Edição 1853 . 12 de maio de 2004

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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

AVIAÇÃO

Frota zero
A Boeing fechou com a Gol um dos maiores contratos de fornecimento de aviões já feitos na América Latina. O negócio será anunciado nos próximos dias.

 

GOVERNO

O ex-paz e amor 1
O caso Larry Rother não acontece à toa. Quem rodeia Lula percebe que o presidente está cada vez menos paciente no dia-a-dia.  

O ex-paz e amor 2
A propósito, quem no círculo mais próximo a Lula ousasse discordar da decisão de expulsar o jornalista americano era visto como uma espécie de traidor.

Depois da lua-de-mel
Aos mais próximos, José Sarney não esconde seu desencanto e desânimo com o governo Lula.

Assim como Médici
Na semana que passou, o governo Lula atualizou, a seu modo, o slogan-símbolo dos tempos de Médici – "Brasil: ame-o ou deixe-o". No atual governo fica assim: "Lula: ame-me ou deixe-nos".

Cinco longas horas
Na semana passada, Lula deu um puxão de orelha em seus ministros por não comparecerem mais às reuniões do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). São catorze os que participam formalmente do Consea. Ninguém vai dizer isso ao presidente, mas pelo menos dois ministros importantes acham que aquelas reuniões são arrastadas e não têm conseqüências práticas. Nem seus chefes de gabinete querem ir aos encontros, que costumam durar cinco longas horas.

O Fome Zero mundial
James Morris, chefe do Programa Alimentar Mundial, agência da ONU de combate à fome, se encontra na terça-feira com Lula. Ele quer conhecer a proposta do presidente para o setor. Depois de lançar a idéia com Jacques Chirac e Kofi Annan e ganhar repercussão internacional, chegou a hora de Lula dizer como efetivamente gostaria de colocar em prática o plano – se é que tem algum.

 

Os números às vésperas da trapalhada

Sérgio Dutti/AE
Lula: programas de TV ajudaram


Veja a embrulhada em que Lula se meteu. Na manhã de sexta-feira, ele recebeu uma pesquisa nacional do Ibope, encomendada pelo governo, que mostrava uma melhora na avaliação do governo. A pesquisa foi feita entre o dia 6 e a segunda-feira passada – antes, portanto, da trapalhada da expulsão do jornalista americano. Segundo a pesquisa, 34% avaliaram o governo como "ótimo" ou "bom", contra 27% que disseram o mesmo numa pesquisa realizada no fim de abril. Os programas de TV do partido é que teriam feito o porcentual melhorar. Resta agora saber se esses números viraram coisa do passado...


CONGRESSO

País parado
Um rápido exemplo de como andam as coisas no Congresso: na semana passada, somente duas medidas provisórias foram votadas no plenário do Senado. Nada mais foi a votação. As comissões estão andando a passos de tartaruga. Enquanto isso, a fila de espera de projetos de lei a ser votados cresce – o de biossegurança, o de falências, o das parcerias público-privadas (PPP). No segundo semestre, com as eleições fervendo, as coisas tendem a piorar.

 

ECONOMIA

Jesus chega à Índia
A Coca-Cola deve exportar o guaraná Jesus para a Índia a partir do fim do ano. O Jesus é fabricado pela Coca brasileira e vendido apenas no Maranhão, onde é o segundo refrigerante mais consumido – só perde para a própria Coca-Cola. Foram feitos alguns testes na Índia e o esquisito guaraná cor-de-rosa caiu bem no paladar local.  

Estado de ânimo
Um ex-presidente do Banco Central constatava na semana passada, desanimado, que o humor do mercado financeiro internacional com o Brasil mudou. Já tem muita gente graúda nos olhando com cautela. Otimista, ele adverte que não é nada que não possa ser revertido.  

Vendas esfriam, Kibon demite
A Kibon está demitindo 150 empregados – algo como 10% de seu quadro de funcionários. Quase todos em São Paulo, contribuindo para engrossar o contingente de mais de 2 milhões de desempregados.  

Sempre os mesmos
Da série "nem tudo vai mal": pelo menos na siderurgia há sinais de vida – embora basicamente nos setores que têm caminhado de vento em popa na economia brasileira. No primeiro trimestre, a Usiminas, cujo foco é o mercado interno, viu suas vendas para a indústria automobilística crescerem 23% na comparação com o mesmo período de 2003. A companhia também ampliou suas vendas para máquinas agrícolas e rodoviárias (31%) e setores industriais ligados às exportações (17%).

 

CRIMINALIDADE

Sem seguros nem segurança
A que ponto chegamos: as seguradoras brasileiras praticamente não aceitam mais fazer seguros para o transporte de pneus, medicamentos, celulares e cigarros. O motivo é a escalada de roubos e assaltos nas estradas brasileiras.

 

GENTE

Niemeyer e Odebrecht
Norberto Odebrecht, 83 anos, esteve no escritório de Oscar Niemeyer, 96 anos, na semana passada. O dono da Odebrecht encomendou ao gênio da arquitetura um projeto para um parque ecológico na Bahia. Aproveitou para convidar Niemeyer para conhecer o local. Avisou que botaria um jatinho à disposição do arquiteto, famoso pelo pavor que sente de viagens aéreas. A um interlocutor que perguntou se iria, respondeu: "Acho que vou ter de entrar no avião. Na minha idade tenho de parar com essa besteira. Afinal, tudo que poderia ter acontecido comigo já aconteceu".

 

LUXO

O mundo maravilhoso dos ricos
O banqueiro Edemar Cid Ferreira tem pressa. Para terminar mais rápido as obras de sua nova mansão no bairro do Morumbi, Edemar está empregando 150 operários nas obras – esse exército trabalha inclusive nos fins de semana. A casa será a maior de São Paulo, com 5.000 metros quadrados de área construída.

 

Nos céus e movido a álcool

 
Divulgação
Ipanema: pró-álcool no ar

O Ipanema, o primeiro avião brasileiro movido a álcool, está prestes a ganhar os céus. O projeto vem sendo desenvolvido há dois anos pela Neiva, subsidiária da Embraer e a maior fabricante nacional de aviões agrícolas. A Neiva já vendeu seis Ipanema a álcool, ao preço de 247 000 dólares cada um. Todos estarão prontos para voar em março de 2005. Além disso, 69 donos de aviões agrícolas a gasolina já fecharam contrato para converter os motores. A principal vantagem do avião a álcool está na relação custo-benefício. O gasto com álcool combustível é de no máximo 100 reais a cada hora de vôo – 160 reais a menos que com gasolina de aviação.

 

Colaboraram José Eduardo Barella e José Edward

 

 

Raul Junior

 

 
 
 
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