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Cinema Em Não Estou
Lá, seis atores diferentes
Concebido e dirigido por Todd Haynes, de Longe do Paraíso, o filme que estréia nesta sexta-feira no país traz seis Dylans todos com nomes diferentes, numa manobra para evitar ações legais que aspira parecer "autoral". O menino negro Marcus Carl Franklin personifica o artista em nascimento, quando Dylan emulava o ícone do folk e do protesto Woody Guthrie. Heath Ledger encarna o marido e pai inconstante, numa boa parceria com Charlotte Gainsbourg. Na única interpretação que realmente apreende algo de substancial do artista, Cate Blanchett é o Dylan que enfureceu os fãs ao trocar o violão acústico pela guitarra elétrica. Christian Bale, Richard Gere e Ben Whishaw completam esse elenco de formas menos bem delineadas ou, no caso de Gere, incompreensíveis. Justiça seja feita, Não Estou Lá não se propõe a ser uma biografia tal e qual, mas sim uma meditação pessoal de Haynes sobre seu personagem. No início, em que Dylan/Woody ocupa a maior parte da cena, o filme cumpre a premissa, com uma evocação cheia de atmosfera de um país que já ficara no passado, e que o trovador iniciante ia descobrindo tardiamente. Em sua segunda parte, o filme tem a imensa vantagem de contar com Cate Blanchett e a imensa desvantagem de se fragmentar muito além do necessário e descair para a afetação. Como nenhum outro cantor popular do século XX, Dylan soube aglutinar e sintetizar o espírito de seu tempo. Haynes não compartilha com ele essa qualidade. Seja onde for que se pode encontrar o verdadeiro Dylan, aqui é que ele não está mesmo.
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