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Home  »  Revistas  »  Edição 2165 / 19 de maio de 2010


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Leitor

Assuntos mais comentados
Gays (capa)
Construtivismo na educação
Medidas populistas no Congresso
Lya Luft
Mara Gabrilli (Entrevista)

 

Gays

"Sou gay, minha família e amigos me aceitam bem, mas tenho inveja dos jovens
que se assumem mais cedo. Admiti minha homossexualidade aos 21 anos,
quando dei o primeiro beijo em um garoto. Aceitar-me assim foi a melhor
coisa que aconteceu na vida. Hoje vivo mais feliz."

Allysson Roberto B. L. de Moraes, 25 anos
Teresina, PI

A reportagem "A geração tolerância" (12 de maio) chegará a muitos que têm uma visão errada sobre os homossexuais e também aos gays que ainda não se assumiram, por medo. Tenho 26 anos e há dois assumi minha homossexualidade diante dos meus pais e amigos. Hoje namoro uma mulher maravilhosa. Não me arrependo de nada. Fingir não ser gay para se enquadrar no que é "certo" não é vida.
Clarissa Martins
Santo André, SP

Com 19 anos, acho que ter assumido minha condição para a família e amigos só me trouxe benefícios e me tornou uma pessoa mais aberta e sociável. É maravilhoso perceber que a sociedade mudou suas linhas de pensamento. Meu namorado tem 35 anos. Exatamente como a reportagem expôs, a geração dele sente que deve lutar por seus direitos e refugiar-se junto de seus semelhantes. Eu, no entanto, não vejo motivo para "lutar" por algo tão natural e aceito, e muito menos para viver em guetos.
Kelvin Martins
Porto Alegre, RS

Relação discreta
Victor Guedes, 19 anos, produtor de moda, sobre o namoro com Luiz Leandro Caiafa, 20 anos, estudante: "Às vezes andamos de mãos dadas, mas não trocamos beijos em público. Não preciso expor minha sexualidade"
Mirian Fichtner

 

Os jovens devem acreditar não nas "lições" que lhes são impostas, mas sim na verdade que os move. Tenho sobre minha mesa de trabalho a foto de meu parceiro há quinze anos – eu o conheci jovem (ele tinha 18 anos e eu, 36). Foi ele quem me mostrou que, juntos, poderíamos conquistar o respeito de nossa família. Eu me arrependo apenas de só aos 36 anos ter deixado de recorrer a disfarces para ser aceito.
Casemiro de Andrade
Florianópolis, SC

Aos 19 anos revelei a minha mãe ser gay. Desde então (há oito anos), não temos um bom relacionamento. Ela insiste em me tratar como um inimigo. Espero que essa reportagem a ajude a ver que busco ser feliz sendo eu mesmo. Gostaria que ela pudesse conhecer e aceitar meu companheiro de três anos, da mesma maneira como a família dele me ama e me aceita. Amo minha mãe, e gostaria que o amor dela pudesse superar o preconceito. Meu pai me acolheu desde o início e, assim como minha avó e outros familiares, foi importante para que eu aguentasse os anos difíceis. Hoje sou independente, moro com meu companheiro e só lamento não poder dividir minha vida com minha mãe.
Lucas Pereira Rezende
Belo Horizonte, MG

Quando meu filho assumiu ser gay, aos 16 anos – dez anos atrás –, fui criticada por aceitar de maneira pacífica a "opção sexual" dele. Alguns disseram que eu deveria lutar. Mas lutar com quem, e para quê? Se ele se assumiu gay em um país machista e preconceituoso, como era o Brasil daqueles dias, tratava-se de algo sério e bem mais forte do que ele. Não me arrependo de ter apoiado meu filho nesse momento da vida dele. Odiaria vê-lo casado com uma moça apenas para salvar as aparências, condenado a uma vida dupla e infeliz. Hoje ele é bem resolvido e pronto para a vida. O preconceito é fruto da ignorância. Aqui no Canadá essa praga já foi combatida. Fico orgulhosa e aliviada por essa nova geração no Brasil poder usufruir o respeito que merece.
Carla Benghi
Montreal, Canadá

Sou mãe de uma garota de 23 anos lésbica. Oxalá um dia as cores tão suaves e plácidas da reportagem de VEJA se tornem reais, pois se, por um lado, hoje os jovens têm maior liberdade para revelar sua homossexualidade, por outro, o mundo cor-de-rosa apresentado está bem distante da sociedade brasileira.
Cristina de Sábata
São Paulo, SP

 

Lya Luft

A escritora Lya Luft nos presenteia com um artigo memorável ("A canção de qualquer mãe", 12 de maio), que é a síntese do sentimento maior: o amor incondicional de uma mãe. Parabéns pela sensibilidade e obrigada pelo presente.
Sandra Liki
São Paulo, SP

Tenho quatro filhos. O pai viaja muito e não pude encontrá-lo antes do Dia das Mães, para pelo menos almoçar com meus tesouros. Logo pela manhã fui ao concerto com Rebecca, de 16 anos, e Julia, de 6, assistir à nossa filha de 17 anos tocar na Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem. Meu filho Joshua, de 12 anos, preparou o churrasco enquanto estávamos fora. Rebecca havia feito a torta de limão. No almoço, disse aos meus quatro filhos que eles me dão muito mais do que esperei, mereci ou imaginei ter. Logo mais tarde, lendo o texto de Lya Luft, fiquei tão tocada que me derramei em lágrimas. Ela expõe justamente como nós, mães dedicadas à família, nos sentimos: as pessoas mais felizes do mundo, por termos a companhia e o amor de nossos filhos. Obrigada, Lya.
Valeria Minczuk
Rio de Janeiro, RJ

O texto de Lya Luft vem acalentar o coração de mães cujos filhos já se foram para ser felizes e realizar seus sonhos. A nós, mães, cabe estar sempre presentes, mesmo que a distância, à espera de encontros cheios de beijos e afagos.
Valéria Maria Roberti Carvalho
Lavras, MG

Senti o coração de Lya Luft falando. O texto me "pegou" nas duas situações: a de mãe e a de filha de uma senhora de 90 anos. Muito lindo.
Naide Videira Braga
Presidente Prudente, SP

O texto de Lya é de uma delicadeza e poesia indescritíveis. Li para meus três filhos (duas meninas e um menino – de 15, 14 e 11 anos) e chorei durante toda a leitura, acompanhada pelos três, igualmente emocionados. Disse a eles que era meu presente de Dia das Mães, fazendo minhas as palavras dessa mulher maravilhosa chamada Lya Luft.
Luiziana de C. Monteiro de Barros
Petrópolis, RJ

 

Mara Gabrilli

A entrevista com a vereadora paulistana Mara Gabrilli (Amarelas, 12 de maio) nos mostra como ter autoestima e dignidade. É uma lição de vida a ser seguida.
Antonio Carlos Ribeiro
Vitória da Conquista, BA

Mara Gabrilli, ler sua entrevista a VEJA foi como ouvir uma prece. Encheu meu coração de alegria e de esperança. Você é uma mulher admirável. Parabéns.
Cristina Moojen Czernohous
Joinville, SC

Sou espírita e, embora não saiba qual a religião de Mara, ela pode estar certa de que milhões de pessoas de todas as religiões estarão orando por ela. Siga com essa vontade de viver, que serve de exemplo a todos nós.
Ismael Xavier de Oliveira
Jacareí, SP

Mara é uma pessoa sensível não só à causa dos lesionados medulares, como à das demais deficiências. Já participei de alguns eventos nacionais em que ela esteve presente, sempre dinâmica e incansável na luta contra o preconceito e na busca por melhorias na qualidade de vida dos portadores de necessidades especiais. Além de linda e inteligente, está sempre com um sorriso largo no rosto, confortando a todos que a procuram. Luto diariamente na minha cidade para facilitar o acesso de crianças com a mesma doença do meu filho de 8 anos. Gostaria muito que outras "Maras" existissem. Só assim mudaríamos essa realidade do preconceito e da falta de tratamentos na vida de grande parte dos deficientes físicos brasileiros. Mara, o Brasil agradece o seu esforço.
Fátima Braga
Presidente da Associação Brasileira de Amiotrofia Espinhal (Abrame)
Fortaleza, CE

 

As jovens e a menstruação

Quando eu menstruava, sofria muito com cólicas, que só medicamentos aliviavam, enxaquecas que me levavam ao pronto-socorro e fluxo abundante que me deixava anêmica. É vida? Durante muito tempo, emendei cartelas e cartelas da pílula mais forte que havia, pois era a única que impedia minha menstruação. Que bom que a medicina de hoje está avançando nesse assunto e começa a dar às mulheres a opção de não menstruar sem prejuízo à sua saúde ("Nem as jovens querem mais", 12 de maio).
Maria Izabel de Ugalde M. Rocha
Santa Maria, RS

 


Pecados do legionário de Cristo

Morei por mais de um ano com as consagradas em diferentes países e posso afirmar que são mulheres que estudam e agem livremente por amor a Deus, num louvável trabalho apostólico com jovens e crianças. Que os atos vergonhosos do religioso Marcial Maciel não maculem as atitudes de pessoas que agem honestamente, buscando o bem do próximo ("Legionários do anticristo", 12 de maio).
Maria Fernanda de A. Reis
Brasília, DF

Afinal, o que pretende dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre? Afastar ainda mais os fiéis da combalida Igreja Católica com afirmações estapafúrdias e desprovidas de bom senso? É de arrepiar que boquirrotos assim possam fazer parte dos altos escalões de tal instituição. Como dizia meu avô: "Eu morro e não vejo tudo!".
Mafalda Kreutz
Lajeado, RS

 

A crise grega e o euro

Excelente a reportagem "O dia em que o euro tremeu" (12 de maio), mostrando que os gregos estão revoltados com as consequências do arrocho que sofrerão para viabilizar o pagamento dos juros do socorro de 110 bilhões de euros. Cerca de 100 000 pessoas protestando nas ruas, demonstrando sua insatisfação com as perdas que o governo quer impor. Contrariamente, nós, brasileiros, sofremos calados e individualmente o peso de uma carga tributária de quase 40% e de uma dívida pública interna gigantesca. Vale lembrar que, em 2009, o Brasil investiu apenas 4% do Orçamento em saúde e 2% em educação. Tudo isso sem uma única voz se levantar. E, pior, não sei como o atual governo tem tal aceitação.
Francisco Rodrigues Lira
São Paulo, SP

 

Construtivismo na educação

Tenho uma filha que estudou em escola tradicionalista e um filho estudando em escola construtivista. A diferença entre os sistemas de ensino é gritante. Que essa reportagem ("Salto no escuro", 12 de maio) sirva como discussão para que não cheguemos à conclusão de que uma geração de alunos foi prejudicada.
Jairo Motta Xavier
Manaus, AM

Eu e outras colegas somos tachadas de tradicionais e resistentes ao construtivismo, mas a realidade é que vivemos no dia a dia tudo o que informou a reportagem. O professor fica sem norte, os alunos sem conteúdos relevantes. Não temos liberdade de trabalhar assuntos tão importantes como regras de ortografia e gramática ou exercícios de fixação. Minha tristeza como educadora é ver que "o barco está afundando" e não poder reverter a situação.
Elaine Cristina Maitan
Professora
São Caetano do Sul, SP

 

Medidas populistas no Congresso

O pacote de bondades dos parlamentares não pode ser entendido como uma bomba no colo do presidente Lula, para testar sua autoridade e responsabilidade. Essa encrenca toda tem a ver com o ano eleitoral, mas fundamentalmente é uma conquista do seu governo, fruto das demagogias com as quais mostrou aos brasileiros um país que só existe nos palanques ("O risco do populismo eleitoral", 12 de maio).
Abel Pires Rodrigues
Rio de Janeiro, RJ

Em VEJA, lemos notícias das farras dos políticos com o nosso dinheiro, e no fim os aposentados é que quebram o país por quererem receber de acordo com o que contribuíram? Por quererem alguma qualidade de vida?
Flavia Mendes Saggioro
Juiz de Fora, MG

 

Indústria da demarcação de reservas indígenas

Ao ler a reportagem "A farra da antropologia oportunista" (5 de maio), eu me vi assaltado por um misto de tristeza e vergonha. O pior é que, militando como perito ou assistente técnico em questões como as apontadas na reportagem, sei que ela é verdadeira. Não a vi como uma ofensa à antropologia, que tanto admiro, porém como um choque ético, uma verdadeira chamada às nossas responsabilidades profissionais no trato com a realidade brasileira. VEJA revelou ter rabo preso com a nação. Garimpou a verdade, encoberta por conveniência, corrupção, má-fé e mau uso do poder por parte de funcionários irresponsáveis, que prestam um desserviço ao nosso país.
Hilário Rosa
Antropólogo
Bauru, SP

Parabéns pela coragem de mostrar a política do governo Lula de divisão dos brasileiros em raças. Muitos caboclos estão se declarando negros ou indígenas para não perder o direito à terra e ser expulsos sem direito a nada.
Helderli Fideliz Castro de Sá Leão Alves
Presidente do Nação Mestiça
Manaus, AM

No Brasil, alguns antropólogos fazem uso do discurso científico para legitimar demandas ambientalistas. Muitos deles são subservientes aos movimentos sociais, o que compromete sua capacidade de emitir pareceres nas demarcações de terras indígenas e quilombolas. Sou testemunha disso. Atuei em oito demarcações de terras indígenas, e em cinco delas sofri pressões da Funai e de ONGs para legitimar demandas em que era flagrante o exagero das pretensões territoriais. Como fiz relatórios contrários, a Funai desconsiderou meu parecer e buscou outro antropólogo para fazer o serviço.
Edward M. Luz
Antropólogo
Por e-mail

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