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Visual bem recheado
Gordinhas
cheias de atitude
ensinam como ter quilos a mais
sem estilo de menos
Silvia Rogar
Divulgação
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Cida Souza
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| Kelly:
do reality show da família Osbourne para o sucesso próprio
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Karin:
aprendendo a se conformar com sua "estrutura grande" |
Sejamos sinceros:
não aconteceu uma revolução mundial e, de repente,
todas as mulheres passaram a sonhar com uma silhueta cheia de quilos a
mais. Em compensação, o campo das bem fornidas está
pipocando de novidades positivas. Nos Estados Unidos, uma adolescente
rechonchuda, mas muito descolada, tem levado um sopro de alívio
para as sofridas vítimas da ditadura da magreza: Kelly Osbourne,
18 anos, 1,55 metro, 55 quilos e muita atitude. Filha do roqueiro Ozzy
e revelação do reality show exibido pela MTV que
acompanha o cotidiano de sua família, Kelly não malha e
não faz regime, adora roupas e maquiagem e explora ao limite seu
jeito sexy-exagerado de ser. Chama tanto a atenção que,
num intervalo de poucos meses, apareceu na lista das mulheres mais bem-vestidas
da revista People e na das mais malvestidas composta todo ano pelo
conservador estilista Mr. Blackwell. Kelly tornou-se um dos modelos de
comportamento mais positivos para as meninas acima do peso em um país
onde 68% das mulheres vestem o equivalente ao manequim 44 no mínimo.
No Brasil, onde 40% das pessoas estão acima do peso ideal, o exemplo
do momento de cheinhas cheias de charme está no grupo Rouge, um
sucesso instantâneo que já vendeu 1 milhão de discos
desde agosto. Igualmente vindas de um reality show, duas das cinco
integrantes do Rouge, Karin e Fantine, fogem do padrão magrinho
o que é uma novidade numa banda brasileira moldada para
agradar aos adolescentes. "Queríamos cantoras que fossem a cara
das brasileiras, normais", diz Alexandre Schiavo, vice-presidente de marketing
da Sony.
A loirinha
Fantine, 24 anos e 1,65 metro, sua o top há quase um ano dançando
a Ragatanga pelo país afora, mas continua com 65 quilos. Nem por
isso se esconde em modelitos folgados seu estilo é moderninho,
como o de qualquer cantora jovem. "Para aparecer no vídeo, só
evito roupas que deixem a barriga de fora. Gosto de decotes, que valorizam
meu colo", diz. Sua colega Karin, 24 anos, 1,63 metro e 63 quilos, está
sempre tentando emagrecer, mas geralmente perde a paciência antes
de conseguir. "Eu não faço o gênero modelo, tenho
estrutura grande", conforma-se. "Gosto de usar vestidos, mas, quando estou
mais gordinha, prefiro mesmo a combinação calça e
blusa." Outra cheinha acostumada a explorar o melhor de sua silhueta é
Preta Gil, 28 anos, filha do ministro Gilberto Gil. Preta, 1,60 metro,
77 quilos, que assim dimensionada acaba de assinar contratos para lançar
um disco e participar da próxima novela das 6, Agora É
que São Elas, exibe uma auto-estima equivalente ao tamanho
do seu closet: oito portas de armário ("Metade das roupas não
cabe em mim"), mais de 120 pares de sapato e pelo menos cinqüenta
bolsas. Depois de muito sofrer, ela diz que aprendeu. "O importante para
uma roupa cair bem é que a gordinha assuma seu manequim", diz Preta
com sua vasta experiência no assunto de tão louca
por grifes, ela ganhou dos amigos o apelido de "Pretinha de Beverly Hills".
Maira Bittencourt
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Nino Andres
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| Preta,
a "Pretinha de Beverly Hills": louca por roupas, bolsas e sapatos
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Fantine:
na televisão, barriga coberta e decotes para valorizar o colo |
Encontrar
modelos bacanas em tamanhos grandes ainda é um exercício
de paciência para as fofinhas antenadas, mas a situação
começa a melhorar. "Roupas maiores exigem mais pesquisa no corte
ou ficam parecendo sacos de batata", diz Andre Apasse, dono de uma loja
de roupas modernas em manequins avantajados em São Paulo. Nas lojas
da grife italiana Emporio Armani e da americana Tommy Hilfiger encontram-se
atualmente modelos que chegam aos números 46 e 48, respectivamente.
Até maio, a italiana Marina Rinaldi, a irmã de medidas fartas
do grupo MaxMara, inaugura sua primeira loja brasileira, num endereço
chique de São Paulo. Nos Estados Unidos, a mais famosa badalação
no assunto acontece durante a semana de moda de Nova York, onde a marca
Lane Bryant, voltada para cheinhas descoladas, faz um desfile só
com modelos consideradas acima do peso Kelly Osbourne e Mia Tyler,
filha do também roqueiro Steven Tyler e irmã da magérrima
Liv, estiveram na passarela no mês passado.
Para quem
tem ousadia e senso de estilo, como Kelly Osbourne ou Preta Gil, praticamente
tudo é permitido. Para quem ainda está ensaiando, conselhos
consagrados continuam valendo. "O top que valoriza o colo fica bem com
uma saia evasê, que disfarça o quadril grande. O melhor comprimento
é abaixo do joelho", diz Emília Duncan, figurinista da Rede
Globo. Os tecidos mais adequados são os moles, como sedas e georgettes,
que dão idéia de leveza. Nada de materiais que armem, como
o tafetá e o tule. No verão, o desafio é saber dosar
o que fica à mostra. Decotes nas costas, por exemplo, não
são recomendados pelos especialistas. Qualquer pedaço do
abdômen de fora só quando a linha da cintura ainda é
discernível. Nem pensar em comprar modelos menores que seu manequim
na esperança de "comprimir" o que está sobrando. "Evitar
roupa muito apertada é o primeiro passo para estar bem-vestida",
ensina a consultora de moda Fabiana Kherlakian. E alerta: "O que fica
bom numa cheinha alta pode ficar um horror na baixinha. Antes de tudo,
o importante é conhecer o próprio corpo".
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