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Outro passo na luta
contra o pior câncer
Pesquisadores
desvendam o
mecanismo de formação do
mais agressivo tumor de pulmão

Paula Neiva

Veja também |
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Pesquisadores
da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, desvendaram o mecanismo
de crescimento do tipo mais agressivo de câncer de pulmão.
Chamado de tumor de células pequenas, ele está intrinsecamente
relacionado ao vício do cigarro. De cada 100 pacientes, 99 são
fumantes e 90 morrem até dois anos depois do diagnóstico.
Publicada na última edição da revista científica
Nature, a descoberta abre caminho para a criação
de remédios capazes de conter o avanço da doença.
O entusiasmo em torno da novidade é tão grande que os médicos
americanos já começaram a estudar substâncias que
teriam o poder de inibir a proliferação das células
cancerosas. As pesquisas ainda estão na fase de testes com ratos
de laboratório e experiências com células humanas
em tubos de ensaio, mas uma droga em especial, a ciclopamina, apresenta
resultados promissores. Há ainda um longo percurso até a
criação de um novo remédio para o combate do mais
letal dos cânceres. Mas o primeiro passo foi dado.
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O
grande assassino
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De todos os tipos de câncer, o de pulmão é o
mais letal
Em 2002, a doença matou 16 000 brasileiros
90% dos pacientes são fumantes
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Há
no corpo humano uma proteína chamada Sonic Hedgehog (Shh), nome
dado em alusão ao porco-espinho supersônico, herói
de um videogame japonês. Responsável pela multiplicação
e diferenciação das células do pulmão, essa
proteína tem um papel importante durante o desenvolvimento embrionário.
Nos adultos, ela é praticamente inativa. Os pesquisadores da Johns
Hopkins descobriram, no entanto, que entre os fumantes a Shh volta a funcionar
a pleno vapor. A fim de compensar os danos que o tabagismo causa às
células pulmonares, o organismo reativa a Shh, para intensificar
a produção de novas células. Com a maior multiplicação
celular, cresce a probabilidade de surgimento de estruturas cancerosas.
Ou seja, é um mecanismo natural de reparo contra os males do cigarro
que pode causar o aparecimento do tumor. Os medicamentos em teste inibem
a ação da Shh, evitando que as células pulmonares
se multipliquem. Ao que tudo indica, o procedimento é seguro. Segundo
o oncologista Paulo Hoff, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo,
as células tumorais dependem muito mais da ação da
proteína para se multiplicar do que as células sadias. "Impedir
a ação da Shh seria, portanto, uma forma eficiente para
combater a doença, sem causar maiores efeitos colaterais", diz
o médico.
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Aspirina
contra câncer de cólon?
Luis Gomes
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Dois estudos publicados recentemente na revista científica
americana The New England Journal of Medicine revelam que
o consumo diário de aspirina pode diminuir os riscos de aparecimento
de pólipos na superfície do intestino. Essas formações
podem levar ao desenvolvimento do câncer colo-retal, a terceira
causa de morte por câncer no Brasil. Um dos trabalhos acompanhou
635 pacientes que já haviam tido esse tipo de câncer.
O outro estudo envolveu 1 121 pessoas que tiveram pólipos
benignos. Nos dois trabalhos, os resultados mostraram reduções
na quantidade e no tamanho dos pólipos. Ao comparar os pacientes
que tomaram aspirina com os que ingeriram placebo, no primeiro estudo,
observou-se uma diminuição de 36% no aparecimento
de novos pólipos. No outro, a redução chegou
a 60%. Apesar dos bons resultados, os especialistas são cautelosos
ao recomendar o consumo regular de aspirina para combater os pólipos.
Isso porque o medicamento pode causar sangramentos e úlceras
gástricas.
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