I Não
podia mesmo dar certo. Nascemos com excesso de ancestrais. E morremos com
excesso de descendentes.
IIPOEMEU Em
Ipanema Foi o tempo mais estranho! Encontrava Drummond Chupando Chica-Bom E
o grande César Lattes Bebendo nas boates.
III
Lula: "Melhor do que dar ao companheiro um peixe é lhe dar um
caniço e ensiná-lo a usar o cartão corporativo".
IV
CENA em grande clínica médica da cidade: Cliente:
"Mas eu tenho Plano Saúde. Como é que me cobram essa intervenção
no baço?". Administrador: "Está escrito aqui,
senhor o tratamento de baço foi descredenciado". Outro
cliente: "Como cinco mil pra pagar três médicos? E meu Plano
Saúde?". Administrador: "Desculpe, amigo, mas esses
médicos não são da Clínica. São terceirizados".
Outro cliente: "Qué qué isso? Não vou pagar
nada. Taqui o meu Plano Saúde". Administrador: "Desculpe,
senhor, mas seu Plano Saúde não prevê doenças".
V
No Brasil o leite só não é adulterado enquanto está
na vaca.
VI Advogado: "Querida,
hoje não vou trabalhar. Estou me sentindo muito Quid Pro Quo".
VII
A fé remove montanhas. No Rio vimos isso com a derrubada do Morro do Castelo.
Mas logo, no lugar, botaram mil arranha-céus. A especulação
imobiliária refaz montanhas.
VIII
Todo caminho é sempre pra cá e pra lá.
IX
Até hoje o baile mais famoso do Brasil foi o da Ilha Fiscal. Exceto,
claro, quando chega esta época do ano com o baile da Receita Fiscal.
X
Na minha infância, quando alguém mais respeitável da família
falava em falta de decoro, eu sabia o que era. Mas hoje, quando falam em
"quebrar o decoro parlamentar", não sei o que querem dizer.
Falta de decoro de que se falava, naquele então, era, no máximo,
um velho da família sair do banheiro de braguilha aberta, com o pinguelo
ao ar livre. "Deus do céu, vovô não tem mais decoro." Agora,
quando rivais, ou juristas, ou a imprensa, falam de um malversador, ladrão,
patife, aquilo que no todo se sintetiza com o substantivo canalha, ele está
apenas faltando com o decoro? Putsgrila! Vejam agora no plano internacional.
Recebi, pela internet, de várias fontes, um filme com a figura do grande
líder italiano Berlusconi, em primeiro plano, close, fotografia nítida
e ao vivo, tirando ouro do nariz. Não só tirando, mas apertando
entre os dedos. A descrição é repugnante? Poupo-lhes a imagem
esta é uma revista asseada. Ah, bom, todos sabem quem é
Berlusconi. Sem dúvida o homem mais poderoso da Itália. E um cidadão
cujos feitos são de tal ordem e tal desfaçatez que reduzem nossos
grandes líderes no setor, Quércia, Maluf, Jader Barbalho, ao nível
de trombadinhas. No meu tempo (meu tempo é daqui a dez anos) esse homem,
que possivelmente será novamente primeiro-ministro da Itália e domina
45% da televisão, não seria convidado em jantar em família.