Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 794 - 19 de março de 2003
Artes e Espetáculos Livros
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
  Eminem, o Elvis do rap
Deus É Brasileiro, de Cacá Diegues

A Jogada Turca e Rainha do Inverno, de B. Akunin
Os diálogos tolos da novela das 8

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
VEJA on-line
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2003
Reportagens de capa
2000|01|02|03
Entrevistas
2000|01|02|03


Crie seu grupo




 

A serviço do czar

As aventuras do detetive Fandórin
fazem sucesso na Rússia atual. Sob
o regime comunista, seriam sacrilégio

Marcelo Marthe

Veja também
  Trechos dos livros:
Rainha do Inverno
A Jogada Turca

Enquanto durou o comunismo na Rússia, o filólogo Grigori Tchkartchvili sobreviveu como tradutor de textos científicos japoneses. "Era um serviço chato, mas não envolvia nenhum risco de censura ideológica", lembra-se ele. Nos anos 90, depois da abertura política, Tchkartchvili enveredou por uma atividade mais empolgante: a de escritor de livros policiais, um gênero que o velho regime considerava excessivamente "burguês". Nos últimos cinco anos, sob o pseudônimo de Boris Akunin, ele lançou treze romances, que, juntos, venderam 8 milhões de exemplares. É um dos escritores mais populares de seu país e colocou no mapa da literatura policial um tipo impagável, espécie de versão russa do detetive Sherlock Holmes: o investigador Erast Pietróvitch Fandórin. Suas duas primeiras aventuras chegam agora ao Brasil. São histórias ambientadas na segunda metade do século XIX, época de ouro da Rússia czarista.

Fandórin é um jovem de família abastada que, após ficar órfão, se emprega na polícia de Moscou. A origem do personagem é contada em Rainha do Inverno (tradução de Paulo Bezerra; Objetiva; 286 páginas; 36,90 reais), no qual ele investiga um suicídio que é a ponta do iceberg de uma conspiração. No segundo livro, A Jogada Turca (tradução de Véra Lucia dos Reis; Objetiva; 278 páginas; 35,90 reais), o pano de fundo é um evento histórico: a guerra que, em 1877, opôs russos e turcos. Fandórin vai ao front à caça de um sabotador. O cenário do livro é o acampamento onde se abriga a elite militar, mais ocupada com bebedeiras, jogatina e flertes do que com a guerra em si. As aventuras são narradas em tom mordaz, com referências constantes a autores clássicos como Dostoiévski e Tolstoi. Um dos expedientes prediletos de Akunin é satirizar a obsessão de seu país com a hierarquia e a burocracia – ele fala dos funcionários públicos do século XIX, mas se trata evidentemente de uma crítica que se estende para além daquele momento.

O sucesso de Akunin representou um sopro de renovação no mercado literário russo. Nos anos que se seguiram à queda do comunismo, os leitores do país só tinham como opções os clássicos e uma ficção popular de péssima qualidade. Akunin preencheu uma lacuna no campo da ficção de entretenimento – a única crítica que se pode fazer a ele é o abuso, em algumas passagens, dos lugares-comuns. Aos 47 anos, o autor se diverte ao constatar que seus romances seriam impensáveis na Rússia de apenas doze anos atrás. "Fandórin é um burguês esnobe a serviço do czar. O perfeito inimigo dos comunistas", diz ele.

 

SHERLOCK À MODA RUSSA

"Fandórin tinha um estranho modo de procurar o verdadeiro culpado. Todas as manhãs, usando uma roupa listrada, fazia ginástica inglesa demoradamente. Depois, passava a maior parte do dia na cama, limitando-se, no mais das vezes, a fazer uma rápida visita ao Estado-Maior. À noite, ficava no clube dos jornalistas, fumando charutos, lendo um livro, bebendo vinho e participando de má vontade das conversas. Uma desordem indescritível reinava em sua tenda: livros, mapas, garrafas vazias de vinho búlgaro, roupas e halteres amontoavam-se indistintamente. Um dia, sem querer, Vária tinha sentado num prato de plov frio que estava numa cadeira. Esse incidente enfureceu-a, e a moça nunca mais pôde tirar a mancha de gordura de seu único vestido decente."

Trecho de A Jogada Turca

 

   
canaldecompras
O que é canal de compras
CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
 
Livros
Saraiva.com.br
Livraria Nobel
 
Ingressos
Ingresso.com.br
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS