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Gays "Sou gay, minha família e amigos me aceitam bem, mas tenho inveja dos jovens A
reportagem "A geração tolerância" (12 de maio) chegará
a muitos que têm uma visão errada sobre os homossexuais
e também aos gays que ainda não se assumiram, por medo. Tenho 26
anos e há dois assumi minha homossexualidade diante dos meus pais e amigos.
Hoje namoro uma mulher maravilhosa. Não me arrependo de nada. Fingir não
ser gay para se enquadrar no que é "certo" não é
vida. Com 19 anos, acho que ter assumido
minha condição para a família e amigos só me trouxe
benefícios e me tornou uma pessoa mais aberta e sociável. É
maravilhoso perceber que a sociedade mudou suas linhas de pensamento. Meu namorado
tem 35 anos. Exatamente como a reportagem expôs, a geração
dele sente que deve lutar por seus direitos e refugiar-se junto de seus semelhantes.
Eu, no entanto, não vejo motivo para "lutar" por algo tão
natural e aceito, e muito menos para viver em guetos.
Os
jovens devem acreditar não nas "lições" que lhes
são impostas, mas sim na verdade que os move. Tenho sobre minha mesa de
trabalho a foto de meu parceiro há quinze anos eu o conheci jovem
(ele tinha 18 anos e eu, 36). Foi ele quem me mostrou que, juntos, poderíamos
conquistar o respeito de nossa família. Eu me arrependo apenas de só
aos 36 anos ter deixado de recorrer a disfarces para ser aceito. Aos
19 anos revelei a minha mãe ser gay. Desde então (há oito
anos), não temos um bom relacionamento. Ela insiste em me tratar como um
inimigo. Espero que essa reportagem a ajude a ver que busco ser feliz sendo eu
mesmo. Gostaria que ela pudesse conhecer e aceitar meu companheiro de três
anos, da mesma maneira como a família dele me ama e me aceita. Amo minha
mãe, e gostaria que o amor dela pudesse superar o preconceito. Meu pai
me acolheu desde o início e, assim como minha avó e outros familiares,
foi importante para que eu aguentasse os anos difíceis. Hoje sou independente,
moro com meu companheiro e só lamento não poder dividir minha vida
com minha mãe. Quando meu filho assumiu
ser gay, aos 16 anos dez anos atrás , fui criticada por aceitar
de maneira pacífica a "opção sexual" dele. Alguns
disseram que eu deveria lutar. Mas lutar com quem, e para quê? Se ele se
assumiu gay em um país machista e preconceituoso, como era o Brasil daqueles
dias, tratava-se de algo sério e bem mais forte do que ele. Não
me arrependo de ter apoiado meu filho nesse momento da vida dele. Odiaria vê-lo
casado com uma moça apenas para salvar as aparências, condenado a
uma vida dupla e infeliz. Hoje ele é bem resolvido e pronto para a vida.
O preconceito é fruto da ignorância. Aqui no Canadá essa praga
já foi combatida. Fico orgulhosa e aliviada por essa nova geração
no Brasil poder usufruir o respeito que merece. Sou mãe de uma
garota de 23 anos lésbica. Oxalá um dia as cores tão suaves
e plácidas da reportagem de VEJA se tornem reais, pois se, por um lado,
hoje os jovens têm maior liberdade para revelar sua homossexualidade, por
outro, o mundo cor-de-rosa apresentado está bem distante da sociedade brasileira.
Lya Luft A escritora
Lya Luft nos presenteia com um artigo memorável ("A canção
de qualquer mãe", 12 de maio), que é a síntese do
sentimento maior: o amor incondicional de uma mãe. Parabéns pela
sensibilidade e obrigada pelo presente. Tenho quatro filhos. O pai
viaja muito e não pude encontrá-lo antes do Dia das Mães,
para pelo menos almoçar com meus tesouros. Logo pela manhã fui ao
concerto com Rebecca, de 16 anos, e Julia, de 6, assistir à nossa
filha de 17 anos tocar na Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem. Meu filho
Joshua, de 12 anos, preparou o churrasco enquanto estávamos fora. Rebecca
havia feito a torta de limão. No almoço, disse aos meus
quatro filhos que eles me dão muito mais do que esperei, mereci ou imaginei
ter. Logo mais tarde, lendo o texto de Lya Luft, fiquei tão tocada
que me derramei em lágrimas. Ela expõe justamente como nós,
mães dedicadas à família, nos sentimos: as pessoas mais felizes
do mundo, por termos a companhia e o amor de nossos filhos. Obrigada, Lya. O
texto de Lya Luft vem acalentar o coração de mães
cujos filhos já se foram para ser felizes e realizar seus sonhos. A nós,
mães, cabe estar sempre presentes, mesmo que a distância, à espera
de encontros cheios de beijos e afagos. Senti
o coração de Lya Luft falando. O texto me "pegou"
nas duas situações: a de mãe e a de filha de uma senhora
de 90 anos. Muito lindo. O texto de Lya é
de uma delicadeza e poesia indescritíveis. Li para meus três filhos
(duas meninas e um menino de 15, 14 e 11 anos) e chorei durante toda a
leitura, acompanhada pelos três, igualmente emocionados. Disse a eles que
era meu presente de Dia das Mães, fazendo minhas as palavras dessa mulher
maravilhosa chamada Lya Luft.
Mara Gabrilli A
entrevista com a vereadora paulistana Mara Gabrilli (Amarelas, 12 de maio) nos
mostra como ter autoestima e dignidade. É uma lição de vida
a ser seguida. Mara Gabrilli, ler
sua entrevista a VEJA foi como ouvir uma prece. Encheu meu coração
de alegria e de esperança. Você é uma mulher admirável.
Parabéns. Sou espírita e, embora não
saiba qual a religião de Mara, ela pode estar certa de que milhões
de pessoas de todas as religiões estarão orando por ela. Siga com
essa vontade de viver, que serve de exemplo a todos nós. Mara
é uma pessoa sensível não só à causa dos lesionados
medulares, como à das demais deficiências. Já participei de
alguns eventos nacionais em que ela esteve presente, sempre dinâmica e incansável
na luta contra o preconceito e na busca por melhorias na qualidade de vida
dos portadores de necessidades especiais. Além de linda e inteligente,
está sempre com um sorriso largo no rosto, confortando a todos que a procuram.
Luto diariamente na minha cidade para facilitar o acesso de crianças com
a mesma doença do meu filho de 8 anos. Gostaria muito que outras "Maras"
existissem. Só assim mudaríamos essa realidade do preconceito e
da falta de tratamentos na vida de grande parte dos deficientes físicos
brasileiros. Mara, o Brasil agradece o seu esforço.
As jovens e a menstruação Quando eu menstruava,
sofria muito com cólicas, que só medicamentos aliviavam, enxaquecas
que me levavam ao pronto-socorro e fluxo abundante que me deixava
anêmica. É vida? Durante muito tempo, emendei cartelas e cartelas
da pílula mais forte que havia, pois era a única que impedia minha
menstruação. Que bom que a medicina de hoje está avançando
nesse assunto e começa a dar às mulheres a opção de
não menstruar sem prejuízo à sua saúde ("Nem
as jovens querem mais", 12 de maio).
Morei por mais de um ano com
as consagradas em diferentes países e posso afirmar que são mulheres
que estudam e agem livremente por amor a Deus, num louvável trabalho apostólico
com jovens e crianças. Que os atos vergonhosos do religioso Marcial Maciel
não maculem as atitudes de pessoas que agem honestamente, buscando o bem
do próximo ("Legionários do anticristo", 12 de maio). Afinal,
o que pretende dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre? Afastar ainda mais
os fiéis da combalida Igreja Católica com afirmações
estapafúrdias e desprovidas de bom senso? É de arrepiar que boquirrotos
assim possam fazer parte dos altos escalões de tal instituição.
Como dizia meu avô: "Eu morro e não vejo tudo!".
A crise grega e o euro Excelente a reportagem "O dia em
que o euro tremeu" (12 de maio), mostrando que os gregos estão revoltados
com as consequências do arrocho que sofrerão para viabilizar o pagamento
dos juros do socorro de 110 bilhões de euros. Cerca de 100 000 pessoas
protestando nas ruas, demonstrando sua insatisfação com as perdas
que o governo quer impor. Contrariamente, nós, brasileiros, sofremos calados
e individualmente o peso de uma carga tributária de quase 40% e de uma
dívida pública interna gigantesca. Vale lembrar que, em 2009, o
Brasil investiu apenas 4% do Orçamento em saúde e 2% em educação.
Tudo isso sem uma única voz se levantar. E, pior, não sei como o
atual governo tem tal aceitação.
Construtivismo na educação Tenho
uma filha que estudou em escola tradicionalista e um filho estudando em escola
construtivista. A diferença entre os sistemas de ensino é gritante.
Que essa reportagem ("Salto no escuro", 12 de maio) sirva como discussão
para que não cheguemos à conclusão de que uma geração
de alunos foi prejudicada. Eu e outras colegas somos tachadas
de tradicionais e resistentes ao construtivismo, mas a realidade é que
vivemos no dia a dia tudo o que informou a reportagem. O professor fica sem
norte, os alunos sem conteúdos relevantes. Não temos liberdade de
trabalhar assuntos tão importantes como regras de ortografia e gramática
ou exercícios de fixação. Minha tristeza como educadora é
ver que "o barco está afundando" e não poder reverter
a situação.
Medidas populistas no Congresso O
pacote de bondades dos parlamentares não pode ser entendido como uma bomba
no colo do presidente Lula, para testar sua autoridade e responsabilidade. Essa
encrenca toda tem a ver com o ano eleitoral, mas fundamentalmente é uma
conquista do seu governo, fruto das demagogias com as quais mostrou aos brasileiros
um país que só existe nos palanques ("O risco do populismo
eleitoral", 12 de maio). Em VEJA, lemos notícias
das farras dos políticos com o nosso dinheiro, e no fim os aposentados
é que quebram o país por quererem receber de acordo com o que contribuíram?
Por quererem alguma qualidade de vida?
Indústria da demarcação de reservas indígenas Ao ler a reportagem "A
farra da antropologia oportunista" (5 de maio), eu me vi assaltado por um
misto de tristeza e vergonha. O pior é que, militando como perito ou assistente
técnico em questões como as apontadas na reportagem, sei que ela
é verdadeira. Não a vi como uma ofensa à antropologia,
que tanto admiro, porém como um choque ético, uma verdadeira chamada
às nossas responsabilidades profissionais no trato com a realidade brasileira.
VEJA revelou ter rabo preso com a nação. Garimpou a verdade, encoberta
por conveniência, corrupção, má-fé e mau uso
do poder por parte de funcionários irresponsáveis, que prestam um
desserviço ao nosso país. Parabéns pela coragem de
mostrar a política do governo Lula de divisão dos brasileiros em
raças. Muitos caboclos estão se declarando negros ou indígenas
para não perder o direito à terra e ser expulsos sem direito a nada. No
Brasil, alguns antropólogos fazem uso do discurso científico para
legitimar demandas ambientalistas. Muitos deles são subservientes aos movimentos
sociais, o que compromete sua capacidade de emitir pareceres nas demarcações
de terras indígenas e quilombolas. Sou testemunha disso. Atuei em oito
demarcações de terras indígenas, e em cinco delas sofri pressões
da Funai e de ONGs para legitimar demandas em que era flagrante o exagero das
pretensões territoriais. Como fiz relatórios contrários,
a Funai desconsiderou meu parecer e buscou outro antropólogo para fazer
o serviço. |