O
valor da sesta
Estudo de Harvard mostra que dormir
à
tarde melhora a capacidade mental

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Típico
dos climas quentes, o cochilo depois do almoço tem sido encarado
como um hábito arcaico, incompatível com o ritmo da vida
moderna. Pois um estudo da Universidade Harvard conseguiu reabilitar a
sesta, mostrando que ela é um modo excelente para restaurar a capacidade
intelectual. A pesquisa envolveu 129 voluntários, que faziam um
mesmo teste de percepção visual quatro vezes por dia, duas
de manhã e duas à tarde. O desempenho individual piorava
sensivelmente no decorrer do dia. No fim da tarde, era em média
52% menor. Mas quem dormia por meia hora entre o segundo e o terceiro
testes, lá pelas 14 horas, chegava ao fim do dia com o padrão
do meio-dia. Aqueles que podiam dar-se ao luxo de dormir uma hora inteira
voltavam a se comportar no teste como no início da manhã.
Antonio Milena
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| Cochilo
na rede: uma hora de sono é a conta certa |
O estudo indicou que é necessário dormir de verdade. Fechar
os olhos e simplesmente descansar um pouquinho não faz efeito.
Já está comprovado que o relógio biológico
programa as pessoas para dois períodos de sonolência: o mais
forte à noite, entre 22 horas e meia-noite, e um mais leve, no
início da tarde, entre 14 e 15 horas. Isso pouco tem a ver com
questões culturais. Nos lugares quentes, até os animais
evitam sair ao ar livre no horário em que o sol está a pino.
"O padrão natural do homem seria sempre dormir no começo
da tarde, se não fossem as pressões do mundo moderno", diz
Rubens Reimão, neurologista do Hospital das Clínicas, em
São Paulo. Mesmo em países que não têm a chamada
"cultura da sesta", pode-se estimar que pelo menos 20% da população
durma durante um período da tarde. "O estudo de Harvard mostra
que esse sono da tarde tem função importante no aprendizado",
explica o neurologista. Agora é só convencer o patrão
disso.
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