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Ataque
em Karachi
Carro-bomba perto de consulado
americano
serve para lembrar
que a Al Qaeda está viva
AP
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| Devastação
em Karachi: pelo menos onze pessoas morreram com a explosão |
Um
carro-bomba explodiu próximo ao consulado americano em Karachi,
a maior cidade paquistanesa, com 10 milhões de habitantes, na sexta-feira
passada. O atentado, que abriu uma cratera de 1 metro e meio de profundidade,
matou onze pessoas e feriu mais de quarenta, entre elas um soldado americano
e vários funcionários do consulado, coincidiu com a visita
do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, ao
país. No dia anterior, Rumsfeld tinha encontrado o presidente Pervez
Musharraf para convencê-lo a controlar os separatistas muçulmanos
na Caxemira, que quase provocaram uma guerra entre o Paquistão
e a Índia. O secretário de Defesa também quer que
Musharraf mantenha a pressão sobre a Al Qaeda. Derrotados no Afeganistão,
muitos terroristas estão ativos no lado paquistanês da fronteira.
O enorme carro-bomba foi a resposta da organização de Osama
bin Laden. No mês passado, ela já tinha matado onze franceses
diante do hotel Sheraton, a menos de 1 quilômetro do consulado americano.
O ataque serviu para lembrar que a Al Qaeda ainda está em condições
de cometer grandes atentados. Na última semana, o secretário
da Justiça John Ashcroft anunciou com estardalhaço ter colocado
atrás das grades um cidadão americano que planejava um atentado
com uma bomba convencional envolta em material radioativo. José
Padilla, um pequeno meliante de Chicago, que se converteu ao islamismo
na prisão e adotou o nome de Abdullah al Muhajir, foi preso no
aeroporto de Chicago há mais de um mês. O material radioativo
teria sido roubado de aparelhos radiológicos usados em hospitais.
A notícia não chega a ser tão terrível como
parece, pois essas peças não tornariam a bomba muito mais
letal. A divulgação do complô envolvendo um artefato
radioativo, contudo, é do tipo que faz aumentar a preocupação
da população. Outro suspeito de participar da conspiração
foi preso no Paquistão. O perigo foi grande? A própria Casa
Branca encarregou-se de pôr água na fervura e admitiu que
havia exagero no modo com que Ashcroft anunciou a prisão.
Reuters
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| José
Padilla: planos de bomba radioativa |
O fato é que se tratou do primeiro plano de ataque da Al Qaeda
dentro do território americano a ser descoberto desde os atentados
contra o World Trade Center e o Pentágono, há nove meses.
Quando se trata de terrorismo, a única coisa a fazer é agir
antes que a ameaça se torne incontrolável. Neste mês,
o presidente George W. Bush já promoveu duas mudanças importantes
em sua estratégia de guerra contra o terrorismo. No plano doméstico
anunciou a criação do Departamento de Segurança Interna,
um órgão com status ministerial que vai reunir em um só
comando 170.000 funcionários atualmente espalhados por vários
departamentos e agências. No exterior, pretende aplicar a doutrina
da intervenção preventiva. Significa que os Estados Unidos
vão tomar a iniciativa de atacar antes de ser atacados. Nesse caso
é de esperar que os alvos não sejam apenas os acampamentos
da Al Qaeda, como os que foram destruídos no Afeganistão.
Quando fala em ataque preventivo, Bush está pensando também
no que chama de "Estados párias". Em especial, ele tem a intenção
de privar Saddam Hussein de qualquer possibilidade de adquirir armas químicas,
nucleares ou biológicas. Esta guerra está só começando.
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