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A NBA agora tem sotaque
Nunca
houve tanto estrangeiro
jogando basquete profissional
nos Estados Unidos
Fotos Reuters
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ters
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O
brasileiro Nenê Hilário e o turco Hidayet Turkoglu:
65 jogadores de 34 países |
Todo ano
acontece a mesma coisa na liga americana de basquete profissional. A crítica
chama a atenção para dois ou três atletas egressos
da universidade cujo desempenho no campeonato amador promete transformá-los
em estrelas de primeira grandeza. Daí a temporada chega ao fim
e os torcedores continuam com saudade de Larry Bird, Magic Johnson, Michael
Jordan... Não que os jogadores novos sejam ruins. Ao contrário,
eles são ótimos. Só que a NBA está à
procura de uma superestrela alguém que, além de jogar
bem, seja um ídolo capaz de aumentar a audiência nas transmissões
de TV e catapultar o faturamento publicitário da liga. E isso só
acontece raramente. Numa tentativa de ampliar suas chances de achar um
superastro, a NBA decidiu há alguns anos alargar a base de recrutamento
de novatos. Além de ir às universidades americanas, os chefões
da liga recorrem a jogadores que atuam em outros países. Na atual
temporada, a liga bateu um recorde. São 65 jogadores de 34 nacionalidades.
Nenhum dos estrangeiros recém-contratados vem sendo apontado como
o Pelé das quadras, mas a chegada deles produziu um efeito colateral
significativo para a liga. A audiência dos jogos fora do território
americano aumentou e a venda de material relacionado à NBA em outros
países já representa 20% do total arrecadado um caixa
adicional de quase meio bilhão de dólares.
Entre os
jogadores estrangeiros, está o brasileiro Maybyner Rodney Hilário,
o Nenê, pivô do Denver Nuggets. A estrela forasteira, no entanto,
é o gigante chinês Yao Ming, de 22 anos, 2,26 metros e 134
quilos. Contratado como pivô do Houston Rockets, Yao é hoje
o dono dos olhos puxados mais conhecidos nos Estados Unidos. Num jantar
recente oferecido por George W. Bush ao presidente chinês, Jiang
Zemin, Yao foi a grande atração. Bush virou-se para Jiang
e comentou em tom de brincadeira: "Você deve se conformar em ser
o segundo rosto chinês mais reconhecido na América". Os anunciantes,
é claro, já perceberam o potencial de Yao como ponte para
um mercado de 1,3 bilhão de chineses. O jogador assinou contratos
publicitários com a Apple, a Visa e a Nike. Gravou três comerciais
para a televisão e prepara seu próprio jogo de videogame.
Na China, a audiência média de seus jogos atinge quase 300
milhões de lares. As contas mais modestas informam que, entre salário
e contratos publicitários, Yao Ming embolsa anualmente perto de
20 milhões de dólares.
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