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Edição 1 756 - 19 de junho de 2002
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Ataque em Karachi

Carro-bomba perto de consulado
americano
serve para lembrar
que a Al Qaeda está viva

 
AP
Devastação em Karachi: pelo menos onze pessoas morreram com a explosão

Um carro-bomba explodiu próximo ao consulado americano em Karachi, a maior cidade paquistanesa, com 10 milhões de habitantes, na sexta-feira passada. O atentado, que abriu uma cratera de 1 metro e meio de profundidade, matou onze pessoas e feriu mais de quarenta, entre elas um soldado americano e vários funcionários do consulado, coincidiu com a visita do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, ao país. No dia anterior, Rumsfeld tinha encontrado o presidente Pervez Musharraf para convencê-lo a controlar os separatistas muçulmanos na Caxemira, que quase provocaram uma guerra entre o Paquistão e a Índia. O secretário de Defesa também quer que Musharraf mantenha a pressão sobre a Al Qaeda. Derrotados no Afeganistão, muitos terroristas estão ativos no lado paquistanês da fronteira. O enorme carro-bomba foi a resposta da organização de Osama bin Laden. No mês passado, ela já tinha matado onze franceses diante do hotel Sheraton, a menos de 1 quilômetro do consulado americano.

O ataque serviu para lembrar que a Al Qaeda ainda está em condições de cometer grandes atentados. Na última semana, o secretário da Justiça John Ashcroft anunciou com estardalhaço ter colocado atrás das grades um cidadão americano que planejava um atentado com uma bomba convencional envolta em material radioativo. José Padilla, um pequeno meliante de Chicago, que se converteu ao islamismo na prisão e adotou o nome de Abdullah al Muhajir, foi preso no aeroporto de Chicago há mais de um mês. O material radioativo teria sido roubado de aparelhos radiológicos usados em hospitais. A notícia não chega a ser tão terrível como parece, pois essas peças não tornariam a bomba muito mais letal. A divulgação do complô envolvendo um artefato radioativo, contudo, é do tipo que faz aumentar a preocupação da população. Outro suspeito de participar da conspiração foi preso no Paquistão. O perigo foi grande? A própria Casa Branca encarregou-se de pôr água na fervura e admitiu que havia exagero no modo com que Ashcroft anunciou a prisão.

Reuters
José Padilla: planos de bomba radioativa


O fato é que se tratou do primeiro plano de ataque da Al Qaeda dentro do território americano a ser descoberto desde os atentados contra o World Trade Center e o Pentágono, há nove meses. Quando se trata de terrorismo, a única coisa a fazer é agir antes que a ameaça se torne incontrolável. Neste mês, o presidente George W. Bush já promoveu duas mudanças importantes em sua estratégia de guerra contra o terrorismo. No plano doméstico anunciou a criação do Departamento de Segurança Interna, um órgão com status ministerial que vai reunir em um só comando 170.000 funcionários atualmente espalhados por vários departamentos e agências. No exterior, pretende aplicar a doutrina da intervenção preventiva. Significa que os Estados Unidos vão tomar a iniciativa de atacar antes de ser atacados. Nesse caso é de esperar que os alvos não sejam apenas os acampamentos da Al Qaeda, como os que foram destruídos no Afeganistão. Quando fala em ataque preventivo, Bush está pensando também no que chama de "Estados párias". Em especial, ele tem a intenção de privar Saddam Hussein de qualquer possibilidade de adquirir armas químicas, nucleares ou biológicas. Esta guerra está só começando.


 
 
 
   
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