Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 794 - 19 de março de 2003
Artes e Espetáculos Televisão
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
  Eminem, o Elvis do rap
Deus É Brasileiro, de Cacá Diegues

A Jogada Turca e Rainha do Inverno, de B. Akunin
Os diálogos tolos da novela das 8

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
VEJA on-line
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2003
Reportagens de capa
2000|01|02|03
Entrevistas
2000|01|02|03


Crie seu grupo




 

Mulheres descerebradas

Mulheres Apaixonadas abusa
dos diálogos que saem do nada
e chegam a lugar nenhum

Ricardo Valladares

 
Os empregados Jeremias e Maria: não é, assim, uma Brastemp Edwiges e Ana, na missa de sétimo dia: e o defunto nem estava frio
  Doris, Flora e Leopoldo: ai, minha Nossa Senhora!   Helena: e na janta, dá para filar uma canja?

O noveleiro Manoel Carlos é obcecado pelo realismo. Cada vez que assina uma trama para a Rede Globo, ele a pontua com situações do dia-a-dia. Seus personagens vez por outra estão às voltas com enroscos do cotidiano. Isso serve para emoldurar o enredo e criar uma empatia maior com o público. O espectador gosta. Sempre que a Globo faz pesquisas qualitativas sobre as novelas de Manoel Carlos, o realismo é mencionado como um ponto forte. Mas em Mulheres Apaixonadas, a atual novela das 8, a dose pode estar exagerada. Numa missa de sétimo dia, por exemplo, três personagens foram focalizados no meio de uma discussão. A conversa nada tinha a ver com a missa. Seu tema era: será que um deles havia esquecido o feijão no fogo? Nem mesmo a heroína da história, Helena (Christiane Torloni), é poupada desse tipo de lengalenga. Sua personagem já apareceu recomendando ao filho que levantasse a tampa do vaso sanitário. Num capítulo cuja exibição estava prevista para esta semana, ela deverá protagonizar o seguinte diálogo com a empregada: "Dona Helena, o Lucas está aqui querendo que eu frite batata pra ele!". Resposta: "Mas eu não falei que batata frita é só na hora do almoço?".

Há duas outras modalidades de blablablá em que Mulheres Apaixonadas é pródiga: as referências a discos ou livros e os comentários sobre notícias de jornal. O núcleo de adolescentes que se reúne em torno de Raquel (Helena Ranaldi) está sempre pronto para embarcar num papo-cabeça sobre os melhores cantores da MPB ou o filme mais bacana em cartaz. É mais uma tentativa de incutir "curtura" na patuléia. E todos os personagens estão sujeitos a receber falas como aquelas dos personagens Doris (Regiane Alves), Flora (Carmem Silva) e Leopoldo (Louzadinha), num capítulo da semana passada, ensejadas pela instalação de escadas rolantes no Cristo Redentor. Cenas assim saem do nada e chegam a lugar nenhum. Na época do realismo e do naturalismo na literatura, muitos escritores eram criticados por ir longe demais nas descrições, acrescentando, por puro preciosismo, detalhes que não serviam em nada para adiantar a trama. Manoel Carlos precisa tomar cuidado para não inventar o equivalente desse cacoete na era da televisão. Se a coisa continuar nesse pé, recomenda-se que a novela mude de nome. Passe a se chamar Mulheres Descerebradas.

Divulgação
Raquel e Fred: nadador ou peixe morto?


Não é por falta de temas fortes, porém, que Mulheres Apaixonadas vai derrapar. Há uma série de complicações engatilhadas: homossexualismo feminino, padre largando a batina e balzaquiana apaixonada por um molecote que mal saiu dos cueiros. As personagens lésbicas Clara (Aline Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) deverão trocar carinhos mais ousados – assim como o padre Pedro (Nicola Siri) e a espevitada Estela (Lavínia Vlasak). Para compor o romance entre Raquel e o nadador Fred (Pedro Furtado), o molecote, Manoel Carlos baseou-se na história verídica de uma professora americana que engravidou de um aluno. Em sua estréia na televisão, o jovem Pedro Furtado, de 18 anos, está feliz da vida com seu personagem. "Imagina só, beijar a Helena Ranaldi logo de cara", diz ele. Mas, por enquanto, o príncipe Namor da novela das 8 só consegue fazer cara de peixe morto. Talvez seja por respeito. Helena é mulher de Ricardo Waddington, o diretor da novela.


   
canaldecompras
O que é canal de compras
CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
 
Livros
Saraiva.com.br
Livraria Nobel
 
Ingressos
Ingresso.com.br
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS