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Edição 1 794 - 19 de março de 2003
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Até parece remédio

O nome é feio: cosmecêutica. Mas
o ramo dos cosméticos que agem
como medicamento é uma beleza
para fabricantes e consumidores

Anna Paula Buchalla

Esconder o que é feio, realçar o que é bonito – essa tem sido há séculos a função (e o limite) da cosmética. Mas nos últimos anos, com a ajuda da indústria farmacêutica, as suas fronteiras foram ampliadas. Surgiu, inclusive, um novo ramo: a cosmecêutica. Sob esse nome feiíssimo, agrupam-se os comésticos com propriedades terapêuticas e os remédios com o poder de embelezar. Ou seja, além de esconder o feio, realçar o que é bonito, esses produtos esticam os sinais exteriores de juventude e tratam o que está por dentro para melhorar o que está por fora. Os primeiros cremes anti-rugas, por exemplo, eram basicamente exfoliantes. Já os mais modernos, os da cosmecêutica, contêm substâncias capazes de agir nas camadas mais profundas da pele, estimular a renovação celular e incrementar a produção de colágeno, a fibra de sustentação da pele.

Nos últimos cinco anos, houve uma explosão de consumo de cosmecêuticos. Só a venda de cremes hidratantes com propriedades terapêuticas cresceu 30% no período. O comércio de filtros solares com fórmulas mais refinadas, que não causam acne nem irritação, aumentou 70%. São produtos de venda livre, mas com preços bem mais altos do que os dos cosméticos comuns. Um desses superprotetores pode custar até 60 reais – o triplo do que se paga por esses filtros que todo mundo leva para a praia. O alto custo tem razão de ser. A produção desses cremes e loções requer tecnologia de ponta. Não é simples criar um cosmético com poder de um remédio, mas com textura e cheiro agradáveis. É o caso do Ureadin, um hidratante recém-lançado no mercado brasileiro pelo laboratório Medley. Trata-se do primeiro hidratante a ter uma concentração de uréia a 20%, sem oferecer riscos de intoxicação e sem aquele odor insuportável de urina. Até então, as farmácias ofereciam produtos com, no máximo, 10% de uréia. Essa concentração maior faz uma tremenda diferença. Por causa dela, o hidratante consegue reter mais água dentro das células da pele. Seu tempo de ação é de até doze horas e, não menos importante, ele não lambuza. Os hidratantes tradicionais funcionam apenas como uma espécie de capa que dificulta a saída da água pelos poros. Além de deixarem a pele melada, seus efeitos duram somente três horas, em média.

 

A serviço da beleza

Como funcionam os principais cosméticos
com propriedades terapêuticas


CREMES ANTI-RUGAS

À base de ácidos ou compostos antioxidantes, agem nas camadas mais profundas da pele. Suavizam e previnem as rugas ao combater a flacidez cutânea e os radicais livres, as moléculas tóxicas que aceleram o envelhecimento

HIDRATANTES

Os hidratantes de última geração retêm a água no interior das células da pele

PROTETORES SOLARES

A formulação dos novos protetores permite seu uso diário, sem o risco de aparecimento de acne. À base de substâncias como o dióxido de titânio e o óxido de zinco, impedem por mais tempo que os raios solares entrem na pele

LOÇÕES CAPILARES

Os produtos mais modernos estabilizam a divisão das células do couro cabeludo, diminuindo a oleosidade e, conseqüentemente, a caspa. Contra a calvície, as loções à base de minoxidil podem ajudar nos casos mais leves

Fonte: Valcinir Bedin, presidente da
Sociedade Brasileira de Medicina Estética em São Paulo



   
 
   
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