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Lauro
Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]
JUSTIÇA
E
agora, Maluf? 1
Paulo Maluf está cada vez mais enrolado nas investigações
sobre um suposto pagamento de propina pelas empreiteiras que construíram
a Avenida Água Espraiada, uma obra de 783 milhões de reais
na capital paulista. Na semana passada, o Ministério Público
do Estado de São Paulo conseguiu comprovar a origem e a autenticidade
de um pacote com 22 páginas de documentos da Mendes Júnior,
uma das integrantes do consórcio que fez a avenida. Segundo o MP,
os papéis mostram que o ex-prefeito teria recebido 13,5 milhões
dos 57,2 milhões de reais liberados pela prefeitura à construtora,
entre dezembro de 1997 e janeiro de 1998 24% do total.
E
agora, Maluf? 2
Simeão
de Oliveira, que foi diretor financeiro da Mendes Júnior, depôs
pela terceira vez no dia 20 de maio e relatou como, segundo ele, eram
pagas as propinas a Maluf, ao secretário Reynaldo de Barros e a
funcionários da Empresa Municipal de Urbanização
(Emurb). Reynaldão e assessores recebiam em reuniões em
um hotel no bairro de Higienópolis, onde morou, por dois anos,
o ex-diretor da Emurb Célio Bernardes. Já Maluf, ainda segundo
o depoimento, recebia dinheiro por meio de dez contas de doleiros nos
Estados Unidos, nos bancos MTB e Safra. Uma delas, no MTB de Nova York,
a investigação já identificou. É a 7202-1,
código "sintaxe ABA026012894".
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Dormindo
com o inimigo
J.F.
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| Duda:
com o PT de Lula e com o BC de Armínio |
Duda Mendonça é um dos astros desta temporada eleitoral.
O marqueteiro suavizou o discurso de Lula, convenceu-o a sorrir
mais e meteu o petista em ternos de ótimo corte um
sucesso. Agora, quem diria, vai fazer um trabalhinho para o governo
FHC. No início de julho, começa a campanha de lançamento
da nota de 20 reais. É a agência de Duda que criará
todas as peças publicitárias.
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SUCESSÃO
Pelo
telefone
ACM
e Ciro Gomes andam se falando muito ao telefone. Devem estar roucos. Ou
de ouvido doendo. Com Lula, ACM também já teve algumas conversas
mas, em público, eles preferem negar esses telefonemas.
Gastança
tolerada
A
responsabilidade fiscal ainda não é um conceito incontestável
na cabeça do brasileiro. O Vox Populi tem uma pesquisa que mostra
que, em troca de mais empregos, por exemplo, 80% da população
topa uma inflaçãozinha extra. Ou, ainda, que o governante
gaste mais do que arrecada. Por isso, o candidato que prometer certas
irresponsabilidades com o caixa não será infelizmente
malvisto.
SÃO
PAULO
Alckmin
convida Calabi
Ex-presidente
do BNDES e do Banco do Brasil, Andrea Calabi está com um pé
no governo de São Paulo. Foi convidado por Geraldo Alckmin para
ser o secretário de Planejamento.
FORÇAS
ARMADAS
O
preferido do Exército...
Um
polpudo e singular contrato de prestação de serviços
firmado pelo comando do Exército com o escritório de advocacia
Bandeira de Mello e Bandeira de Mello Associados foi investigado pelo
Tribunal de Contas da União. A procuradoria do TCU considerou que
houve favoritismo e pede a anulação do contrato que, só
entre 1997 e 2000, deu ao escritório 38 milhões de reais
para que prestasse assessoria jurídica aos militares e servidores
do Exército. Tudo feito sem licitação. Bem, talvez
fosse o caso de o Exército recorrer agora sim a bons
advogados para defendê-lo.
...e da
Aeronáutica
A procuradoria do TCU também considera estranho que o mesmo escritório
de advocacia preste os mesmos serviços para o Comando da Aeronáutica.
E já está pedindo explicações.
ECONOMIA
Barraco
na Previ
Não anda fácil a vida do interventor do governo na Previ,
Carlos Eduardo Lima. Dia desses, o salão em que despacha foi tomado
por três diretores que haviam sido afastados no início do
mês. O trio invadiu o gabinete e discursou para quem quisesse ouvir
contra a intervenção.
Em sono
profundo
De um banqueiro de investimentos, zonzo com o terremoto no mercado financeiro
da semana passada e prevendo novos estremecimentos até as eleições:
"Eu queria mesmo era dormir agora e só acordar em outubro".
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Um
cinqüentenário sem gás
Divulgação
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| Pepsi:
dificuldade para crescer |
A Pepsi está completando cinqüenta anos de Brasil, mas
não tem muito que comemorar. É dona de apenas 3,5%
do mercado brasileiro o que equivale, por exemplo, à
soma de dois concorrentes inexpressivos, como a Schincariol Refrigerantes
e a Convenção (alguém conhece?). A Coca-Cola,
sua grande rival nos Estados Unidos, tem participação
dez vezes maior por aqui. A Pepsi passou a ser fabricada e distribuída
pela poderosa AmBev há cinco anos, mas mesmo assim não
decola. Desde 2000, pelo menos, sua participação no
mercado permanece na faixa atual.
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SEGURANÇA
Cena
paulista
Veja a que ponto chegou a paranóia nas grandes cidades. Já
há algum tempo, um grande empresário paulistano decidiu
andar somente de moto pelas ruas da cidade. Temia ser trancado no porta-malas
de um carro, em caso de seqüestro. A precaução estendeu-se
agora a sua mulher. Comprou para ela um Corsa Pick-Up, de modestos 20.500
reais. É aquele modelo, tipo caminhonete, em que o porta-malas
é aberto.
Símbolo
do medo
Logo após
o atentado de 11 de setembro, em Nova York, um observador atento percebeu
a diferença: na sede da Coca-Cola, no Rio de Janeiro, o gigantesco
letreiro com a logomarca da multinacional americana desapareceu do alto
do imponente prédio. Na época, a empresa justificou como
"rotina de manutenção". Não era. Passados nove meses,
a fachada continua vazia.
CINEMA
Filme
de mistério
Norma Bengell, que está sendo chamada a devolver aos cofres públicos
2,2 milhões de reais, por irregularidades na prestação
de contas do filme O Guarani, não desfruta a bela vista
de seu apartamentão na Lagoa, no Rio de Janeiro. Em março
de 2000, VEJA revelou que ela havia comprado o apartamento, na mesma época
em que captava recursos para o filme, e depois o repassou para uma empresa
com sede no Uruguai. Agora, o imóvel pertence à diretora
de teatro Ticiana Studart. Detalhe: o apartamento, avaliado em 1,1 milhão
de reais, foi vendido por declarados 350.000
reais.
TELEVISÃO
A
Copa ficou cara
A Globo
decidiu renegociar o contrato dos direitos da Copa do Mundo de 2006. Quer
pagar menos. Há quatro anos, a emissora havia fechado um pacote
pelo qual desembolsaria 240 milhões de dólares pela transmissão
exclusiva um recorde. Só que, desde então, as cifras
dos direitos esportivos desabaram no mundo todo. Como o que já
era caro ficou irracional, a emissora vai tentar jogar esse mico para
longe.
Colaboraram
Malu Gaspar e Marcelo Carneiro
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