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Edição 1 756 - 19 de junho de 2002
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Para relaxar, enfeitar –
e até tomar banho

Raias, ofurôs, fontes
e hidromassagem: na
casa moderna, jorra
água por toda parte

Bel Moherdaui

 
Alan Brugier

Ofurô e pequena raia espelhada no ambiente da Casa Cor: efeito espetacular


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Galeria de fotos: outros ambientes com água

Pode ser um ofurô no banheiro, uma piscina no jardim ou uma singela fonte na varanda, dessas que são ligadas na tomada e pronto. Mas também vale a ordem invertida: um ofurô na varanda, uma piscina no banheiro e uma fonte enorme no jardim. Seja onde e como for, a água está invadindo todos os ambientes domésticos e é uma das tendências mais marcantes dos projetos arquitetônicos do momento – desde os cenários dos reality shows, em que os participantes praticamente se transformaram em seres anfíbios, divididos entre o ofurô, a hidromassagem e a piscina, até os novos prédios residenciais. Na Casa Cor 2002 de São Paulo, a maior mostra de decoração do país, a água é destaque em dez dos 89 ambientes, e detalhe em muitos outros.

A atração dos humanos pela água, a fonte da vida do inevitável lugar-comum, está enraizada no passado mais remoto – o curioso é como ela entra e sai dos espaços habitados, ao sabor dos modismos e das transformações sociais. A banheira de hidromassagem, por exemplo, disseminou-se nos motéis antes de se instalar, já bem domesticada, nos banheiros das casas brasileiras de classe média. "A água sempre esteve associada a um processo de limpeza espiritual, de manutenção e de renovação da vida. Hoje, mesclam-se a essa idéia de pureza expressões de prazer e manifestações de poder social. Ter banheira em casa é padrão, embora ninguém a use para tomar banho todo dia", diz Celso Lomonte Minozzi, professor de projeto de arquitetura da Faculdade de Belas Artes de São Paulo.

Outros modismos são mais intrigantes. Por que será que, de repente, a boa e velha piscina cedeu espaço para a raia, aquela faixa comprida usada no passado somente para aulas de natação? Em três dos ambientes aquáticos da Casa Cor, só dá ela. Tem raia (12,5 metros, 1,10 metro de profundidade, 2 metros de largura, boa para efetivamente dar umas braçadas) em pleno jardim criado pelo paisagista Gilberto Elkis. Tem raia também bem rasinha na sala de ginástica coberta montada pelo arquiteto David Bastos. E tem raia até no banheiro do moderníssimo apartamento decorado por Brunete Fraccaroli – embora aí o tamanho permita no máximo boiar, o revestimento espelhado produz um efeito espetacular. "A minha é a única raia de verdade", diz Elkis. Na verdade, nem a dele, nem a de ninguém, segue à risca as especificações olímpicas: 50 metros de comprimento, 2,5 metros de largura e cerca de 2 metros de profundidade. Mas quem quer realmente uma raia para virar nadador profissional? "Esteticamente, esse tipo de piscina tem um efeito plástico muito interessante", define Elkis. Some-se ainda uma vantagem de ordem prática: a raia ocupa menos espaço que as piscinas convencionais – daí sua presença em tantos projetos de prédios residenciais do momento, erguidos em terrenos mais acanhados.

A restrição de área (além do feng shui, outro modismo intrigante) também contribui para a propagação das chamadas fontes portáteis, que só precisam ser abastecidas de água e ligadas na tomada para iniciar seu barulhinho relaxante. Quem não sofre de restrição de espaço deleita-se com as fontes de tamanho padrão, tão presentes em nossa tradição ibérica – e revitalizadas via ambientes marroquinos da novela O Clone, um fenômeno em matéria de lançamento de tendências. De cano em cano, a veia líquida da decoração tem desaguado em uma profusão de ofurôs, o milenar e quentíssimo (cerca de 40 graus) banho de imersão japonês em tanque redondo de madeira. Antes restritos às casas dos modernos ou dos alternativos, os ofurôs se multiplicam, tanto em casas quanto na área comum de prédios de alto padrão e em hotéis de luxo. O chiquérrimo Hotel Emiliano, em São Paulo, tem dois, um mais quente que o outro. A construtora Adolpho Lindenberg calcula que um terço de seus lançamentos hoje venha com ofurô, e mais da metade com uma piscininha quente equipada com hidromassagem, batizada de spa – outro artigo que faz um baita sucesso entre os estressadíssimos participantes de reality shows.

   
 
   
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