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A grande jogada
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Como jogador do Los Angeles Lakers, Magic Johnson teve uma trajetória
vitoriosa na NBA, a liga americana de basquete. Foi campeão em
cinco temporadas e escolhido três vezes como o melhor jogador dos
Estados Unidos. Johnson anunciou a aposentadoria no auge da forma, em
1991, depois de descobrir que era portador do vírus da Aids. Ele
ainda voltaria às quadras no ano seguinte, para comandar, ao lado
de Michael Jordan, o Dream Team a fantástica seleção
americana de basquete que conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas
de Barcelona, em 1992. Fora das quadras, Johnson criou uma fundação,
que leva seu nome, para promover campanhas de prevenção
contra a Aids. Graças aos coquetéis de remédios,
a uma dieta rigorosa e aos exercícios físicos diários,
Johnson controlou a doença e hoje, aos 42 anos, esbanja saúde.
Também se deu muito bem nos negócios. Em uma década,
o empresário Magic Johnson multiplicou por cinco os 100 milhões
de dólares que amealhou em doze anos como jogador da NBA.
Ele é dono de uma rede de cinemas multíplex com salas em Los Angeles, Atlanta, Houston, Cleveland e Nova York, todas em sociedade com a Sony. Tem ainda um shopping center em Las Vegas e está construindo outro. Há dois meses, também num sistema de parceria, inaugurou uma academia de ginástica perto de Los Angeles que fica aberta 24 horas e prepara-se para abrir mais seis unidades até 2003. Johnson investiu no ramo de restaurantes, com duas franquias da rede T.G.I. Friday's e participação na cadeia Fatburger. Também comprou a franquia de 33 cafés Starbucks e tem participação acionária num banco voltado para a comunidade negra.
A
estratégia desse império comercial avaliado em 500 milhões
de dólares é inusitada: Johnson investe pesado nos bairros
negros dos grandes centros urbanos, regiões carentes de serviços
nas áreas de entretenimento e alimentação. Os 35
milhões de negros americanos formam um formidável mercado
consumidor, que só no ano passado movimentou 500 bilhões
de dólares, o equivalente ao PIB brasileiro. Mas a maioria precisa
deslocar-se para os subúrbios ricos para ir ao cinema ou a um restaurante
da moda. Ao levar esses serviços aos bairros onde os negros vivem,
o ex-jogador inverteu o caminho. Sua regra básica é que
todo empreendimento precisa oferecer conforto e atendimento impecável
aos clientes. Com essa filosofia, ele foi o primeiro a abrir as luxuosas
salas de cinema multíplex no Harlem, o bairro negro de Nova York.
O sucesso foi imediato e acabou atraindo outras lojas de grife para a
região.
Johnson sabe o que faz. Nascido e criado num bairro negro, tratou de adaptar seus empreendimentos ao gosto do público-alvo. Fotos de ídolos negros, como Ray Charles, Stevie Wonder e Louis Armstrong, decoram as paredes de sua lanchonete da rede Fatburger de Los Angeles. Ele mandou instalar máquinas de toca-discos dos anos 70, com várias opções de música soul. Para agradar à clientela, Johnson mexeu até no cardápio uma ousadia raramente permitida pelas redes de restaurantes e lanchonetes franqueadas. Nas unidades da rede Starbucks, por exemplo, Johnson incluiu no menu torta de batata-doce, um hábito dos bairros negros. Outra novidade foi adotada nas salas de cinema multíplex: além da tradicional dupla pipoca e refrigerante, um reforço no estoque de cachorros-quentes e lanches rápidos. Isso porque boa parte da clientela não tem costume nem dinheiro para jantar num restaurante depois de ir ao cinema. O resultado é um exemplo para sociólogos se debruçarem: suas salas de cinema e lanchonetes permanecem intocadas em meio à vizinhança de lojas pichadas.
![]() Magic Johnson na inauguração de sua academia: de olho na prefeitura de Los Angeles |
O sucesso empresarial de Magic Johnson começou a ganhar impulso em 1993 e acabou atropelando sua volta às quadras, dois anos depois. Animado com o tratamento contra a Aids, ele assinou um contrato de dois anos com o Lakers para disputar a NBA. Chegou a participar dos 23 jogos da primeira temporada, mas, por causa da desunião do time, desistiu de vez da carreira para se dedicar inteiramente aos negócios. A mudança não poderia ter sido mais feliz. Carismático, Johnson não faz demagogia sobre suas intenções. Ele quer provar que os bairros negros podem ser melhorados, mas o objetivo de seus investimentos é obter lucro. "Magic Johnson é, ao mesmo tempo, um lutador e um capitalista", disse a VEJA o antropólogo americano John Jackson Jr., da Universidade Harvard. "Ele deseja mostrar que as comunidades urbanas negras são viáveis e não hesita em arriscar o patrimônio para justificar sua tese." O sucesso já está levando o ex-jogador a alçar vôos mais altos ele já admite candidatar-se a prefeito de Los Angeles em 2005. Talvez por isso tenha decidido abrir uma filial de sua academia num subúrbio rico de Los Angeles. Pode até não ganhar a eleição, mas certamente deverá ficar ainda mais rico.
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Onde o ex-atleta aplicou seu dinheiro |
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