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Edição 1 756 - 19 de junho de 2002
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O negócio das malas

Bagagem perdida em viagem
aérea virou uma lucrativa
atividade nos Estados Unidos

Adriana Carvalho

 
Courtesy UBC
Loja de roupas de malas perdidas em aeroportos à venda no UBC: pechinchas


Veja também
Da internet
UCB - Unclaimed Baggage Center (em inglês)

Colar com 146 pérolas autênticas, 6.825 dólares. Chapéu do antigo Exército soviético, 10 dólares. Jaqueta de veludo Versace, 100 dólares. Instrumento musical exótico chinês, 756 dólares. Bisbilhotar as coisas inusitadas que as pessoas perdem durante uma viagem aérea e comprá-las por uma pechincha: não tem preço. Todos esses achados estão nos depósitos do Unclaimed Baggage Center (UBC), o centro de bagagens não procuradas por seus donos. Essa curiosa loja americana compra das companhias aéreas as bagagens perdidas de passageiros – depois de esgotados todos os esforços para devolvê-las a seus donos – e vende seu conteúdo com descontos de até 80% em relação ao preço de mercado.

Estima-se que 1 bilhão de pessoas e 2 bilhões de malas circulem pelos aeroportos do mundo a cada ano. De cada 1.000 bagagens, cinco são perdidas, em média, mas quase todas elas são restituídas a seus donos no prazo de cinco dias. A pequena porcentagem que não tem a mesma sorte, e que representa centenas de milhares de malas, entretanto, vai para lugares como instituições de caridade ou para os estoques do UBC. Situada na pequena cidade de Scottsboro, no Estado do Alabama, a loja agrega a seus armazéns a cada ano cerca de 1 milhão de itens oriundos das bagagens perdidas e tornou-se uma das maiores atrações turísticas do Alabama. Recentemente, passou a vender seus artigos pela internet, com entrega, por enquanto, limitada aos Estados Unidos e Canadá.

A loja compra as malas fechadas das empresas aéreas e vende tudo o que tem dentro. Desde um tubo semi-usado de creme de barbear até o vestido longo de festa, que é mandado para a lavanderia antes de ir para as araras. Muitas vezes são encontradas raridades. Entre elas, antiguidades egípcias datadas de 1500 a.C., um violino de 1770, anéis de diamante e roupas caríssimas de grifes famosas. Alguns objetos são tão esquisitos que o UBC promove um concurso em seu website e oferece uma camiseta para quem adivinhar do que se trata. Além de roupas, brinquedos, artigos eletrônicos e tapetes persas, o lugar coleciona histórias curiosas. Um dos registros é de um morador de Atlanta, que em visita a Scottsboro comprou um par de esquis para sua esposa. Quando ela recebeu o presente, percebeu que era bem familiar. Ao olhar dentro da bota, viu seu nome de solteira gravado. Eram os esquis que ela havia perdido durante uma viagem, alguns anos antes. Muitas pessoas procuram o UBC não atrás de uma boa compra, mas dos próprios objetos extraviados. Para estas, a loja não dá muitas esperanças. Explica que os artigos vendidos no local só estão lá porque foram esgotadas todas as possibilidades de encontrar seus donos e oferece um manual com instruções para evitar que a próxima viagem termine com o mesmo tipo de dor de cabeça.

 
Roberto Stelzer


Agora pela internet

Alguns itens nas prateleiras da loja americana especializada em revender artigos de malas extraviadas em aeroportos

 

Relógio antigo de viagem
1 000 dólares
Câmara Olympus Stylus Zoom 140
145 dólares
Binóculos Vivitar PV Series 8x22
30 dólares
Tênis Street Jets
30 dólares



   
 
 
   
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