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Edição 2052

19 de março de 2008
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TELEVISÃO

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Courteney Cox, a gélida editora de Dirt: bastidores da imprensa sensacionalista


Dirt
(Domingos, às 22h, no People+Arts) – Numa cena dessa série americana, a editora Lucy Spiller (Courteney Cox) pede ajuda a uma estrela do basquete para conseguir um furo de reportagem. E lembra que, se o jogador não cooperar, ela será obrigada a publicar outro furo – fotos dele com uma prostituta. Dirt trata dos bastidores de uma revista sensacionalista. Uma revista fictícia, mas que não deixa de se espelhar em veículos reais, como o tablóide inglês The Sun. Também produtora do seriado, Courteney – a Monica de Friends – faz uma megera obcecada pelo trabalho, que leva uma vida lastimável. Lucy é tão gélida que só obtém prazer no sexo de forma impessoal (no sentido de que dispensa parceiros de carne e osso). Tem como comparsa um paparazzo (o excelente Ian Hart) que sofre de esquizofrenia e cujos delírios são uma atração à parte. Dirt oferece uma visão demolidora desse tipo de publicação, mas não perdoa suas supostas vítimas. Entre os personagens, há uma atriz que mergulha no vício por não saber lidar com a fama e um ator que entrega os podres dos colegas à revista para ganhar matérias positivas a seu respeito.

 

LIVROS

Histórias para Ler sem Pressa, organizado e traduzido por Mamede Mustafa Jarouche (Globo; 80 páginas; 25 reais) – As trinta narrativas dessa coletânea pertencem à tradição oral dos povos árabes. Coletadas de fontes que vão do século IX ao XVIII e traduzidas direto do original por Jarouche – responsável também pela tradução das Mil e Uma Noites –, as histórias incluem anedotas, lições de sabedoria e instantâneos do cotidiano. Algumas, como Os Asnos por Testemunhas, são muito engraçadas. Outras chegam quase a ser aflitivas – caso de Embaixadores Assustados, que narra os expedientes usados pelo sultão de Córdoba para intimidar emissários cristãos. Leia trecho.

Putas Assassinas, de Roberto Bolaño (tradução de Eduardo Brandão; Companhia das Letras; 224 páginas; 38 reais) – Depois de uma breve passagem pela prisão política da ditadura de Pinochet, o chileno Roberto Bolaño (1953-2003) – talvez o mais inventivo escritor latino-americano de sua geração – fugiu para o México e a Europa. Experiência fundamental para sua literatura, o exílio aparece na maioria dos treze contos dessa coletânea. No autobiográfico Carnê de Baile, o autor rememora o dia da deposição de Salvador Allende como "um espetáculo sangrento" mas também "humorístico". Autor de romances caudalosos como Os Detetives Selvagens, Bolaño mostra nesse livro que também era um mestre do conto. Leia trecho.

 

DISCO

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Kylie (não mais
Minogue): de volta

X, Kylie (EMI) – Há três anos, a cantora australiana se afastou dos palcos para se tratar de um câncer no seio. Ela voltou à ativa no fim de 2006, mas passou o ano seguinte trancafiada no estúdio. X, décimo álbum de Kylie – agora sem o sobrenome Minogue –, é o resultado desse trabalho árduo. São treze faixas dançantes, que vão da disco e da soul music ao glam rock e à música eletrônica. Kylie cercou-se de um time de grandes produtores – o destaque é a dupla Bloodshy & Avant, responsável pelo hit Toxic, de Britney Spears. O disco é repleto de pontos altos, como 2 Hearts, canção que lembra o pop chique do grupo inglês Roxy Music, e Speakerphone, que abre ao som de uma harpa para em seguida tornar-se uma canção racha-assoalho.

 

DVDs

Joshua (Estados Unidos, 2007. Fox) – O que deveria ser uma ocasião feliz – o nascimento de uma menina – marca, para os Cairn, o início de uma rápida e violenta deterioração familiar. Pode ser que o filho mais velho, Joshua (Jacob Kogan), um menino excessivamente maduro e composto para seus 9 anos, seja o agente desse caos. Ou pode ser que a mãe e o pai (os ótimos Vera Farmiga e Sam Rockwell) estejam rejeitando seu estranho primogênito e projetando nele todos os conflitos despertados pelo stress e pela exaustão. George Ratliff, até aqui um diretor sem maior distinção, mostra mão forte e habilidade para conduzir essa história de cunho clássico – a da criança que os adultos vêem como uma representante do mal – e consegue manter o espectador num estado excruciante de dúvida até o final. Veja trailer.

F.J. Lucas
Mastroianni, em Mattia Pascal: sabor doce-amargo


As Duas Vidas de Mattia Pascal
(Le Due Vite di Mattia Pascal, Itália/França, 1985. Versátil) – Produzido para a TV italiana como uma história em três episódios, o filme dirigido por Mario Monicelli e estrelado por Marcello Mastroianni trata de um cinqüentão que, na primeira etapa da vida, deixa a fortuna da família escoar por entre os dedos e termina de se arruinar num casamento desastrado. Mattia chega a considerar o suicídio, mas, em vez disso, foge e vai dar em Monte Carlo, onde descobre que a sorte decidiu lhe dar uma senhora chance. O protagonista se reinventa – ou quase isso, já que, como se vê desde o início, ele está narrando suas aventuras para um velho amigo, na mesma cidadezinha em que nasceu. Monicelli imprime a essa saga de um homem inútil aquele sabor doce-amargo que fez de Meus Caros Amigos um sucesso.

 

 

 
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