Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 756 - 19 de junho de 2002
Geral Urbanismo
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
 

Bagagem extraviada vira mercadoria
Novo estudo sobre o efeito da endorfina
Roupas novas com cara de antigas
Carros brasileiros tocados a álcool e a gasolina
Magic Johnson está cada vez mais rico
A água domina a paisagem nas casas modernas
Americanos gastam fortunas com animais de estimação
Pesquisa mostra que a sesta melhora a produtividade
Monges fazem as melhores cervejas belgas
Os brasileiros estão vivendo sob o signo da crueldade
O reconstrutor de cidades
Um sistema para substituir o disco rígido
O ataque empolga, a defesa aflige
Agora é que começa a Copa

Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA on-line
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

O reconstrutor de cidades

Brasileiro que já trabalhou em cinqüenta
países planeja o renascimento de Cabul

Rosana Zakabi

 
Arquivo pessoal

Rabinovitch (à dir.) em Cabul: projetos


Veja também
Mais fotos de Jonas Rabinovitch em Cabul

O emprego do fluminense Jonas Rabinovitch é daqueles de provocar arrepios de inveja na maioria dos arquitetos. Coordenador de desenvolvimento urbano da Organização das Nações Unidas (ONU), ele ocupa-se não de erguer prédios bonitos, mas da reconstrução de cidades inteiras, destruídas por guerras ou catástrofes naturais. No momento, o urbanista debruça-se sobre a prancheta em busca de soluções para Cabul e outras cidades do Afeganistão, arrasadas por vinte anos de guerras. Desde que se tornou funcionário da ONU, há nove anos, Rabinovitch participou da reconstrução e do desenvolvimento urbano de mais de cinqüenta países, entre eles o Timor Leste e Bangladesh, dois dos mais pobres que existem. A missão atual é particularmente difícil. Não bastasse Cabul, com 1,5 milhões de habitantes, estar reduzida a escombros e só dispor de fornecimento precário de água e eletricidade, a guerra ainda não terminou totalmente no Afeganistão. Que modelo se pode adotar para uma cidade em tal estado de deterioração? Numa das reuniões sobre a reconstrução da capital, o representante do governo afegão disse a Rabinovitch que o melhor a fazer era seguir o modelo de Curitiba.

A idéia não é estapafúrdia. O urbanista diz que as duas cidades são parecidas em termos de população, área e topografia. "Cabul mostra as mesmas tendências de crescimento desordenado que Curitiba apresentava na década de 60", diz. Ele sabe do que está falando. Rabinovitch nasceu em Niterói, há 45 anos, e trabalhou por mais de dez anos na prefeitura de Curitiba. Foi o que lhe deu notoriedade internacional, pois a capital paranaense é o exemplo urbanístico brasileiro mais conhecido no exterior. O arquiteto cursou mestrado em Londres e, em 1993, recebeu convite para prestar consultoria à ONU por três meses. Acabou contratado e hoje mora em Nova York. Divorciado, tem duas filhas, Julianna Eve, de 8 anos, e Nikole, de 5. Ele diz que reconstruir uma cidade devastada pela guerra é tarefa espinhosa, porém já foi realizada mil vezes no passado. Muitas vezes pode ser mais complicado promover o desenvolvimento de uma nação que nunca passou por guerras mas vive em situação crítica de pobreza. Isso porque é mais fácil elaborar planos para uma região que precisa recomeçar do zero do que para uma área tomada por favelas.

"Como não dá para exterminar as favelas, a solução é regularizar os assentamentos irregulares promovendo a compra do terreno por meio de prestações compatíveis com a renda", ensina Rabinovitch. Em Bangladesh, a equipe do urbanista empenhou-se em ensinar os moradores dos cortiços a melhorar o sistema de eletricidade, pavimentar as ruas, coletar o lixo e criar sistemas de água e esgoto. "São exemplos", comenta ele, "que valem para as favelas brasileiras." Muitas vezes a primeira coisa a fazer num país arruinado pela guerra não é reconstruir prédios, mas estabelecer o direito de propriedade, para evitar a ocupação desordenada. No Timor Leste, que a Indonésia ocupou militarmente durante quase três décadas e só neste ano ganhou a independência, a ONU passou três anos identificando os donos de terras e imóveis. Nas duas semanas que passou recentemente em Cabul, Rabinovitch constatou que, além da pobreza e da destruição dos edifícios, um grande problema é a indefinição sobre a propriedade dos terrenos. "Muitas pessoas fugiram de suas casas por causa das guerras, e esses imóveis foram ocupados ou revendidos por outras famílias", diz ele.

Rabinovitch e sua equipe também estão elaborando um plano para recolher taxas e impostos nos municípios e preservar os centros históricos, em cooperação com outras agências da ONU. Não será um trabalho fácil, mesmo porque o sucesso do programa depende muito da boa vontade da população. No ano passado, a ONU admitiu o fracasso do plano de reconstrução da Bósnia-Herzegóvina, iniciado cinco anos antes. Em lugar de se tornar um lugar próspero e pacífico, a Bósnia se transformou numa terra dominada por máfias. O desafio no Afeganistão é como evitar que 1,8 bilhão de dólares destinados à reconstrução também sejam rapinados pelos corruptos.

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS      
arente.gif" width="1" height="8">