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DVD
Divulgação

A
Doce Vida: Fellini no auge
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A Doce Vida (La Dolce Vita, Itália/França,
1960. Versátil) Eleger o maior entre os filmes de Federico
Fellini só é uma tarefa possível por causa dessa
obra-prima, com que o diretor rompeu definitivamente com o neo-realismo.
Na Roma efervescente do fim dos anos 50, em que toda a Europa tentava
enterrar em festa o trauma da II Guerra, o protagonista Marcello é
um jornalista que vive de parasitar celebridades, todas tão vazias
quanto ele. A interpretação de Marcello Mastroianni é
sublime, e um dos extras desse disco duplo cuida justamente de homenageá-lo,
num depoimento de Fellini sobre seu ator predileto. A edição
contém também um documentário sobre Nino Rota, autor
da magnífica trilha sonora de A Doce Vida e da maioria dos
filmes do diretor. Finalmente, o filme vem em cópia restaurada
e no formato original esticado. É item obrigatório em qualquer
filmoteca que se preze.
DISCOS
At
Last!, Etta James (Universal) A gravadora Chess contratou
Etta James no fim dos anos 50 pensando em transformá-la num ícone
da música pop. Os executivos da companhia, no entanto, não
demoraram a perceber que a voz roufenha de Etta era valiosa demais para
ser gasta apenas em baladas. Esse disco, lançado em 1961, mostra
fagulhas da intérprete incendiária que iria ser aclamada
como dama do blues e influenciar artistas como Janis Joplin. Basta conferir
a interpretação cheia de malícia de I
Just Want to Make Love to You, canção do
bluesman Willie Dixon e que virou sucesso na versão dos Rolling
Stones. Uma injustiça, visto que a gravação de Etta
James é infinitamente superior. A versão em CD de At
Last! traz ainda quatro faixas bônus, gravadas em dueto com
o cantor de soul music Harvey Fuqua.
Mono/Stereo,
Paul Westerberg (Sum) Nos anos 80, R.E.M. e Replacements brigavam
pelo posto de "melhor banda do mundo" ao menos no entender dos
fãs de rock independente americano. O R.E.M. venceu a disputa não
apenas porque tinha um letrista e vocalista mais carismático (Michael
Stipe), mas porque a concorrência se afundou em drogas e brigas
internas. Nesse CD duplo, o quarto de sua carreira-solo, Paul Westerberg,
ex-guitarrista e cantor dos Replacements, mostra por que seu antigo grupo
desfrutou de tanta reverência. Ele faz canções para
ouvir no volume máximo, como a vibrante High Time, e tem
o dom de criar refrãos que cativam à primeira audição.
Curiosamente, a autoria das músicas divide-se entre Westerberg
e um certo Grandpa Boy na verdade, um alter ego "acústico"
do cantor.
LIVROS
Cezar Pena
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| Borges:
prazer
e erudição
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Curso
de Literatura Inglesa, de Jorge Luis Borges (tradução
de Eduardo Brandão; Martins Fontes; 442 páginas; 42,50 reais)
Durante vinte anos, o argentino Jorge Luis Borges (1899-1986)
um dos maiores autores do século XX ocupou a cátedra
de literatura inglesa na Universidade de Buenos Aires. Essa face menos
conhecida do autor de O Aleph é recuperada no livro. Ele
reúne 25 aulas ministradas por Borges em 1966. O escritor, que
aprendeu a língua inglesa antes mesmo do castelhano, fala do assunto
de forma apaixonada. Dos poemas anglo-saxões à obra de Robert
Louis Stevenson (de O Médico e o Monstro), suas explanações
transbordam prazer e erudição.
A
Metafísica dos Tubos, de Amélie Nothomb (tradução
de Clóvis Marques; Record; 144 páginas; 28 reais)
A escritora Amélie Nothomb é uma das penas mais afiadas
da literatura em língua francesa. Filha de um diplomata belga,
nascida e criada no Japão, ela falou com humor corrosivo de suas
experiências naquele país no livro Medo e Submissão,
no qual narra sua via-crúcis como estagiária numa empresa.
No atual lançamento, o Japão volta a ser cenário:
ela recria seus três primeiros anos de vida, num tom que mescla
autobiografia e fantasia. O livro é um inusitado retrato das relações
humanas sob o ponto de vista de uma criancinha.
Solaris,
de Stanislaw Lem (tradução de José Sanz;
Relume Dumará; 272 páginas; 38 reais) Lançado
em 1961, Solaris é um clássico da ficção
científica. O livro do polonês Lem já vendeu mais
de 25 milhões de exemplares e, nos anos 70, deu origem a um filme
cultuado do diretor russo Andrei Tarkovsky. Às vésperas
da estréia nos cinemas de uma nova adaptação, estrelada
por George Clooney, a obra ganha uma reedição brasileira.
Ela narra a ida de um astronauta a uma estação espacial
num planeta coberto por um misterioso "oceano vivo", que se comunica com
o protagonista. Por trás da história, uma reflexão
sobre os limites da ciência. Leia
trechos do livro.
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OS
MAIS VENDIDOS
CRÍTICA
A
cena literária do Rio Grande do Sul tem vida própria.
Há muitos autores gaúchos que fazem sucesso no âmbito
local, embora suas vendagens fora do Estado sejam inexpressivas.
Graças a um empurrão da TV, essa barreira foi transposta
pela escritora Leticia Wierzchowski. Autora do romance A Casa
das Sete Mulheres (Record; 516 páginas; 48 reais), que
inspirou a série da Rede Globo, ela ocupa o topo da lista
de mais vendidos de ficção de VEJA. O livro foi lançado
há quase um ano, mas dois terços de suas vendas de
35 500 exemplares ocorreram nos últimos dois meses
ou seja, desde que o programa estreou. "Não sou ingênua
de achar que faria tanto sucesso sem a ajuda da TV. Quero mais é
aproveitar a chance para consolidar meu nome", diz Leticia, uma
descendente de poloneses de 30 anos, casada e mãe de um filho
de 1 ano e 8 meses. O marido, aliás, ela também conquistou
por meio da literatura. Depois de se encantar com um retrato de
Leticia na orelha de um livro, o publicitário Marcelo Pires
começou a trocar e-mails com ela e assim nasceu um
romance que dura quatro anos.
Divulgação

Leticia:
pegando marido
pela orelha |
Leticia teve uma mãozinha para ver sua história transformada
em série. Sua editora empenhou-se em vender a história
para a Rede Globo, mesmo antes de ela ser publicada. O fato de Leticia
e Maria Adelaide Amaral, uma das autoras do programa, terem a mesma
agente literária facilitou esses contatos. "Só pelo
título já me convenci de que aquela história
era talhada para a tela", elogia Maria Adelaide. Não se pode
dizer que Leticia esteja desperdiçando sua projeção
nacional. Tão logo a série entrou no ar, ela lançou
um novo romance o sexto. Trata-se de O Pintor que Escrevia,
história de amor feita sob encomenda para sua editora,
a Record. E tem mais dois originais concluídos outro
romance e um livro de contos , com lançamento previsto
para até 2004.
Como
todo escritor que atinge subitamente a notoriedade, Leticia é
hoje alvo de críticas ácidas, sobretudo em sua terra
natal. Ela, que cita o conterrâneo Erico Verissimo como paradigma,
tem sido atacada por causa dos lugares-comuns de seu texto e por
narrar a vida das mulheres da família do líder farroupilha
Bento Gonçalves sem muita fidelidade histórica. Essas
críticas são um pouco fora de foco. A pretensão
da escritora não vai além de contar histórias
capazes de arrebatar o público, com um enredo que tem começo,
meio e fim. Se sua escrita não tem arte, tem um bom artesanato.
Leticia faz um tipo de romance de entretenimento que é escasso
no país e sempre bem-vindo.
Marcelo
Marthe
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