Edição 1 645 -19/4/2000

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FILMES

Meu Nome É Joe (My Name Is Joe, Inglaterra, 1998. Estréia nesta sexta-feira no Rio de Janeiro) – Os regimes de esquerda vão sumindo do mapa, mas o diretor inglês Ken Loach continua o mais renhido dos socialistas. O que, no seu caso, está bem longe de significar chato ou panfletário. Loach é um apaixonado por política e cinema, mas acima de tudo ama seus personagens. Por isso seus filmes não tratam de "idéias" ou "movimentos", e sim de gente colhida por circunstâncias. É o caso, por exemplo, de Terra e Liberdade, que retratava a Guerra Civil Espanhola por um prisma incomum: as miudezas que compunham o dia-a-dia de um bando de despreparados voluntários. Em Meu Nome É Joe, ele inova mais uma vez. O cenário são os subúrbios cinzentos de Glasgow, na Escócia, onde os personagens têm de lutar contra pobreza, drogas e agiotas, entre outras mazelas. Mas o filme é um romance, e dos mais inspirados. Em foco estão Joe (Peter Mullan, premiado em Cannes pelo papel), um ex-alcoólatra, e a assistente social Sarah (Louise Goodall). Poucos cineastas podem gabar-se de extrair tal sinceridade de seus atores, como ele faz na cena em que o casal põe as cartas na mesa pela primeira vez. De quebra, Loach tem humor: a seqüência em que o time de várzea treinado por Joe veste uniformes da seleção brasileira de 1970 vale boas risadas.

 

Bob Marshak
Julia Roberts: cachê de 20 milhões


Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento
(Erin Brockovich, Estados Unidos, 2000. Estréia nesta sexta-feira no país) — Julia Roberts, como se sabe, ganhou 20 milhões de dólares por este papel. A novidade é que ela alcança um desempenho original e vibrante, principalmente na primeira hora do filme. Ela vive uma mãe solteira que arruma emprego com um advogado. Quando descobre que toda uma cidade pode estar sendo envenenada pela rede pública de água, arregaça as mangas e arma um processo milionário. Inspirada em fatos verídicos, a trama é dirigida por Steven Soderbergh, de sexo, mentiras e videotape. Em tempo: os figurinos de Julia, minúsculos, vêm dando o que falar.

 

LIVROS

Michaelis Moderno Dicionário Inglês-Português/Português-Inglês (Editora Melhoramentos; 1.760 páginas; 125 reais) — Uma equipe de cinqüenta profissionais pesquisou oito anos para concluir este dicionário. Com 167.000 verbetes, ele é o mais completo de seu gênero no mercado e incorpora diversos termos de origem recente, de áreas como informática, economia, marketing e biologia. Uma ferramenta útil para quem precisa se haver com o inglês hoje em dia — ou seja, todo mundo.

 

As Festas no Brasil Colonial, de José Ramos Tinhorão (Editora 34; 173 páginas; 19,50 reais) — Nos tempos em que era um crítico musical temido, José Ramos Tinhorão era considerado uma fera. Agora, como historiador, também é — mas em outro sentido. Ninguém jamais reuniu tanto material documental sobre as festas populares brasileiras como ele nesta obra. Tinhorão arrola cartas de jesuítas, quadros de Frans Post, versos de Gregório de Matos e até a carta de Pero Vaz de Caminha para ilustrar uma narrativa de quatro séculos costurada em prosa envolvente.

 

DISCO

Big Hits & Remixes, Earth Wind and Fire (Sony Music) — Criado há trinta anos pelos irmãos Maurice e Verdine White, o grupo negro de Chicago criou um dos repertórios mais sacolejantes da década de 70 — o que não é pouco. Relançá-los num disco de remixes — versões retrabalhadas para fazer a música soar moderninha — pode parecer um truque para aumentar as vendas. Não é o caso. Coordenado pelos remanescentes do Earth, Wind and Fire, este CD é diversão dançante garantida. Se você duvida disso, experimente colocar hits como Let's Groove numa festinha desanimada. Ninguém resiste.

 

TELEVISÃO

Divulgação

Carvoeiros: realidade nua e crua


Os Carvoeiros
(Quinta às 22h30, no GNT) — Documentário é, em geral, sinônimo de chatice. Só escapa disso quando há ousadia narrativa ou o tema é instigante. Produção nacional dirigida por um americano, Os Carvoeiros pertence à segunda categoria. Com imagens impactantes, mostra o cotidiano de adultos e crianças paupérrimos, que vivem sufocados pela fumaça dos fornos de carvão na região Centro-Oeste. Uma injeção de realidade na veia.

 
OS MAIS VENDIDOS - Crítica

Como uma enchente do Nilo, a série de romances Ramsés inundou as livrarias nos últimos dois anos. Foram cinco livros, escritos pelo francês Christian Jacq, relatando as aventuras do mais conhecido e poderoso de todos os faraós. Especialista em história do Egito, Jacq caprichou na descrição da vida nas antigas cortes, mas também acrescentou boas doses de aventura e sobrenatural aos seus enredos, fazendo com que Ramsés tivesse as características de um super-herói. O público adorou. Quando parecia, no entanto, que o fenômeno estava esgotado e que as "águas" daqui para a frente só poderiam baixar, uma surpresa. O autor inaugura uma nova coleção, A Pedra da Luz, desta vez com quatro romances. O primeiro já chegou à lista de best-sellers de VEJA: Nefer, o Silencioso (tradução de Maria Alice de Sampaio Doria; Bertrand Brasil; 462 páginas; 38 reais).

 

A história é ambientada no final do reinado de Ramsés. Os heróis são os habitantes de uma vila de artesãos, que têm duas tarefas primordiais: preparar os túmulos dos faraós e preservar os segredos da Pedra da Luz, uma jóia que transforma pó em ouro e matéria em luz. Um nobre ambicioso, entretanto, deseja a pedra para si, como meio de ascender ao trono. Cabe ao jovem Nefer desbaratar a conspiração. Como se vê, a fórmula é rigorosamente a mesma do trabalho anterior de Jacq: um pouco de história antiga, muita ação e muita fantasia. E não é preciso ter um cérebro capaz de decifrar hieróglifos para entender o porquê, basta um pouco de sabedoria popular. Ou seja, em time que está ganhando não se mexe.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Sodiler; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina; Brasília: Sodiler; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler; Natal: Sodiler; Curitiba: Livraria Curitiba; Belo Horizonte: Leitura.