Diogo Mainardi
O Chamberlain
de Macaé
"Um novo presidente será eleito daqui
a cinco meses.
Só ele poderá decidir sobre assuntos estratégicos.
Em vez de atuar como um quinta-colunista
da bomba
nuclear iraniana, Lula deveria
pensar
apenas em esvaziar as gavetas de seu gabinete"
Lula foi ao baile funk de Mahmoud Ahmadinejad
assim como Vagner Love foi à Rocinha. Vagner Love confraternizou com os
assassinos do Comando Vermelho? Lula está confraternizando com os assassinos
da Guarda Revolucionária iraniana. Vagner Love faz trabalho humanitário
no morro? Lula, segundo Dilma Rousseff, faz trabalho humanitário no Golfo
Pérsico. Vagner Love foi festejar os dois gols que marcou contra o Macaé?
Lula está festejando os dois gols que marcou contra o Brasil.
O
Brasil é uma espécie de Macaé do mundo. Isso é uma
sorte. Se o Brasil fosse a Inglaterra, Lula já estaria consagrado como
o nosso Chamberlain. Sempre que alguém quer guerrear, surge algum pateta
tentando ser intermediário da paz. Em 1938, o primeiro-ministro da Inglaterra,
Chamberlain, viajou para a Alemanha para negociar olho no olho com Hitler. Depois
de alguns encontros, eles assinaram um tratado de paz, pelo qual Hitler se comprometia
a ocupar apenas uma parte do território da Checoslováquia. Chamberlain
voltou à Inglaterra comemorando a paz. Seis meses mais tarde, Hitler atropelou
Chamberlain e ocupou o resto da Checoslováquia. Em seguida, ocupou a Europa
inteira.
Se Lula é o Chamberlain de Macaé, Mahmoud
Ahmadinejad só pode ser o Hitler de Macaé. Como Hitler, ele mata
seus opositores. Como Hitler, ele persegue as minorias. Como Hitler, ele tem um
plano para eliminar todos os judeus. Só lhe falta o poder de fogo, porque
um Macaé, felizmente, é sempre um Macaé. O papel de Lula
é esse: dar-lhe algum tempo para que ele possa obter uma arma nuclear.
Na semana passada, um articulista do Washington Post chamou Lula de "idiota
útil" de Mahmoud Ahmadinejad. O articulista está certo. Mas
há outros "idiotas úteis", além de Lula. O G15,
reunido neste domingo no baile funk iraniano, conta também com a Venezuela,
de Hugo Chávez, com o Zimbábue, de Robert Mugabe, e com a Indonésia,
de Susilo Bambang Yudhoyono, eleito pela Time, em 2009, uma das 100 personalidades
mais influentes do mundo. Time é uma espécie de VEJA de Macaé.
O
apoio ao programa nuclear iraniano é o maior erro que o Brasil já
cometeu na área internacional. Só a vaidade de Lula ganha com isso.
Ao desafiar os Estados Unidos e a Europa, tornando-se cúmplice de Mahmoud
Ahmadinejad, ele pode sentir-se um tantinho maior do que realmente é. Trata-se
da síndrome de Macaé. Mas alguém tem de dizer a Lula que
seu tempo já se esgotou. Ele representa o passado. A esta altura, sua autoridade
é meramente protocolar. Um novo presidente será eleito daqui a cinco
meses. Só ele poderá decidir sobre assuntos estratégicos.
Em vez de atuar como um quinta-colunista da bomba nuclear iraniana, Lula deveria
pensar apenas em esvaziar as gavetas de seu gabinete. Acabou, Lula. Chega. Fim.
Xô.
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