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• Cultura: Como a arte e a cultura estão ajudando a reerguer Nova OrleansVEJA RecomendaLIVRO A HUMILHAÇÃO, de Philip Roth (tradução de Paulo Henriques Britto; Companhia das Letras; 104 páginas; 32 reais)
Reputado por sua interpretação de papéis clássicos no teatro, Simon Axler de um dia para o outro perde toda a sua convicção no palco. Fracassa vergonhosamente em montagens de A Tempestade e Macbeth, peças de Shakespeare, e decide se aposentar. Ao esgotamento criativo, segue-se o inferno emocional: abandonado pela mulher, Axler começa a pensar em suicídio e acaba internado em uma clínica psiquiátrica. Depois de receber alta, redescobre a vontade de viver, graças a uma amante bem mais jovem que até então era homossexual. É um relacionamento desigual, fadado à infelicidade. Figura amarga, Axler é mais um dos retratos devastadores da velhice que Philip Roth, 77 anos talvez o maior escritor americano vivo , tem produzido em seus romances recentes. Em algumas passagens, a prosa do autor parece tão cansada quanto seu personagem, e não se encontra em A Humilhação a pungência clínica com que Homem Comum examina a degeneração física e a proximidade da morte. Ainda assim, é um livro poderoso, corajoso na forma como desmantela as ilusões do personagem e também as do leitor.
DISCOS WOMEN AND COUNTRY, Jakob Dylan (Sony Music)
Durante anos, enquanto era integrante da banda Wallflowers, Jakob Dylan tratou de manter distância do estilo de seu pai, Bob Dylan, abraçando o pop em canções como One Headlight. Desde 2006 em carreira-solo, o cantor e compositor agora se aproxima de gêneros tipicamente americanos, como o country e o folk no qual Bob deixou uma marca transformadora. Women and Country foi produzido pelo veterano T-Bone Burnett, ganhador do Oscar deste ano pela canção do filme Coração Louco. Burnett recrutou profissionais de respeito, como o guitarrista de jazz Marc Ribot e as cantoras Kelly Hogan e Nekko Case, artistas do country alternativo. O trabalho deve agradar tanto aos fãs mais ardorosos de Dylan pai quanto aos da nova geração folk. A voz roufenha de Jakob chega a lembrar os registros do papai na década de 70. O forte do CD, como anuncia o título, são canções country como Everybodys Hurting (com belíssimos vocais de apoio de Nekko). Mas há também outros gêneros, do cabaré (Lend a Hand) a baladas ternas (Nothing But the Whole Wide World).
DVD REDS (Estados Unidos, 1981. Paramount)
Conhecido desde sua estreia, no início dos anos 60, até o fim da década seguinte como um dos mais belos galãs de Hollywood, Warren Beatty usou este seu segundo trabalho na direção (o primeiro fora o bobinho O Céu Pode Esperar) como uma cartada para mostrar a que viera. Segundo suas ambições, Reds deveria torná-lo um produtor-cineasta-roteirista de peso, respeitado pela ambição e também pelas ideias. Beatty ganhou o Oscar de diretor, mais três indicações (entre elas, a de melhor filme), mas, ainda assim, seu plano não correu conforme o esperado. A explicação está nas qualidades, e também nos defeitos, de Reds. O filme conta a história de John Reed (o próprio Beatty), jornalista americano que testemunhou a revolução comunista na Rússia, em 1917, e escreveu sobre ela um relato clássico, Os Dez Dias que Abalaram o Mundo. O encanto com os bolcheviques hoje soa ingênuo e presunçoso. Mas a levada épica com que é contado o romance entre Reed e a complicada Louise Bryant (Diane Keaton) ainda arrebata, assim como a beleza da produção, eximiamente fotografada pelo italiano Vittorio Storaro.
TELEVISÃO OS PECADOS DO MEU PAI (Pecados de Mi Padre, Argentina/Colômbia, 2009. Quarta-feira, às 21h, no Discovery Channel) Em 1994, um ano após seu pai ser executado a tiros por forças de segurança na Colômbia, Juan Pablo Escobar mudou de nome e fugiu do país. "Se quero viver, tenho de fazer exatamente o oposto do que fez meu pai", diz ele em Buenos Aires, cidade onde vive atualmente, como arquiteto. Seu pai era o traficante Pablo Escobar (1949-1993), chefão do Cartel de Medellín, que chegou a controlar 80% do comércio mundial de cocaína nos anos 80. Os Pecados do Meu Pai apresenta os momentos mais emblemáticos da trajetória do superbandido a partir do depoimento de seu filho, que hoje atende pelo nome de Sebastián Marroquín. É a sua voz que conduz o documentário. Marroquín busca uma espécie de reparação pelos crimes do pai: na cena culminante do filme, ele pede perdão aos filhos de dois políticos assassinados a mando de Pablo Escobar nos anos 80. Imagens inéditas revelam o luxo em que a família vivia o traficante gastava fortunas, por exemplo, em animais exóticos para seu zoológico particular. Os Pecados do Meu Pai também está em cartaz nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
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