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VEJA
Recomenda
CINEMA
Divulgação
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| De
Corpo e Alma: a visão de Robert Altman sobre o mundo
da dança |
De Corpo e Alma (The Company, Estados Unidos/Alemanha, 2003.
Estréia nesta sexta-feira) Neve Campbell, a atriz
da série de terror Pânico, foi quem procurou
o diretor Robert Altman com esta história de um ano na vida
do Joffrey Ballet, de Chicago e ouviu um categórico
"não". Segundo explicou o diretor, ele não tem o mínimo
interesse pelo mundo da dança. Se Altman voltou atrás
na negativa e resolveu orquestrar essa narrativa solta, contada
por múltiplos pontos de vista sua marca registrada
, é porque ela contém, sim, muito que o interessa.
Por exemplo, a hierarquia implícita que governa a rotina
da companhia, a forma astuciosamente política como seu diretor
artístico (Malcolm McDowell, num de seus melhores papéis
dos últimos tempos) a conduz e, acima de tudo, o contraste
entre a perfeição e a ilusão de leveza que
se produz no palco e o trabalho quase operário que se desenrola
nos bastidores. Neve (que foi bailarina) é Ry, uma integrante
menos graduada da trupe que ganha a chance de um papel importante
numa montagem que está em preparação. Como
sempre, Altman está falando mesmo é de cinema: tantos
sacrifícios se fazem pelo novo espetáculo, e ele resulta
medonho. O público, porém, adora. Trailer.
LIVROS
A
Fragrância da Enseada, de John Lanchester (tradução
de Therezinha Monteiro Deutsch; Best Seller; 400 páginas;
39,90 reais) Editor, escritor e crítico gastronômico,
o celebrado autor de Gula volta à cidade onde passou
sua juventude, Hong Kong. O título original deste livro,
Fragrant Harbour (algo como "porto cheiroso"), é uma
tradução literal das palavras chinesas "Hong Kong"
para o inglês. A história começa em 1935, quando
um jovem aventureiro inglês a caminho da China conhece, no
navio, uma freira chinesa que o ensina a falar cantonês. Os
dois personagens são o centro de uma narrativa que atravessa
três gerações. A ficção de Lanchester
revela os meandros mais obscuros de Hong Kong durante o boom econômico
do pós-guerra.
O
Estranho Caso do Cachorro Morto, de Mark Haddon (tradução
de Luiz Antonio Aguiar e Marisa Reis Sobral; Record; 288 páginas;
34,90 reais) O autor inglês já escreveu quinze
livros para crianças, mas esta é sua primeira obra
traduzida no Brasil. Originalmente destinado ao público juvenil,
o livro também fez sucesso entre os adultos. Conta, com muito
humor, a singela história de Cristopher, um rapaz autista
de 15 anos. Obcecado por padrões matemáticos e avesso
a todo contato humano, Cristopher é acusado pela morte do
cachorro de uma vizinha e decide investigar o caso para se
inocentar. O detalhe mais interessante e ousado do livro é
que o narrador da história é o próprio Cristopher.
Haddon foi elogiado pelo neurologista Oliver Sacks, autor de Tempo
de Despertar, por seu retrato plausível de uma mente
autista.
Cantiga
de Ninar, de Chuck Palahniuk (tradução de
Paulo Reis; Rocco; 278 páginas; 36,50 reais) Depois
de ter seu livro Clube da Luta adaptado para o cinema, o
ex-mecânico Chuck Palahniuk se tornou a nova estrela pop da
literatura americana. O novo livro é ainda mais desvairado
do que o vagamente subversivo Clube da Luta. A história
é narrada por um jornalista que descobre uma cantiga de ninar
africana capaz de matar. Ao memorizá-la, Carl torna-se um
assassino serial involuntário. E decide partir em um tour
pelos Estados Unidos, para destruir todas as cópias do livro
que traz a canção letal. Na viagem, é acompanhado
por uma corretora imobiliária especializada em casas mal-assombradas.
E isso é só parte da história, na qual também
participam um terrorista e um necrófilo.
DISCOS
Divulgação
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| Os
White: mais que reciclagem pop |
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The
American Adventure, The Electric Soft Parade (BMG)
O álbum do grupo liderado pelos ingleses Alex White e Tim
White que têm ambos 19 anos pertence à
categoria dos trabalhos que crescem a cada nova audição.
A princípio, o Electric Soft Parade soa como uma banda empenhada
tão-somente em reciclar idéias de ícones do
pop britânico como o Oasis. Mas eles vão além
disso. The American Adventure (o título foi tirado
de uma viagem da dupla a um parque temático europeu) tem
arranjos extremamente inventivos, repletos de violoncelos, violinos
e teclados Hammond. Bruxellisation
e a faixa-título são os principais destaques.
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| A
caixa de Clara: uma
cantora singular |
Clara,
Clara Nunes (EMI) Uma das principais intérpretes da
música popular brasileira em todos os tempos, a mineira Clara
Nunes (1943-1983) tem sua discografia completa relançada
numa caixa especial. São oito CDs duplos e um CD simples
contendo músicas inéditas (entre elas uma versão
arrepiante de Insensatez, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes).
Clara teve uma carreira singular. Começou como intérprete
de cançonetas românticas, mas a partir de seu quarto
álbum, lançado em 1971, ampliou seu repertório
para sambas e outros gêneros de tradição afro-brasileira.
Um dos incentivadores da mudança foi o cantor Jair Rodrigues,
que não se conformava em vê-la derramar sua voz num
repertório menor. As versões dela para músicas
de Nelson Cavaquinho (Juízo Final), Candeia (O
Mar Serenou) e Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho (Alvorecer)
são irretocáveis.
DVD
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| Juliette
e Reno: realismo à francesa |
Fuso Horário do Amor (Décalage Horaire, França/Inglaterra,
2003. Europa) Num saguão lotado de aeroporto, Juliette
Binoche, vestida e maquiada com exagero, vai fazer um café
na máquina à disposição dos passageiros.
Sem jeito, ela trai o medo dos botões, não sabe onde
pôr a xícara, hesita sobre pegar ou não um bolinho.
Sem dizer palavra, a atriz expõe a patética fragilidade
e, não obstante, a determinação de sua personagem,
Rose que, em fuga de um mau relacionamento, passa uma noite
com Félix (Jean Reno), que está viajando para reatar
um mau casamento. É um filme de fórmula: homem e mulher
percebem que a soma de suas infelicidades resulta não em
desgraça em dobro, mas em alegria. O que o torna atraente
é um certo realismo à francesa, a simpatia de Reno
e a atuação soberba de Juliette.
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