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Diogo
Mainardi
Jornalistas são brasileiros
"Nas últimas semanas,
a imprensa tem se
dedicado a analisar a frouxidão moral
dos
brasileiros. Está certo. Isso ninguém
discute.
Mas a imprensa certamente não é muito
melhor"
Franklin Martins é o principal
comentarista político da Rede Globo. Um de seus irmãos,
Victor Martins, foi nomeado para uma diretoria da Agência
Nacional do Petróleo. Os senadores que aprovaram seu nome
levaram em conta o parentesco ilustre. Luiz Otávio, do PMDB,
comentou: "Os 42 votos favoráveis a Victor Martins são
uma homenagem nossa ao jornalista Franklin Martins". Heráclito
Fortes, do PFL, concordou: "Ele acrescenta à sua biografia
o fato de ser irmão de um grande jornalista". Aloízio
Mercadante, do PT, arrematou: "Victor Martins é um profissional
competente e vem de uma família marcada pelo processo de
resistência democrática". Lula entregou a Agência
Nacional do Petróleo ao PCdoB. Victor Martins não
obteve o cargo através do partido. Ele foi indicado diretamente
na cota de seu irmão, Franklin Martins. Ivanisa Teitelroit,
mulher de Franklin Martins, também já mereceu sua
parcela de cargos públicos. Deve ser a isso que Aloízio
Mercadante se refere quando fala em "resistência democrática".
Nas últimas semanas, a imprensa
tem se dedicado a analisar a frouxidão moral dos brasileiros.
Está certo. Os brasileiros são moralmente frouxos
mesmo. Isso ninguém discute. Mas a imprensa certamente não
é muito melhor. Franklin Martins não representa o
único caso de promiscuidade entre jornalistas e poder político.
Pelo contrário. Há exemplos semelhantes em todas as
partes. Recentemente, Helena Chagas, chefe da sucursal de O Globo
em Brasília, foi flagrada tramando com Antonio Palocci um
esquema para desmascarar o caseiro Francenildo Costa. O marido de
Helena Chagas, Bernardo Felipe Estellita, é servidor concursado
da Câmara dos Deputados e intimamente ligado ao PT. Nos dias
que antecederam a quebra do sigilo do caseiro, ele foi visto circulando
pelo Ministério da Fazenda. Por outro lado, a irmã
de Helena Chagas, Cláudia Chagas, foi indicada por Márcio
Thomaz Bastos para o cargo de secretária Nacional de Justiça.
Uma de suas responsabilidades é rastrear o dinheiro do valerioduto
remetido ilegalmente para o exterior. Inclusive o que abasteceu
a campanha de Lula.
Não é só no PT
que isso acontece. Eliane Cantanhêde, chefe da sucursal de
Brasília da Folha de S.Paulo, é mulher de Gilnei
Rampazzo, um dos donos da GW, a produtora que cuidou das últimas
campanhas eleitorais de Geraldo Alckmin e de José Serra.
Gilnei Rampazzo é sócio de Luiz Gonzales, o marqueteiro
escolhido pelo PSDB para coordenar a campanha presidencial de Geraldo
Alckmin. Ele foi acusado pela Folha de S.Paulo de participar
de um esquema de desvio de recursos da Nossa Caixa. Deve estar a
maior confusão na casa de Eliane Cantanhêde. Lula Costa
Pinto é outro jornalista confuso. Ex-jornalista. Ele é
genro do ex-deputado Paes de Andrade e concunhado de Eunício
Oliveira, ex-ministro das Comunicações. Lula Costa
Pinto também se beneficiou de desvio de dinheiro público
quando era assessor do deputado petista João Paulo Cunha.
Os brasileiros são moralmente
frouxos. Os jornalistas são brasileiros. |