Courteney
Cox, a gélida editora de Dirt: bastidores
da imprensa sensacionalista
Dirt(Domingos,
às 22h, no People+Arts) Numa cena dessa série
americana,a editora Lucy Spiller (Courteney Cox) pede
ajuda a uma estrela do basquete para conseguir um furo de reportagem.
E lembra que, se o jogador não cooperar, ela será
obrigada a publicar outro furo fotos dele com uma prostituta.
Dirt trata dos bastidores de uma revista sensacionalista.
Uma revista fictícia, mas que não deixa de se
espelhar em veículos reais, como o tablóide inglês
The Sun. Também produtora do seriado, Courteney
a Monica de Friends faz uma megera obcecada
pelo trabalho, que leva uma vida lastimável. Lucy é
tão gélida que só obtém prazer no
sexo de forma impessoal (no sentido de que dispensa parceiros
de carne e osso). Tem como comparsa um paparazzo (o excelente
Ian Hart) que sofre de esquizofrenia e cujos delírios
são uma atração à parte. Dirt
oferece uma visão demolidora desse tipo de publicação,
mas não perdoa suas supostas vítimas. Entre os
personagens, há uma atriz que mergulha no vício
por não saber lidar com a fama e um ator que entrega
os podres dos colegas à revista para ganhar matérias
positivas a seu respeito.
LIVROS
Histórias
para Ler sem Pressa,
organizado e traduzido por Mamede Mustafa Jarouche (Globo; 80
páginas; 25 reais) As trinta narrativas dessa
coletânea pertencem à tradição oral
dos povos árabes. Coletadas de fontes que vão
do século IX ao XVIII e traduzidas direto do original
por Jarouche responsável também pela tradução
das Mil e Uma Noites , as histórias incluem
anedotas, lições de sabedoria e instantâneos
do cotidiano. Algumas, como Os Asnos por Testemunhas, são
muito engraçadas. Outras chegam quase a ser aflitivas
caso de Embaixadores Assustados, que narra os
expedientes usados pelo sultão de Córdoba para
intimidar emissários cristãos. Leia
trecho.
Putas
Assassinas, de Roberto Bolaño (tradução
de Eduardo Brandão; Companhia das Letras; 224 páginas;
38 reais) Depois de uma breve passagem pela prisão
política da ditadura de Pinochet, o chileno Roberto Bolaño
(1953-2003) talvez o mais inventivo escritor latino-americano
de sua geração fugiu para o México
e a Europa. Experiência fundamental para sua literatura,
o exílio aparece na maioria dos treze contos dessa coletânea.
No autobiográfico Carnê de Baile, o autor
rememora o dia da deposição de Salvador Allende
como "um espetáculo sangrento" mas também
"humorístico". Autor de romances caudalosos
como Os Detetives Selvagens, Bolaño mostra nesse
livro que também era um mestre do conto. Leia
trecho.
DISCO
Divulgação
Kylie (não mais
Minogue): de volta
X,
Kylie (EMI) Há três anos, a cantora australiana
se afastou dos palcos para se tratar de um câncer no seio.
Ela voltou à ativa no fim de 2006, mas passou o ano seguinte
trancafiada no estúdio. X, décimo álbum
de Kylie agora sem o sobrenome Minogue , é
o resultado desse trabalho árduo. São treze faixas
dançantes, que vão da disco e da soul music ao
glam rock e à música eletrônica. Kylie cercou-se
de um time de grandes produtores o destaque é
a dupla Bloodshy & Avant, responsável pelo hit Toxic,
de Britney Spears. O disco é repleto de pontos altos,
como 2 Hearts, canção que lembra o pop
chique do grupo inglês Roxy Music, e Speakerphone,
que abre ao som de uma harpa para em seguida tornar-se uma canção
racha-assoalho.
DVDs
Joshua (Estados
Unidos, 2007. Fox) O que deveria ser uma ocasião
feliz o nascimento de uma menina marca, para os
Cairn, o início de uma rápida e violenta deterioração
familiar. Pode ser que o filho mais velho, Joshua (Jacob Kogan),
um menino excessivamente maduro e composto para seus 9 anos,
seja o agente desse caos. Ou pode ser que a mãe e o pai
(os ótimos Vera Farmiga e Sam Rockwell) estejam rejeitando
seu estranho primogênito e projetando nele todos os conflitos
despertados pelo stress e pela exaustão. George Ratliff,
até aqui um diretor sem maior distinção,
mostra mão forte e habilidade para conduzir essa história
de cunho clássico a da criança que os adultos
vêem como uma representante do mal e consegue manter
o espectador num estado excruciante de dúvida até
o final. Veja
trailer.
F.J. Lucas
Mastroianni, em Mattia Pascal:
sabor doce-amargo
As Duas Vidas de Mattia Pascal (Le Due Vite di Mattia
Pascal, Itália/França, 1985. Versátil)
Produzido para a TV italiana como uma história
em três episódios, o filme dirigido por Mario Monicelli
e estrelado por Marcello Mastroianni trata de um cinqüentão
que, na primeira etapa da vida, deixa a fortuna da família
escoar por entre os dedos e termina de se arruinar num casamento
desastrado. Mattia chega a considerar o suicídio, mas,
em vez disso, foge e vai dar em Monte Carlo, onde descobre que
a sorte decidiu lhe dar uma senhora chance. O protagonista se
reinventa ou quase isso, já que, como se vê
desde o início, ele está narrando suas aventuras
para um velho amigo, na mesma cidadezinha em que nasceu. Monicelli
imprime a essa saga de um homem inútil aquele sabor doce-amargo
que fez de Meus Caros Amigos um sucesso.