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Edição 1 756 - 19 de junho de 2002
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]

JUSTIÇA

E agora, Maluf? 1
Paulo Maluf está cada vez mais enrolado nas investigações sobre um suposto pagamento de propina pelas empreiteiras que construíram a Avenida Água Espraiada, uma obra de 783 milhões de reais na capital paulista. Na semana passada, o Ministério Público do Estado de São Paulo conseguiu comprovar a origem e a autenticidade de um pacote com 22 páginas de documentos da Mendes Júnior, uma das integrantes do consórcio que fez a avenida. Segundo o MP, os papéis mostram que o ex-prefeito teria recebido 13,5 milhões dos 57,2 milhões de reais liberados pela prefeitura à construtora, entre dezembro de 1997 e janeiro de 1998 – 24% do total.

E agora, Maluf? 2
Simeão de Oliveira, que foi diretor financeiro da Mendes Júnior, depôs pela terceira vez no dia 20 de maio e relatou como, segundo ele, eram pagas as propinas a Maluf, ao secretário Reynaldo de Barros e a funcionários da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb). Reynaldão e assessores recebiam em reuniões em um hotel no bairro de Higienópolis, onde morou, por dois anos, o ex-diretor da Emurb Célio Bernardes. Já Maluf, ainda segundo o depoimento, recebia dinheiro por meio de dez contas de doleiros nos Estados Unidos, nos bancos MTB e Safra. Uma delas, no MTB de Nova York, a investigação já identificou. É a 7202-1, código "sintaxe ABA026012894".

 

Dormindo com o inimigo

J.F.
Duda: com o PT de Lula e com o BC de Armínio


Duda Mendonça é um dos astros desta temporada eleitoral. O marqueteiro suavizou o discurso de Lula, convenceu-o a sorrir mais e meteu o petista em ternos de ótimo corte – um sucesso. Agora, quem diria, vai fazer um trabalhinho para o governo FHC. No início de julho, começa a campanha de lançamento da nota de 20 reais. É a agência de Duda que criará todas as peças publicitárias.

 

SUCESSÃO

Pelo telefone
ACM e Ciro Gomes andam se falando muito ao telefone. Devem estar roucos. Ou de ouvido doendo. Com Lula, ACM também já teve algumas conversas – mas, em público, eles preferem negar esses telefonemas.

Gastança tolerada
A responsabilidade fiscal ainda não é um conceito incontestável na cabeça do brasileiro. O Vox Populi tem uma pesquisa que mostra que, em troca de mais empregos, por exemplo, 80% da população topa uma inflaçãozinha extra. Ou, ainda, que o governante gaste mais do que arrecada. Por isso, o candidato que prometer certas irresponsabilidades com o caixa não será – infelizmente – malvisto.

 

SÃO PAULO

Alckmin convida Calabi
Ex-presidente do BNDES e do Banco do Brasil, Andrea Calabi está com um pé no governo de São Paulo. Foi convidado por Geraldo Alckmin para ser o secretário de Planejamento.

 

FORÇAS ARMADAS

O preferido do Exército...
Um polpudo e singular contrato de prestação de serviços firmado pelo comando do Exército com o escritório de advocacia Bandeira de Mello e Bandeira de Mello Associados foi investigado pelo Tribunal de Contas da União. A procuradoria do TCU considerou que houve favoritismo e pede a anulação do contrato que, só entre 1997 e 2000, deu ao escritório 38 milhões de reais para que prestasse assessoria jurídica aos militares e servidores do Exército. Tudo feito sem licitação. Bem, talvez fosse o caso de o Exército recorrer – agora sim – a bons advogados para defendê-lo.

...e da Aeronáutica
A procuradoria do TCU também considera estranho que o mesmo escritório de advocacia preste os mesmos serviços para o Comando da Aeronáutica. E já está pedindo explicações.

 

ECONOMIA

Barraco na Previ
Não anda fácil a vida do interventor do governo na Previ, Carlos Eduardo Lima. Dia desses, o salão em que despacha foi tomado por três diretores que haviam sido afastados no início do mês. O trio invadiu o gabinete e discursou para quem quisesse ouvir contra a intervenção.

Em sono profundo
De um banqueiro de investimentos, zonzo com o terremoto no mercado financeiro da semana passada e prevendo novos estremecimentos até as eleições: "Eu queria mesmo era dormir agora e só acordar em outubro".

 

Um cinqüentenário sem gás

Divulgação
Pepsi: dificuldade para crescer


A Pepsi está completando cinqüenta anos de Brasil, mas não tem muito que comemorar. É dona de apenas 3,5% do mercado brasileiro – o que equivale, por exemplo, à soma de dois concorrentes inexpressivos, como a Schincariol Refrigerantes e a Convenção (alguém conhece?). A Coca-Cola, sua grande rival nos Estados Unidos, tem participação dez vezes maior por aqui. A Pepsi passou a ser fabricada e distribuída pela poderosa AmBev há cinco anos, mas mesmo assim não decola. Desde 2000, pelo menos, sua participação no mercado permanece na faixa atual.

 

SEGURANÇA

Cena paulista
Veja a que ponto chegou a paranóia nas grandes cidades. Já há algum tempo, um grande empresário paulistano decidiu andar somente de moto pelas ruas da cidade. Temia ser trancado no porta-malas de um carro, em caso de seqüestro. A precaução estendeu-se agora a sua mulher. Comprou para ela um Corsa Pick-Up, de modestos 20.500 reais. É aquele modelo, tipo caminhonete, em que o porta-malas é aberto.

Símbolo do medo

Logo após o atentado de 11 de setembro, em Nova York, um observador atento percebeu a diferença: na sede da Coca-Cola, no Rio de Janeiro, o gigantesco letreiro com a logomarca da multinacional americana desapareceu do alto do imponente prédio. Na época, a empresa justificou como "rotina de manutenção". Não era. Passados nove meses, a fachada continua vazia.

 

CINEMA

Filme de mistério
Norma Bengell, que está sendo chamada a devolver aos cofres públicos 2,2 milhões de reais, por irregularidades na prestação de contas do filme O Guarani, não desfruta a bela vista de seu apartamentão na Lagoa, no Rio de Janeiro. Em março de 2000, VEJA revelou que ela havia comprado o apartamento, na mesma época em que captava recursos para o filme, e depois o repassou para uma empresa com sede no Uruguai. Agora, o imóvel pertence à diretora de teatro Ticiana Studart. Detalhe: o apartamento, avaliado em 1,1 milhão de reais, foi vendido por declarados 350.000 reais.

 

TELEVISÃO

A Copa ficou cara
A Globo decidiu renegociar o contrato dos direitos da Copa do Mundo de 2006. Quer pagar menos. Há quatro anos, a emissora havia fechado um pacote pelo qual desembolsaria 240 milhões de dólares pela transmissão exclusiva – um recorde. Só que, desde então, as cifras dos direitos esportivos desabaram no mundo todo. Como o que já era caro ficou irracional, a emissora vai tentar jogar esse mico para longe.

 

Colaboraram Malu Gaspar e Marcelo Carneiro



 
 


   
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