aumenta e arrebita, mas n&adilde;o ergue o que a idade e a gravidade fizeram desabar. "Pelo grande volume de silicone colocado, toda a região se distende um pouco. Assim, se a flacidez for incipiente, ela melhora. Mas, se for muita, é necessária outra técnica de correção", explica o cirurgião paulista Luiz Carlos Martins, presidente da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética, que em 1994 fazia dez cirurgias do gênero por ano e hoje realiza dez por mês. Por outra técnica entenda-se lipoescultura e lifting (retirada de gordura e pele), que são mais invasivas e deixam cicatrizes maiores, mas despontam como a única opção para quem passou dos 40 anos.

A plástica para aumentar o glúteo consiste na colocação de duas próteses de silicone ovais ou arredondadas, uma em cada protuberância dorsal, a partir de uma incisão vertical de 5 a 7 centímetros feita dentro do sulco entre as nádegas, de forma a camuflar a cicatriz. As técnicas mais comuns situam a prótese dentro ou logo atrás do chamado músculo máximo, o mais externo da região (veja quadro). O tamanho ideal depende das proporções do corpo de cada pessoa e é recomendado pelo cirurgião. As pacientes em geral acatam a sugestão, embora uma ou outra insista em extrapolar. "Bumbum bonito é aquele que tem formas arredondadas, não importa a posição em que a mulher esteja", ensina Gonzalez.

"Outro mundo" – Enquanto a prótese de mama contém, em média, 180 mililitros de silicone, a de nádegas tem um volume-padrão de 270 (quase uma xícara e meia de chá), mas pode chegar a 420 mililitros, dependendo da técnica usada e das proporções da receptora. E de suas ambições, é claro. O silicone é mais espesso que o da prótese de mama, e a película externa que o envolve, mais resistente. "A prótese de mama tem a consistência macia de uma glândula mamária. Já a do glúteo tem consistência de músculo", diz o cirurgião plástico Nicola Menichelli Netto, de São Paulo. E como é viver com duas bolsas de considerável tamanho numa área sempre tão solicitada, seja em movimento, seja em estado estático? Dizem as usuárias que, como as próteses são instaladas acima da área usada para sentar, passada a dor inicial, elas não interferem em nada. Pode-se fazer qualquer tipo de ginástica, nadar ou andar de bicicleta normalmente, garantem os médicos.

Ao contrário dos seios siliconados, que quem tem faz questão de exibir, a cirurgia de nádegas é ultra-sigilosa – há mulheres que não contam nem para a família. "Não queria ninguém olhando, passando a mão", desconversa uma das que aderiram à operação secreta. Quem, no entanto, abre a guarda e se dispõe a falar sobre o assunto só tem elogios a fazer. "Meu marido dizia que meu bumbum era feio. Fiz a cirurgia e ficou uma coisa do outro mundo", comemora a empresária paulista Salete Aparecida, de 36 anos, que colocou 270 mililitros de silicone de cada lado. "Adorei o resultado. Tive um pouquinho de dor, mas nada insuportável", diz a modelo baiana Nana Cabral, de 26 anos, que notou um aumento no número de cantadas que recebe quando passa na rua depois que implantou a calipígica quantidade de 300 mililitros de silicone em cada nádega. "Brasileiro é fanático por bumbum", constata, feliz da vida.

Injeções proibidas – A cirurgia é feita em hospital, com anestesia peridural. Dura de uma a três horas e normalmente a paciente fica internada dois dias. O pós-operatório pode ser bastante dolorido, mas o incômodo maior passa em três dias. Em duas semanas já se pode dormir em qualquer posição e trabalhar. Sentar confortavelmente, esparramada na poltrona, só um mês depois. "Há duas semanas andei a cavalo e não senti nada", conta a endocrinologista Rosana Elisa Regatieri, de 30 anos, que fez a cirurgia há pouco mais de dois meses e colocou 240 mililitros de silicone de cada lado. Um cuidado peculiar que as pacientes devem tomar depois de colocar a prótese é com as injeções. Na nádega, não é recomendado. Dependendo de onde for feita a aplicação, a agulha pode perfurar a prótese. Vazar, o fabricante garante que o silicone não vaza. Mas o remédio também não fará efeito, já que ficará confinado dentro da bolsa.