Quem mostra vende
Fecha a única revista para gays
sem nus.
Já as explícitas vão bem
Marcelo Camacho
Alessandra Levtchenko
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O atleta Robson Caetano: o ideal
olímpico na peculiar versão da
G Magazine |
Foram cinco anos de inovação e quebra de preconceitos.
Em janeiro de 1995, a revista Sui Generis surgiu
tímida, fazendo jus ao nome: era a primeira revista
de informação do Brasil destinada ao público
homossexual. Preocupada em não ser vista como uma
publicação ancorada em fotos de homens nus,
a Sui Generis investiu em reportagens, entrevistas,
seções de moda, comportamento e cultura. Assim,
sem grande alarde, transformou-se em revista meio cult,
capaz de tratar de assuntos delicados sem descambar para
a grosseria. Nunca, porém, a Sui Generis conseguiu
público ou anunciantes suficientes para se sustentar.
Neste mês, com uma tiragem minguada de 20.000
exemplares, chegou ao seu último número. "Cansei
de renegociar as dívidas todos os meses. Essa tinha
virado minha principal ocupação. O jornalismo
estava ficando em segundo plano", lamenta Nelson Feitosa,
diretor-geral da Sui Generis.
Isso quer dizer que revista para homossexuais não
tem mercado no Brasil? Longe disso. A agonizante publicação
– que agora estuda convites
de três portais para se transferir para a internet
de armas, bagagens e moços sem camisa –
abriu caminho para que vicejassem outras revistas dirigidas
a esse público. Só que nessas o prato principal
são mesmo as fotos explícitas de rapagões
bem-dotados. A G Magazine, editada há dois
anos e meio, é a de maior sucesso. Alcança,
em geral, a marca de 100 000 exemplares. Igual volume de
vendas é exibido pela caçula do mercado, a
Íntima & Pessoal. Lançada há
cinco meses e voltada, conforme apregoa aos quatro ventos,
para o público feminino, a própria revista
admite que 30% de seus leitores são homossexuais.
"O público gay como consumidor de material erótico
é um mercado consolidado", diz Nelson Feitosa. Ele
sabe do que fala. Há três anos, para sustentar
a Sui Generis, pôs nas bancas a revista Homens,
só com fotos de modelos nus. A Sui Generis
fechou, mas a Homens continua sendo impressa.
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Maristela Martins
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Moisés Pazianotto
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O cantor Waguinho e o ator Rubens
Caribé: nomes famosos posam em troca de cachê
e publicidade
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Sem ereção –
Uma das ousadias da Sui Generis foi colocar na capa
moçoilos famosos, heterossexuais de carteirinha,
como o ator Eduardo Moscovis, que aceitaram dar entrevista
e até posar de graça (vestidos com muita graça
e elegância), em troca de publicidade. A idéia
foi adotada pela G Magazine, com as devidas adaptações:
nela os famosos posam sem uma peça de roupa e são
pagos para isso. Já cooptou os jogadores de futebol
Vampeta e Dinei, o velocista Robson Caetano, que posou com
suas medalhas, e os atores Mateus Carrieri e Rubens Caribé,
entre outros. O próximo da lista é o veterano
Marcelo Picchi, 51 anos muito bem malhados. "A diferença
é que a Sui Generis, com suas reportagens,
era uma revista transformadora. O nu não transforma
nada, só mata a curiosidade", diz Feitosa, em tom
que beira a dor-de-cotovelo.
Fernando Martinho
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André Lobo
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| Roberto
Bataglin e Humberto Martins: os próximos na
fila da Íntima & Pessoal |
Ana Fadigas, diretora editorial da G Magazine, dá
certa razão a Feitosa e garante que sua revista começa
a ter outras ambições, além dos ensaios
fotográficos para lá de desinibidos. De acordo
com ela, o próprio público vem cobrando reportagens
de interesse geral. "Nas nossas pesquisas, as pessoas pedem
textos e entrevistas mais aprofundados. A Sui Generis
foi pioneira nisso e estamos tentando seguir o seu caminho",
afaga Ana. Mas avisa: o nu continuará sendo a marca
registrada da revista. Da Íntima & Pessoal,
também, só que lá os rapazes são
mais contidos. "Temos sempre o nu frontal, mas em ensaios
mais sutis", compara Paula Ganem, editora da revista, que
também traz matérias de comportamento, saúde
e beleza. Sutileza, aqui, é uma questão de
centímetros. "Descobrimos numa pesquisa que 89% das
mulheres não querem ver uma ereção
estampada em nossas páginas", explica Luiz Grecco,
diretor-geral da Íntima & Pessoal. Segundo
ele, isso facilita muito na hora de convencer nomes famosos
a posar para a publicação. Grecco garante
que, nos próximos meses, terá em suas páginas
os galãs Humberto Martins, Roberto Bataglin e André
Gonçalves, todos do elenco da Globo. "E, até
o final do ano, convenceremos o Miguel Falabella", aposta.
Falabella é também o objeto dos desejos –
profissionais, claro – de Ana
Fadigas, da G Magazine. Sondado algumas vezes, já
chegou a aceitar, desistindo na última hora. A loira
é má, mas pelo jeito um tanto tímida.
Nota da redação: Nenhum
dos personagens cujas fotos aparecem nesta reportagem estava
com suas partes pudendas à mostra. Ainda assim VEJA
decidiu usar tarjas vermelhas por considerar que os retratados
estavam muito expostos.