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Edição 1 794 - 19 de março de 2003
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Outro passo na luta
contra o pior câncer

Pesquisadores desvendam o
mecanismo de formação do

mais agressivo tumor de pulmão

Paula Neiva


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Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, desvendaram o mecanismo de crescimento do tipo mais agressivo de câncer de pulmão. Chamado de tumor de células pequenas, ele está intrinsecamente relacionado ao vício do cigarro. De cada 100 pacientes, 99 são fumantes – e 90 morrem até dois anos depois do diagnóstico. Publicada na última edição da revista científica Nature, a descoberta abre caminho para a criação de remédios capazes de conter o avanço da doença. O entusiasmo em torno da novidade é tão grande que os médicos americanos já começaram a estudar substâncias que teriam o poder de inibir a proliferação das células cancerosas. As pesquisas ainda estão na fase de testes com ratos de laboratório e experiências com células humanas em tubos de ensaio, mas uma droga em especial, a ciclopamina, apresenta resultados promissores. Há ainda um longo percurso até a criação de um novo remédio para o combate do mais letal dos cânceres. Mas o primeiro passo foi dado.

O grande assassino

De todos os tipos de câncer, o de pulmão é o mais letal

Em 2002, a doença matou 16 000 brasileiros

90% dos pacientes são fumantes

Há no corpo humano uma proteína chamada Sonic Hedgehog (Shh), nome dado em alusão ao porco-espinho supersônico, herói de um videogame japonês. Responsável pela multiplicação e diferenciação das células do pulmão, essa proteína tem um papel importante durante o desenvolvimento embrionário. Nos adultos, ela é praticamente inativa. Os pesquisadores da Johns Hopkins descobriram, no entanto, que entre os fumantes a Shh volta a funcionar a pleno vapor. A fim de compensar os danos que o tabagismo causa às células pulmonares, o organismo reativa a Shh, para intensificar a produção de novas células. Com a maior multiplicação celular, cresce a probabilidade de surgimento de estruturas cancerosas. Ou seja, é um mecanismo natural de reparo contra os males do cigarro que pode causar o aparecimento do tumor. Os medicamentos em teste inibem a ação da Shh, evitando que as células pulmonares se multipliquem. Ao que tudo indica, o procedimento é seguro. Segundo o oncologista Paulo Hoff, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, as células tumorais dependem muito mais da ação da proteína para se multiplicar do que as células sadias. "Impedir a ação da Shh seria, portanto, uma forma eficiente para combater a doença, sem causar maiores efeitos colaterais", diz o médico.

 

Aspirina contra câncer de cólon?

Luis Gomes


Dois estudos publicados recentemente na revista científica americana The New England Journal of Medicine revelam que o consumo diário de aspirina pode diminuir os riscos de aparecimento de pólipos na superfície do intestino. Essas formações podem levar ao desenvolvimento do câncer colo-retal, a terceira causa de morte por câncer no Brasil. Um dos trabalhos acompanhou 635 pacientes que já haviam tido esse tipo de câncer. O outro estudo envolveu 1 121 pessoas que tiveram pólipos benignos. Nos dois trabalhos, os resultados mostraram reduções na quantidade e no tamanho dos pólipos. Ao comparar os pacientes que tomaram aspirina com os que ingeriram placebo, no primeiro estudo, observou-se uma diminuição de 36% no aparecimento de novos pólipos. No outro, a redução chegou a 60%. Apesar dos bons resultados, os especialistas são cautelosos ao recomendar o consumo regular de aspirina para combater os pólipos. Isso porque o medicamento pode causar sangramentos e úlceras gástricas.

 

 

 

   
 
   
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