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Edição 2052

19 de março de 2008
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Música
Por que só dá ela, ela, ela...

Nascida em Barbados, a cantora Rihanna tem três
canções entre as mais tocadas no mundo todo


Sérgio Martins

Barbados está fazendo história na música. A ilha caribenha, cuja economia gira em torno do turismo e da exportação de cana-de-açúcar, é terra natal do fenômeno Rihanna. Nos últimos nove meses, a cantora de 20 anos emplacou três hits nas rádios do mundo inteiro: Hate that I Love You, dueto com o cantor Ne-Yo e atualmente a música internacional mais tocada nas FMs brasileiras; Don’t Stop the Music, pop dançante que remete aos melhores momentos de Michael Jackson e Madonna; e Umbrella, a música do guarda-chuva, que ficou em primeiro lugar nos Estados Unidos e na Europa e foi eleita pela crítica como uma das melhores canções de 2007 (certamente é a mais pegajosa, com o refrão "ella, ella, eh... eh... eh..."). Conseqüência natural do sucesso nas rádios, Rihanna também explodiu em vendagem. Seu terceiro CD bateu a marca de 4 milhões de cópias vendidas mundo afora. O título do disco, Good Girl Gone Bad (A Menina Boa Virou Má), não é muito encorajador. A divisão do mundo entre cantoras boazinhas e malvadas já se tornou enfadonha. Felizmente, Rihanna não parece muito inclinada a entrar nesse jogo. Limita-se a cantar o seu bom repertório, esbanjar beleza, divertir-se e divertir.

Cinco anos atrás, Evan Rogers, executivo da indústria musical e produtor de ‘NSync e Rod Stewart, passava férias em Barbados quando um amigo o alertou sobre o talento de uma cantora local. Rogers aceitou fazer um teste com a moça e pediu para ela cantar um sucesso do Destiny’s Child, trio americano de R&B. Rihanna cantou a música e agradou. Rogers gravou com ela um CD-teste e passou a oferecer o passe de sua protegida a diversas gravadoras americanas. Ela acabou sendo contratada pela Def Jam, presidida pelo rapper Jay-Z. A estratégia inicial de Rogers e da Def Jam foi vender Rihanna como uma típica artista caribenha. Seus dois primeiros álbuns são calcados na música daquela região, em especial o dancehall (uma mistura de reggae com eletrônica). Para o terceiro disco, Jay-Z optou por transformar Rihanna numa diva da música negra. Foi uma das decisões mais acertadas de sua carreira.

Good Girl Gone Bad tem colaboração de nomes do primeiro escalão, como o produtor Timbaland, o cantor Justin Timberlake (que se contentou em fazer vocais de apoio) e o compositor The-Dream. Esse time não apenas compôs os hits radiofônicos como deu a Rihanna credibilidade no meio hip hop – que a via como uma artista fabricada. As outras canções do CD alternam um pop dançante com baladas românticas de letra convencional, que falam de como ela sofre quando briga com o namorado (tema de Hate that I Love You) ou de como apóia seu amor em todos os momentos (Umbrella). Rihanna já enfrentou chuva ácida: alguns boatos deram conta de um suposto caso com Jay-Z – seu patrão e marido da cantora Beyoncé. Certo mesmo é que ela já pôs os atores Josh Hartnett e Shia LaBeouf, felizardos, sob a sua umbrella.



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