FILMES
Meu Nome É Joe (My
Name Is Joe, Inglaterra, 1998. Estréia nesta
sexta-feira no Rio de Janeiro) Os regimes de esquerda
vão sumindo do mapa, mas o diretor inglês Ken
Loach continua o mais renhido dos socialistas. O que, no
seu caso, está bem longe de significar chato ou panfletário.
Loach é um apaixonado por política e cinema,
mas acima de tudo ama seus personagens. Por isso seus filmes
não tratam de "idéias" ou "movimentos", e
sim de gente colhida por circunstâncias. É
o caso, por exemplo, de Terra e Liberdade, que retratava
a Guerra Civil Espanhola por um prisma incomum: as miudezas
que compunham o dia-a-dia de um bando de despreparados voluntários.
Em Meu Nome É Joe, ele inova mais uma vez.
O cenário são os subúrbios cinzentos
de Glasgow, na Escócia, onde os personagens têm
de lutar contra pobreza, drogas e agiotas, entre outras
mazelas. Mas o filme é um romance, e dos mais inspirados.
Em foco estão Joe (Peter Mullan, premiado em Cannes
pelo papel), um ex-alcoólatra, e a assistente social
Sarah (Louise Goodall). Poucos cineastas podem gabar-se
de extrair tal sinceridade de seus atores, como ele faz
na cena em que o casal põe as cartas na mesa pela
primeira vez. De quebra, Loach tem humor: a seqüência
em que o time de várzea treinado por Joe veste uniformes
da seleção brasileira de 1970 vale boas risadas.
Bob Marshak
Julia Roberts: cachê
de 20 milhões |
Erin Brockovich Uma Mulher de Talento (Erin
Brockovich, Estados Unidos, 2000. Estréia nesta
sexta-feira no país) Julia Roberts, como se
sabe, ganhou 20 milhões de dólares por este
papel. A novidade é que ela alcança um desempenho
original e vibrante, principalmente na primeira hora do
filme. Ela vive uma mãe solteira que arruma emprego
com um advogado. Quando descobre que toda uma cidade pode
estar sendo envenenada pela rede pública de água,
arregaça as mangas e arma um processo milionário.
Inspirada em fatos verídicos, a trama é dirigida
por Steven Soderbergh, de sexo, mentiras e videotape.
Em tempo: os figurinos de Julia, minúsculos, vêm
dando o que falar.
LIVROS
Michaelis Moderno Dicionário
Inglês-Português/Português-Inglês
(Editora Melhoramentos; 1.760 páginas; 125
reais) Uma equipe de cinqüenta profissionais
pesquisou oito anos para concluir este dicionário.
Com 167.000 verbetes, ele é o mais completo de seu
gênero no mercado e incorpora diversos termos de origem
recente, de áreas como informática, economia,
marketing e biologia. Uma ferramenta útil para quem
precisa se haver com o inglês hoje em dia ou
seja, todo mundo.
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As Festas no Brasil
Colonial, de José Ramos Tinhorão (Editora
34; 173 páginas; 19,50 reais) Nos tempos em
que era um crítico musical temido, José Ramos
Tinhorão era considerado uma fera. Agora, como historiador,
também é mas em outro sentido. Ninguém
jamais reuniu tanto material documental sobre as festas
populares brasileiras como ele nesta obra. Tinhorão
arrola cartas de jesuítas, quadros de Frans Post,
versos de Gregório de Matos e até a carta
de Pero Vaz de Caminha para ilustrar uma narrativa de quatro
séculos costurada em prosa envolvente.
DISCO
Big Hits &
Remixes, Earth Wind and Fire (Sony Music)
Criado há trinta anos pelos irmãos Maurice
e Verdine White, o grupo negro de Chicago criou um dos repertórios
mais sacolejantes da década de 70 o que não
é pouco. Relançá-los num disco de remixes
versões retrabalhadas para fazer a música
soar moderninha pode parecer um truque para aumentar
as vendas. Não é o caso. Coordenado pelos
remanescentes do Earth, Wind and Fire, este CD é
diversão dançante garantida. Se você
duvida disso, experimente colocar hits como Let's Groove
numa festinha desanimada. Ninguém resiste.
TELEVISÃO
Divulgação

Carvoeiros: realidade nua e crua |
Os Carvoeiros (Quinta às 22h30, no GNT)
Documentário é, em geral, sinônimo de
chatice. Só escapa disso quando há ousadia
narrativa ou o tema é instigante. Produção
nacional dirigida por um americano, Os Carvoeiros pertence
à segunda categoria. Com imagens impactantes, mostra
o cotidiano de adultos e crianças paupérrimos,
que vivem sufocados pela fumaça dos fornos de carvão
na região Centro-Oeste. Uma injeção
de realidade na veia.
| OS
MAIS VENDIDOS -
Crítica |
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Como uma enchente
do Nilo, a série de romances Ramsés
inundou as livrarias nos últimos dois anos.
Foram cinco livros, escritos pelo francês Christian
Jacq, relatando as aventuras do mais conhecido e poderoso
de todos os faraós. Especialista em história
do Egito, Jacq caprichou na descrição
da vida nas antigas cortes, mas também acrescentou
boas doses de aventura e sobrenatural aos seus enredos,
fazendo com que Ramsés tivesse as características
de um super-herói. O público adorou.
Quando parecia, no entanto, que o fenômeno estava
esgotado e que as "águas" daqui para a frente
só poderiam baixar, uma surpresa. O autor inaugura
uma nova coleção, A Pedra da Luz,
desta vez com quatro romances. O primeiro já
chegou à lista de best-sellers de VEJA: Nefer,
o Silencioso (tradução de Maria
Alice de Sampaio Doria; Bertrand Brasil; 462 páginas;
38 reais).
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A história
é ambientada no final do reinado de Ramsés.
Os heróis são os habitantes de uma vila
de artesãos, que têm duas tarefas primordiais:
preparar os túmulos dos faraós e preservar
os segredos da Pedra da Luz, uma jóia que transforma
pó em ouro e matéria em luz. Um nobre
ambicioso, entretanto, deseja a pedra para si, como
meio de ascender ao trono. Cabe ao jovem Nefer desbaratar
a conspiração. Como se vê, a fórmula
é rigorosamente a mesma do trabalho anterior
de Jacq: um pouco de história antiga, muita
ação e muita fantasia. E não
é preciso ter um cérebro capaz de decifrar
hieróglifos para entender o porquê, basta
um pouco de sabedoria popular. Ou seja, em time que
está ganhando não se mexe.
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