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Até parece
remédio
O nome
é feio: cosmecêutica. Mas
o ramo dos cosméticos que agem
como medicamento é uma beleza
para fabricantes e consumidores

Anna Paula
Buchalla
Esconder
o que é feio, realçar o que é bonito essa
tem sido há séculos a função (e o limite)
da cosmética. Mas nos últimos anos, com a ajuda da indústria
farmacêutica, as suas fronteiras foram ampliadas. Surgiu, inclusive,
um novo ramo: a cosmecêutica. Sob esse nome feiíssimo, agrupam-se
os comésticos com propriedades terapêuticas e os remédios
com o poder de embelezar. Ou seja, além de esconder o feio, realçar
o que é bonito, esses produtos esticam os sinais exteriores de
juventude e tratam o que está por dentro para melhorar o que está
por fora. Os primeiros cremes anti-rugas, por exemplo, eram basicamente
exfoliantes. Já os mais modernos, os da cosmecêutica, contêm
substâncias capazes de agir nas camadas mais profundas da pele,
estimular a renovação celular e incrementar a produção
de colágeno, a fibra de sustentação da pele.
Nos últimos
cinco anos, houve uma explosão de consumo de cosmecêuticos.
Só a venda de cremes hidratantes com propriedades terapêuticas
cresceu 30% no período. O comércio de filtros solares com
fórmulas mais refinadas, que não causam acne nem irritação,
aumentou 70%. São produtos de venda livre, mas com preços
bem mais altos do que os dos cosméticos comuns. Um desses superprotetores
pode custar até 60 reais o triplo do que se paga por esses
filtros que todo mundo leva para a praia. O alto custo tem razão
de ser. A produção desses cremes e loções
requer tecnologia de ponta. Não é simples criar um cosmético
com poder de um remédio, mas com textura e cheiro agradáveis.
É o caso do Ureadin, um hidratante recém-lançado
no mercado brasileiro pelo laboratório Medley. Trata-se do primeiro
hidratante a ter uma concentração de uréia a 20%,
sem oferecer riscos de intoxicação e sem aquele odor insuportável
de urina. Até então, as farmácias ofereciam produtos
com, no máximo, 10% de uréia. Essa concentração
maior faz uma tremenda diferença. Por causa dela, o hidratante
consegue reter mais água dentro das células da pele. Seu
tempo de ação é de até doze horas e, não
menos importante, ele não lambuza. Os hidratantes tradicionais
funcionam apenas como uma espécie de capa que dificulta a saída
da água pelos poros. Além de deixarem a pele melada, seus
efeitos duram somente três horas, em média.
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A
serviço da beleza
Como
funcionam os principais cosméticos
com propriedades terapêuticas
CREMES ANTI-RUGAS
À
base de ácidos ou compostos antioxidantes, agem nas camadas
mais profundas da pele. Suavizam e previnem as rugas ao combater
a flacidez cutânea e os radicais livres, as moléculas
tóxicas que aceleram o envelhecimento
HIDRATANTES
Os
hidratantes de última geração retêm a
água no interior das células da pele
PROTETORES
SOLARES
A
formulação dos novos protetores permite seu uso diário,
sem o risco de aparecimento de acne. À base de substâncias
como o dióxido de titânio e o óxido de zinco,
impedem por mais tempo que os raios solares entrem na pele
LOÇÕES
CAPILARES
Os
produtos mais modernos estabilizam a divisão das células
do couro cabeludo, diminuindo a oleosidade e, conseqüentemente,
a caspa. Contra a calvície, as loções à
base de minoxidil podem ajudar nos casos mais leves
Fonte:
Valcinir Bedin, presidente da
Sociedade Brasileira de Medicina Estética em São Paulo
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