Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 756 - 19 de junho de 2002
Geral VEJA na Copa
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
 

Bagagem extraviada vira mercadoria
Novo estudo sobre o efeito da endorfina
Roupas novas com cara de antigas
Carros brasileiros tocados a álcool e a gasolina
Magic Johnson está cada vez mais rico
A água domina a paisagem nas casas modernas
Americanos gastam fortunas com animais de estimação
Pesquisa mostra que a sesta melhora a produtividade
Monges fazem as melhores cervejas belgas
Os brasileiros estão vivendo sob o signo da crueldade
O reconstrutor de cidades
Um sistema para substituir o disco rígido
O ataque empolga, a defesa aflige
Agora é que começa a Copa

Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA on-line
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

A defesa que aflige,
o ataque que empolga

Com seu jogo agressivo e vulnerável,
o Brasil aproveita
a inocência dos
primeiros adversários para tentar
um ajuste em plena competição

Carlos Maranhão, de Seul

 
AFP
AP
Ronaldinho tem relâmpagos do fenômeno que encantou o mundo, mas a defesa, com ou sem Polga, dá sustos


Veja também
A cobertura completa da Copa 2002

Se a Copa tivesse terminado na sexta-feira, com o encerramento de uma primeira fase recheada de surpresas, emoções e desastres, a seleção brasileira seria a primeira pentacampeã mundial da história do futebol. Na pontuação, ela foi a número 1. Somou três vitórias em três jogos e obteve um folgado saldo de gols, critério inicial de desempate, ficando bem à frente da Espanha, a outra equipe com 100% de aproveitamento em seu grupo. Marcou onze gols e levou três, enquanto os espanhóis fizeram nove e sofreram quatro.

A grande largada brasileira, na verdade, não começou na estréia, contra a Turquia. Ela aconteceu em dezembro do ano passado, quando a estrela de Pelé, quase 32 anos após sua decisiva participação na conquista do tri, deu uma mãozinha e tanto ao projeto do penta. No sorteio das chaves, foi ele quem tirou, no escuro, as seleções que caíram no colo do Brasil. Eram três das raras galinhas-mortas que ainda existem no futebol. A Argentina teve a pior sorte, com a companhia da Inglaterra e da Suécia, responsáveis por sua precoce eliminação. A França, como só mais tarde se pôde constatar, entrou igualmente numa fria. A Itália, que parecia estar numa situação tranqüila, garantiria apenas a classificação, dramaticamente, graças à derrota da Croácia para o Equador. Diante de um europeu de segunda classe (a Turquia), uma baba asiática (a China), como se diz na gíria dos gramados, e de um aprendiz centro-americano sem pontaria (a Costa Rica), a seleção brasileira viveu onze dias de privilégio na Coréia. Teve condições de errar à vontade no meio-campo, principalmente na defesa, testar vinte jogadores – o lateral Belletti e os goleiros reservas foram os únicos que não entraram –, poupar os pendurados com cartão amarelo e garantir sem nenhuma ameaça sua passagem para as oitavas-de-final. Com um cenário tão aprazível, os atacantes brasileiros cresceram de rendimento jogo a jogo. "As três vitórias vão nos dar a confiança de que precisávamos para encarar as partidas decisivas", diz Rivaldo.

AP
O choro dos portugueses: mais um favorito que vai embora mais cedo


Os favoritos excluídos da festa não podem reclamar de nada. Copa do Mundo é assim mesmo. Não se trata de um campeonato nos moldes europeus, com turno e returno, no sistema de pontos corridos, em que todos jogam contra todos e uma derrota pode ser perfeitamente compensada. Na Copa, um torneio curto, o caminho dos participantes depende dos cruzamentos determinados pelo acaso, no sorteio, e pelos resultados dos adversários. "Em um campeonato, a longo prazo, o futebol tem a lógica de qualquer esporte, e quase sempre ganha o melhor", compara o comentarista e ex-jogador Tostão. "Numa Copa, o resultado muitas vezes nasce do imprevisto." Sempre foi assim. O Brasil provavelmente perderia o título de 1962 se, na partida em que estava sendo derrotado pela Espanha por 1 a 0, o árbitro tivesse marcado um pênalti claro cometido por Nilton Santos. "Nós não viraríamos aquele marcador, como terminamos conseguindo, e seríamos eliminados", ele acredita. Da mesma forma, é possível que a seleção de 1986 tivesse chegado perto das finais se o praticamente infalível Zico não desperdiçasse uma penalidade contra a França. Os cruzamentos favoreceram os brasileiros na campanha do tetra, em 1994, como está se repetindo na Coréia e no Japão.

A partir da manhã desta segunda-feira, no entanto, inicia-se outra história. Às 8h30, no horário de Brasília, os canarinhos enfrentam a Bélgica pelas oitavas-de-final. Para quem pretende levantar a taça na finalíssima do próximo dia 30, daqui em diante não existe mais opção fora da vitória. Em caso de empate, haverá prorrogação de meia hora, com a chamada morte súbita – o jogo termina se sair um gol. Se o empate persistir, a decisão será nos pênaltis. O Brasil perdeu nas duas últimas Olimpíadas para equipes africanas na morte súbita, mas na Copa ganhou nos pênaltis da Itália na final de 1994 e da Holanda em 1998.

A Bélgica é um time chato. Joga feio, marca forte e adora o jogo aéreo. "Ela tem lá atrás uns cinturas-duras de 1,90 metro", diz o técnico Felipão. Mais ou menos isso. A altura média de seus zagueiros é 1,86 metro. Conhecidos como "diabos vermelhos", os belgas trazem a credencial de participar de sua sexta Copa consecutiva. Em 1986 ficaram em quarto lugar. Só não passaram para a segunda fase em 1998. Antes de garantirem a classificação, na sexta-feira, ao bater a Rússia por 3 a 2, seu feito mais recente fora uma vitória de 2 a 1 num amistoso preparatório contra a França, em Paris, no mês passado. Como não se percebera que os franceses estavam virando saco de pancada, o resultado serviu para dar à Bélgica maior respeitabilidade. Se passar por ela, a seleção brasileira terá na sexta-feira, nas quartas-de-final, um de seus jogos mais difíceis: o vencedor de Dinamarca e Inglaterra, que se defrontariam no sábado. Ganhando de novo, irá às semifinais com o sobrevivente do bloco formado por Suécia, Senegal, Japão e Turquia. O adversário de uma eventual final é imprevisível. Sairá entre os oito que começariam a se eliminar na madrugada de sábado: Alemanha, Paraguai, México, Estados Unidos, Espanha, Irlanda, Coréia e Itália.

Nesta fase, o Brasil terá três fatores a seu favor e dois contra. Nenhum é desprezível. O primeiro e mais importante ponto positivo é o talento individual dos atacantes, sobretudo Ronaldo. Aos 25 anos, com 41 gols em jogos oficiais pela seleção – está atrás somente de Zico, Romário e Pelé –, ele finalmente começa a exibir de novo a magia e a eficiência de seu futebol arrasador. Vem provando que não tem medo de colocar o pé em divididas e continua com o faro de gol apuradíssimo. Acima de tudo, ele está com espírito vencedor. Marcou quatro vezes na atual Copa, mesmo total que atingiu nas sete partidas de 1998, e recuperou a alegria de jogar, estampada no sorriso que ilumina seu rosto dentro e fora de campo. "Ainda há umas coisinhas para consertar, mas minhas condições melhoram a cada jogo", afirma.

AP
A Bélgica comemora na sexta-feira: o destino os colocou contra o Brasil

O segundo fator é uma arma letal: as cobranças de falta. "Em jogos disputados como os da segunda fase, elas poderão desequilibrar para nosso lado", confia Ronaldinho Gaúcho. Várias seleções têm bons batedores, como o inglês Beckham, o italiano Totti e o espanhol Raúl, embora sem três esplêndidas escolhas como as do Brasil: de longa distância, a patada de Roberto Carlos, que fez o seu contra a China; mais de perto, Rivaldo do lado direito e, do esquerdo, Ronaldinho Gaúcho, que treina a jogada desde a infância e não se cansa de rever vídeos em que seu ídolo Zico vencia barreiras e goleiros com mortíferos chutes de curva. Em média, o Brasil faz um gol de falta a cada Copa. Apesar de não terem sido muitos – onze nos últimos quarenta anos –, a maioria resolveu partidas complicadas. "O número deve aumentar, porque no futebol moderno os gols saem cada vez mais de bola parada", diz o comentarista Júnior, ex-lateral da seleção. "Ter cobradores como os nossos será fundamental nas partidas eliminatórias." A terceira vantagem reside nos próprios adversários que sobraram. Não que França e Argentina tivessem vindo à Copa com times claramente melhores que o do Brasil. Já foram superiores, sim, mas seus resultados mostraram que haviam deixado de ser. A dificuldade em um confronto com qualquer um deles seria a pesada carga de tensão que tomaria conta dos jogadores brasileiros. Resta meia dúzia de times competitivos, com a diferença de que a situação se inverteu: eles é que temem os tetracampeões.

Os dois aspectos desfavoráveis são preocupantes. Um é a falta de uma estratégia definida, o que faz com que o técnico Felipão continue a experimentar esquemas e jogadores no decorrer da competição. O melhor exemplo é o meio-campista Ricardinho, que nunca jogara com ele, foi convocado numa emergência, treinou como titular num dia e ficou no banco 24 horas mais tarde. "Como a Argentina, o Brasil confia basicamente em suas individualidades para atacar, mas terá problemas com isso na segunda fase", prevê o respeitado articulista inglês David Miller, que acompanha para o jornal Daily Telegraph sua 12ª Copa do Mundo. "As defesas dos times europeus não apenas continuam muito compactas como ficaram mais rápidas, o que ajuda a neutralizar seleções sem táticas bem esquematizadas."

Por fim, há as falhas da zaga. Elas apareceram contra a Turquia, ficaram escondidas no jogo-treino com a China e tornaram-se aflitivas diante da Costa Rica. "Vamos tentar corrigir na medida do possível", diz Felipão, que não conta com muito tempo para isso e não encontrou, além de Lúcio, Roque Júnior, Edmílson e Anderson Polga, opções seguras de convocação. "Temos de melhorar a marcação, temos de dar bicão!", exclamava o goleiro Marcos depois dos 5 a 2 de quinta-feira passada. "Agora não podemos errar mais, porque se a gente bobear o Varigão decola", lembra o lateral Roberto Carlos, referindo-se ao jato fretado que levará a delegação de volta ao país. Se os erros da defesa superarem os acertos do ataque, como se teme, o avião iniciará nesta semana uma inglória travessia do Pacífico. Caso aconteça o contrário, como se espera, ele não irá para a pista do Aeroporto de Narita, no Japão, antes da sonhada final em Yokohama.

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS