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Edição 1 794 - 19 de março de 2003
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A NBA agora tem sotaque

Nunca houve tanto estrangeiro
jogando basquete profissional
nos Estados Unidos


Fotos Reuters
ters
O brasileiro Nenê Hilário e o turco Hidayet Turkoglu:
65 jogadores de 34 países

Todo ano acontece a mesma coisa na liga americana de basquete profissional. A crítica chama a atenção para dois ou três atletas egressos da universidade cujo desempenho no campeonato amador promete transformá-los em estrelas de primeira grandeza. Daí a temporada chega ao fim e os torcedores continuam com saudade de Larry Bird, Magic Johnson, Michael Jordan... Não que os jogadores novos sejam ruins. Ao contrário, eles são ótimos. Só que a NBA está à procura de uma superestrela – alguém que, além de jogar bem, seja um ídolo capaz de aumentar a audiência nas transmissões de TV e catapultar o faturamento publicitário da liga. E isso só acontece raramente. Numa tentativa de ampliar suas chances de achar um superastro, a NBA decidiu há alguns anos alargar a base de recrutamento de novatos. Além de ir às universidades americanas, os chefões da liga recorrem a jogadores que atuam em outros países. Na atual temporada, a liga bateu um recorde. São 65 jogadores de 34 nacionalidades. Nenhum dos estrangeiros recém-contratados vem sendo apontado como o Pelé das quadras, mas a chegada deles produziu um efeito colateral significativo para a liga. A audiência dos jogos fora do território americano aumentou e a venda de material relacionado à NBA em outros países já representa 20% do total arrecadado – um caixa adicional de quase meio bilhão de dólares.

Entre os jogadores estrangeiros, está o brasileiro Maybyner Rodney Hilário, o Nenê, pivô do Denver Nuggets. A estrela forasteira, no entanto, é o gigante chinês Yao Ming, de 22 anos, 2,26 metros e 134 quilos. Contratado como pivô do Houston Rockets, Yao é hoje o dono dos olhos puxados mais conhecidos nos Estados Unidos. Num jantar recente oferecido por George W. Bush ao presidente chinês, Jiang Zemin, Yao foi a grande atração. Bush virou-se para Jiang e comentou em tom de brincadeira: "Você deve se conformar em ser o segundo rosto chinês mais reconhecido na América". Os anunciantes, é claro, já perceberam o potencial de Yao como ponte para um mercado de 1,3 bilhão de chineses. O jogador assinou contratos publicitários com a Apple, a Visa e a Nike. Gravou três comerciais para a televisão e prepara seu próprio jogo de videogame. Na China, a audiência média de seus jogos atinge quase 300 milhões de lares. As contas mais modestas informam que, entre salário e contratos publicitários, Yao Ming embolsa anualmente perto de 20 milhões de dólares.

   
 
   
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