
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Inimigo
do peito
Em A Soma de Todos os
Medos,
os americanos
lembram como
era bom brigar com os russos
Isabela
Boscov
Divulgação
 |
| Freeman
e Affleck: personagens de Tom Clancy |

Veja também |
|
|
|
Os
russos juram que não foram eles que detonaram uma explosão
nuclear num estádio lotado nos Estados Unidos. Mas, entre si, se
perguntam: "Temos mesmo certeza de que não fomos nós? Não
haveria algum desgarrado entre nós?". Os americanos querem acreditar
na resposta, mas têm de revidar e aí os russos podem
se considerar no direito de apertar mais alguns botões. Não
há acordo antiarmas, fim de tensão Leste-Oeste ou entrada
de outros inimigos em cena capaz de desatualizar o cenário retratado
em A Soma de Todos os Medos (The Sum of All Fears,
Estados Unidos, 2002). Pelo simples fato de que há no mundo bombas
e interessados em usá-las, em número suficiente para
tornar possível esse quadro. A nova aventura do agente da CIA Jack
Ryan, desde sexta-feira em cartaz no país, faz uma escolha fraquinha
de vilão um neonazista austríaco que planeja lançar
os velhos inimigos um contra o outro. Uma pataquada, claro, mas que não
passa de um detalhe. O que está no cerne de Medos é
o delicado jogo entre antagonistas convertidos em aliados relutantes.
Nesse sentido, é um thriller tão eficaz quanto os outros
protagonizados pelo agente criado pelo escritor Tom Clancy, como Caçada
ao Outubro Vermelho e Jogos Patrióticos.
O detalhe curioso aqui é que o tempo passou, mas Ryan ficou mais
jovem. Depois de ser vivido por Alec Baldwin e Harrison Ford, o papel
agora cabe a Ben Affleck. Ryan, portanto, é um agente júnior
pinçado pelo diretor da CIA (Morgan Freeman) para ajudá-lo
na missão de decifrar o novo presidente russo. O antigo, gordo
e beberrão, acaba de morrer, e o desconhecido Nemerov, com pinta
de linha-dura, foi alçado ao seu posto uma referência
óbvia à sucessão de Boris Ieltsin por Vladimir Putin.
Ryan acha que Nemerov é mais confiável do que parece. E,
à medida que os incidentes se sucedem, o agente se tornará
uma peça crucial para fazer valer esse voto de confiança
e evitar que se dê um passo sem volta.
Affleck não é um ator capaz de comunicar gravidade. Mas,
considerando-se que aqui ele ainda é um jovem impulsivo, esse é
um mal até certo ponto mitigável especialmente com
a ajuda do bom elenco de apoio, em que se destaca o irlandês Ciarán
Hinds, como Nemerov. Há também alguma preocupação
com a verossimilhança. Os personagens russos falam russo entre
si, e não aquele inglês com falso sotaque eslavo, e a explosão
da bomba é mostrada com efeitos menos espalhafatosos do que os
habituais, mas ainda mais apavorantes. O curioso de Medos, contudo,
é a mensagem nostálgica de suas entrelinhas: bons tempos
aqueles em que o inimigo tinha endereço conhecido e estava do outro
lado da linha de um telefone vermelho.
|
|
 |
|
 |

|
 |