BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade
REVISTAS
VEJA
Edição 2052

19 de março de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
André Petry
Lya Luft
Diogo Mainardi
J.R. Guzzo
Millôr
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 

Economia
Pacote sem maldades

Medidas do governo para conter a depreciação
do dólar mostram a morte da heterodoxia no Brasil


Giuliano Guandalini

Issei Kato/Reuters
Barras de ouro em loja de Tóquio: seguro contra o declínio do dólar


VEJA TAMBÉM
Nesta reportagem
Quadro: O resgate do dólar

As importações brasileiras avançaram 37% nos últimos doze meses, impulsionadas pelo crescimento acelerado do consumo e pelo dólar barato. Esse aumento foi bem superior ao das exportações, que subiram 18%. Tal descompasso tem levado a uma redução muito veloz do superávit da balança comercial brasileira. Depois de atingir um recorde histórico de 46,5 bilhões de dólares em 2006, o resultado da balança começou a se deteriorar. Estima-se que ficará em 28 bilhões de dólares neste ano. Essa queda acendeu uma luz amarela na equipe econômica. Temendo que o país volte a ter déficits comerciais e que a indústria nacional seja prejudicada pela enxurrada dos importados, o governo anunciou, na semana passada, um pacote com três medidas (veja o quadro). Seu objetivo é estimular as exportações e deter a queda do dólar perante o real. Existe chance de funcionar. A melhor notícia, porém, é que a intervenção foi feita de modo sensato, dentro do melhor figurino de mercado, sem retrocesso na política cambial. Foi um tiro, o de misericórdia talvez, nos abantesmas da heterodoxia econômica que tanto dano causaram ao Brasil nas décadas passadas.

Os analistas ainda estão céticos quanto à eficácia das medidas, sobretudo no que diz respeito à contenção da queda do dólar. Até porque isso não depende apenas do Brasil. A moeda americana está "derretendo", como disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em todo o mundo. O declínio já dura seis anos, e não há sinais de que será interrompido tão cedo. Na comparação com uma cesta de moedas, o dólar passa pelo período de maior fraqueza desde 1995. Seu valor recuou mais de 40% em relação ao euro desde 2002. Trata-se, portanto, de um declínio mundial, desencadeado pela crise financeira dos Estados Unidos. Graças à estabilidade econômica brasileira, o real tem sido uma das moedas que mais ganharam valor em relação ao dólar. Diz o economista Alexandre Schwartsman, do Banco Real: "Perto das forças que empurram a divisa americana para baixo, as medidas anunciadas pelo governo têm a mesma eficácia de abrir um guarda-chuva para conter um tsunami".

Mario Tama/Getty Images
Banco Bear Stearns, em Nova York: faltou caixa


Não são apenas moedas que têm ganhado valor ante o dólar. O preço das mercadorias cotadas na moeda americana bate seguidos recordes de alta, em parte para compensar, justamente, o enfraquecimento do dólar. O barril do petróleo atingiu a marca de 110 dólares. O ouro, cuja compra serve de proteção contra a desvalorização da moeda americana, também nunca custara tanto. A cotação do metal ultrapassou 1.000 dólares por onça (medida-padrão equivalente a 28,349 gramas). As perspectivas para o dólar não são animadoras, ao menos a curto prazo. Os Estados Unidos estão à beira da recessão e a crise financeira ganha contornos mais dramáticos a cada semana. Na sexta-feira (14 de março), o Bear Stearns, o quinto maior banco de investimento do país, que carregava uma montanha de créditos imobiliários podres, foi à lona. Sem caixa para honrar os credores, ele só não fechará as portas porque será socorrido pelo banco JP Morgan e pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O Fed já injetou 400 bilhões de dólares no sistema financeiro para dar liquidez aos bancos do país, mas novas vítimas da crise surgirão pelo caminho. Até que a economia americana purgue seus excessos, o dólar deverá derreter ainda mais. Queira o governo brasileiro ou não.



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |