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Ao melhor amigo,
o luxo
Os americanos
gastam 30 bilhões
de dólares por ano, mais que o PIB
do Equador, para cuidar de seus
bichos domésticos
Chris Delboni,
de Washington
Os americanos
já gastam com seus cães, gatos e toda uma fauna doméstica
mais do que com brinquedos, balas e bombons. Não é pouca
coisa. São 30 bilhões de dólares, mais que o PIB
do Equador, gastos por ano com animais de estimação. A indústria
de brinquedos movimenta 25 bilhões de dólares e a de alimentos
adocicados, outros 23 bilhões de dólares. Essas cifras vieram
a público durante a reunião anual da APPMA, a associação
americana que congrega os fabricantes de rações e remédios
para animais, realizada na semana passada em Chicago, no Estado de Illinois.
É uma montanha de dinheiro, mas apenas uma fração
do que a indústria espera abocanhar nos próximos anos. O
potencial do mercado é espantoso. Atualmente, uma família
americana de posses chega a gastar 10.000 dólares
por ano para manter a qualidade de vida de seu animalzinho. Já
são 40 milhões as residências com algum tipo de bicho
domesticado nos Estados Unidos, e a APPMA estima que esse número
pode dobrar até o final da década. A maior parte do dinheiro
gasto pelos americanos com seus animais vai para veterinários,
remédios e internação.
Chico Guerrissi

Cão
da raça cocker spaniel com um termômetro na boca |
É crescente a sofisticação dos recursos colocados
à disposição dos donos de bichos de estimação.
O hall de entrada da clínica veterinária SouthPaws, uma
das mais caras de Washington, é tão elegante quanto a sala
de espera de qualquer centro exclusivo de cirurgia plástica. A
decoração é clássica. Não se encontra,
com lupa, um pêlo sequer de cachorro no chão. Hoje em dia,
a medicina veterinária nos Estados Unidos está tão
especializada quanto a humana. Os bichos têm à disposição
ortopedistas, neurocirurgiões, oncologistas e até psicólogos
e acupunturistas. Exames caros como a ressonância magnética
são comuns nas clínicas mais requisitadas do país.
Um dos mais modernos centros integrados de tratamento de animais domésticos,
o Iams Pet, foi aberto recentemente em Vienna, no Estado de Virgínia.
Ali, um exame de ressonância magnética custa 1 100 dólares,
em média. No Brasil, o mesmo exame feito em seres humanos em centros
especializados em São Paulo e no Rio de Janeiro custa a metade
disso. "Tratamos de casos neurológicos sérios e os donos
dos animais querem que eles recebam os mesmos cuidados que dariam a um
membro da família", diz Julie Smith, anestesista do Iams Pet. "O
custo para eles parece não ser problema."
Depois de
se submeter a uma ressonância que detectou problema em disco da
coluna vertebral, "Dylan", um cão de 9 anos, foi operado na clínica
SouthPaws. Seu dono, Roger McCrady, pagou 3.100
dólares pela cirurgia. Sorridente, disse que o custo é o
de menos quando se trata de prolongar a qualidade de vida de seu cão.
"Dylan está bem. Ele se sente um filhote depois da operação",
alegra-se McCrady. A clínica que cuidou de Dylan é uma das
mais avançadas dos Estados Unidos. Os donos podem escolher entre
tratamentos de ponta, como a implantação de marcapassos,
e abordagens alternativas, como a acupuntura. Animais velhos com dificuldades
de locomoção recebem implantes de prótese de quadril.
O custo: 3.000 dólares. "O animal sai
novinho em folha do hospital. A taxa de sucesso é de praticamente
100%", declara Linda Bullock, administradora da SouthPaws, que tem uma
equipe de oitenta funcionários, entre eles dezoito especialistas.
"O tratamento
especializado oferece mais uma opção na qualidade do cuidado
com os animais", diz Lee Morgan, veterinário americano. A especialização,
como na medicina humana, tem custo alto. Uma cirurgia exploratória
num cão com problemas abdominais pode sair por 500 dólares
num consultório. Numa clínica especializada, o cão
vai ser submetido a exames de ultra-som, endoscopia e biópsia.
O preço disso tudo passa de 1.000 dólares.
"O diagnóstico será mais exato e o procedimento menos traumático",
afirma Morgan.
Ultra-som
e endoscopia são exames de rotina nas clínicas. Como um
grande número de donos de animais não pode arcar com o tratamento,
os serviços de seguro de saúde para os seres de quatro patas
são um mercado também em alta nos Estados Unidos. "Oferecemos
opções e planos de pagamento e até financiamento.
Mas isso é raro. A maioria, quando chega aqui, passou por vários
lugares e o veterinário da família já preveniu que
o custo é relativamente alto", diz Fiona McClure, da SouthPaws,
que saiu da Nova Zelândia para a Universidade Cornell antes de se
mudar para Washington. Ela se lembra de ter tratado recentemente de um
animal com problemas de pâncreas que ficou hospitalizado nove dias.
O dono desembolsou 9.000 dólares. "Não
sei como eles conseguem o dinheiro. Os procedimentos são muito
caros. É preciso muito amor pelos bichos para gastar assim com
eles", admira-se a veterinária. No Brasil, a indústria movida
a amor pelos animais também cresce num ritmo bem acima da economia
como um todo. Aqui já se gasta anualmente 1,9 bilhão de
reais em rações para animais domésticos. O país
já é o segundo maior mercado do mundo, à frente da
França e atrás apenas dos Estados Unidos.
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