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Ela voltou para ficar
Imelda
Marcos, que entrou para a história por causa
dos sapatos, bate o pé e elege a família toda

Vilma Gryzinski
Romeo
Ranoco/Reuters
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Antes
de arregaçar as mangas bufantes, no típico estilo filipino, e cair
na campanha eleitoral, Imelda Marcos deu um beijinho no marido. Mesmo que tenha
sido através do vidro do caixão refrigerado onde ele repousa, maquiado
e embalsamado, funcionou. O clã Marcos comemorou uma tríplice
vitória, ao som de um conjunto com dançarinas de microvestidos e
botas brancas como será que se diz chacretes em tagalo? O filho
de Imelda, Ferdinand Marcos Jr., mais conhecido como Bongbong, foi eleito senador;
a filha, governadora provincial; e a própria Imelda, mais uma vez, depois
de quase uma década de recolhimento, deputada. Pelo lado negativo, o clã
rival, que comandou a queda do regime Marcos no cada vez mais esquecido ano de
1986, elegeu presidente outro júnior, Benigno Aquino, o Noynoy sim,
os apelidos são quase uma obrigação nas Filipinas. "Não
só não vou roubar como irei atrás de quem roubou", prometeu
Noynoy. Todos entenderam o recado, mas poucos acreditaram que tenha algum sucesso.
Quando fugiu do país com o marido, Imelda deixou para trás
três fabulosos conjuntos de joias, quinze casacos de visom, 508 vestidos,
1 000 bolsas e, famosamente, 1 060 pares de sapato (não 3 000,
como os inimigos espalharam). E encontrou pela frente centenas de processos
por corrupção. Incrivelmente, escapou de todos. Aos 80 anos, fez
uma campanha puxada, durante a qual prometeu: "Meu objetivo agora é
salvar a Mãe Terra para toda a humanidade". Como será que se
diz cara de pau em tagalo?
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