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Euforia sem explicação
Pesquisas
põem em dúvida
a relação entre endorfina
e prazer no esporte

Flávia
Varella
Nica Daud
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O corredor
já está com a língua de fora, mas se esforça,
acelera, exagera, tenta ir além de seus limites. Nesse instante,
uma sensação de euforia o invade. É o chamado barato
da corrida, o famoso runner's high, em inglês. No dia seguinte,
ele quer correr mais. Está viciado em exercício. A teoria
de que o esforço físico provoca a liberação
de endorfina, uma substância química com propriedades analgésicas
e entorpecentes, é há anos o argumento preferido dos esportistas
para justificar a paixão pela atividade física. A tese era
perfeita até que um grupo de cientistas americanos resolveu desmenti-la.
Alguns pesquisadores agora dizem que a suposta inundação
de endorfina no cérebro não tem evidência científica.
Outros duvidam até que o barato da corrida exista. "Eu acredito
que essa história da endorfina em corredores seja uma total fantasia",
afirma Huda Akil, pesquisadora da Uno dos esportistas
para justificar a paixão pela atividade física. A tese era
perfeita até que um grupo de cientistas americanos resolveu desmenti-la.
Alguns pesquisadores agora dizem que a suposta inundação
de endorfina no cérebro não tem evidência científica.
Outros duvidam até que o barato da corrida exista. "Eu acredito
que essa história da endorfina em corredores seja uma total fantasia",
afirma Huda Akil, pesquisadora da Universidade de Michigan e presidente
da Sociedade para a Neurociência.
As endorfinas,
substâncias com propriedades parecidas com a morfina produzidas
pelo organismo em situações de grande stress ou dor, foram
descobertas na década de 70, mesma época em que o cooper
se popularizava nos Estados Unidos. Como os níveis da endorfina
aumentam no sangue durante a corrida, a sensação de bem-estar
relatada por alguns atletas foi logo atribuída a ela. O problema
é que a maior concentração da substância tem
pouco significado ou, pelo menos, os cientistas ainda não sabem
o que isso acarreta. O prazer só viria, em tese, se a endorfina
aumentasse também no sistema nervoso central. Mas ela não
passa do sangue para o cérebro, no qual a medição
durante a execução do esforço físico é
muito difícil.
"Como há
pessoas que se tornam dependentes de exercícios físicos
e existe uma semelhança do que relatam com a ação
dos opiáceos, como a morfina, foi feita a relação
com a endorfina", explica a bioquímica Maria da Graça Naffah
Mazzacoratti, do laboratório de Neurociência da Universidade
Federal de São Paulo. Um pequeno grupo de esportistas, de fato,
apresenta características do vício em relação
ao exercício como necessidade de aumentar sempre a dosagem
para atingir o prazer, a dependência e a ânsia de praticá-lo
, e experimentos com ratos comprovaram que a atividade física
pode provocar dependência. "O desafio da ciência agora é
entender o que ocorre bioquimicamente", afirma o professor de farmacologia
Cristoforo Scavone, da Universidade de São Paulo (USP). Os cientistas
já sabem que a endorfina não é o elemento fundamental
nesse processo. "É provável que seja um coquetel de substâncias,
uma delicada mistura", diz Huda Akil.
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O
que as novas pesquisas
revelam
Durante o exercício, há um aumento de endorfina no
sangue, mas a substância não passa para o cérebro.
Alguns cientistas acreditam que a sensação de euforia
relatada por corredores não é um fato bioquímico.
Ao menos em ratos, o exercício pode viciar, mas a endorfina
não é a principal causa da dependência.
Fonte:
Huda Akil, presidente da Sociedade Americana para a Neurociência
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