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O
santo negócio da cerveja
Marcas produzidas em mosteiros
da Bélgica são degustadas com
respeito, como os vinhos na França
Ruth
de Aquino, de Bruxelas
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| Mosteiro
e cerveja de Westmalle: com sabores |
Tem
gente que bebe sempre a mesma marca de cerveja. Na Bélgica, essa
fidelidade cheira a sacrilégio. Há mais de 500 tipos de
cerveja no país e seu padroeiro é um santo do século
XI, o beneditino Arnold. Muitas dessas cervejas são degustadas
de modo respeitoso, como o vinho na França e o uísque na
Escócia. Às vezes, são servidas como champanhe, em
baldes entre cubos de gelo. Há quem beba rezando. Literalmente.
São os monges trapistas que fabricam a bebida desde o século
XVII. A Ordem da Trapa é uma dissidência dos beneditinos.
Seu nome deriva da origem geográfica: La Trappe, na Normandia. te;culo
XI, o beneditino Arnold. Muitas dessas cervejas são degustadas
de modo respeitoso, como o vinho na França e o uísque na
Escócia. Às vezes, são servidas como champanhe, em
baldes entre cubos de gelo. Há quem beba rezando. Literalmente.
São os monges trapistas que fabricam a bebida desde o século
XVII. A Ordem da Trapa é uma dissidência dos beneditinos.
Seu nome deriva da origem geográfica: La Trappe, na Normandia.
Há seis mosteiros trapistas na Bélgica e todos hoje vivem
principalmente de cerveja. Westmalle, Westvleteren, Chimay, Orval e Rochefort
são os mais tradicionais. O único mosteiro a destoar da
tradição, o Achel, sucumbiu ao destino há quatro
anos e também passou a fabricar a bebida.
À
exceção da Westvleteren, que só é vendida
no mosteiro, as outras marcas são encontradas em bares, restaurantes,
mercados e lojas de suvenires. Sempre em garrafa, pois em lata seria heresia.
Há cervejas doces ou amargas, mais ou menos encorpadas, algumas
com leve gosto de framboesa, banana, figo e até chocolate. A fabricada
pelos monges belgas exige alguns rituais. A garrafa maior, com rolha,
costuma ser aberta alguns minutos antes de ser consumida, para "respirar".
Há quem goste de envelhecer a bebida, guardando-a de seis meses
a três anos. A aura da cerveja trapista conquistou tantos fiéis
que há muitos cervejeiros tentando copiar, dentro e fora da Bélgica.
Os religiosos já processaram os que ousaram adicionar ao nome de
seus produtos a expressão "estilo trapista". Mas nada podem fazer
contra fábricas que usam desenhos de monges no rótulo. Até
porque há muitas abadias (não trapistas) que emprestam sua
"marca" a cervejarias.
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| No
mosteiro de Rochefort: desde o século XVII |
O
frade Titus, do mosteiro de Achel, conhece o tipo de cerveja que se bebe
no Brasil, a larger. "Não passa de um decente copo d'água",
diz. As cervejas trapistas mais fortes são reservadas para os dias
especiais de liturgia, como a procissão em homenagem a Santo Arnold,
em Bruxelas. No livro As Grandes Cervejas da Bélgica, do
inglês Michael Jackson, considerado o maior especialista mundial
na bebida (ele já a consumia antes de o cantor homônimo virar
celebridade), reverencia a diversidade das cervejas e diz por que elas
enriquecem a gastronomia belga: "Nenhum outro país insistiu tanto
no uso de frutas, ervas e temperos na bebida". Alguns monges chamam a
cerveja até hoje de "pão líquido", por ser nutritiva,
especialmente para quem não come nenhum tipo de carne. A fama de
bebida sagrada começou há 1.000 anos, com os "milagres"
do beneditino Arnold: ele estimulou os fiéis a trocar água
pela bebida, e as epidemias cessaram. É que, ao ser fervida na
fabricação da cerveja, a água deixava de ser contaminada.
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