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A praga dos gorilas
Epidemia
de
Ebola está dizimando os grandes macacos da África
Central
AP
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| Fêmea
com filhote: doença é fatal para macacos e seres humanos
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Uma catástrofe
ameaça uma das últimas colônias de gorilas da África.
Uma epidemia de Ebola já matou mais de 300 desses grandes macacos
no santuário de Lossi, no noroeste do Congo. Trata-se de uma perda
devastadora, pois representa o desaparecimento de um quarto da população
de gorilas da reserva. As primeiras mortes foram observadas em novembro
pelos cientistas que monitoram as andanças dos bandos pela floresta.
No mês seguinte, foram recolhidas as carcaças de quatro gorilas
e dois chimpanzés todos eles estavam contaminados pelo vírus
Ebola. A doença é extremamente contagiosa e não tem
cura ou vacina conhecidas. Provoca violenta hemorragia interna, mata nove
em cada dez contaminados e atinge igualmente o homem e os grandes macacos,
seus primos na árvore da evolução. O Parque Nacional
de Odzala, 15 quilômetros ao norte, ainda não registrou nenhum
caso de Ebola entre seus gorilas, mas foi fechado aos turistas como medida
de precaução. O pior é que há indícios
de que a epidemia tenha proporções ainda mais devastadoras
nas florestas da África Central, a região mais densamente
povoada pelo chamado gorila da planície, uma das duas raças
da espécie.
Um levantamento
do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) no vizinho Gabão mostrou
que gorilas e chimpanzés desapareceram de uma área de 20.000
quilômetros quadrados do Parque Nacional de Minkebe entre 1990 e
2000. "Sumiram 10.000 animais naquela área",
disse a VEJA o americano William Karesh, chefe do departamento de veterinária
de campo da Sociedade de Conservação Mundial. "Poderíamos
pensar em migração, mas os gorilas não são
nômades. Acho que parte deles foi vítima da caça.
Os outros foram mortos pelo Ebola." O Congo vive atualmente um surto da
doença entre os seres humanos, com 88 mortes registradas até
a semana passada. O principal foco da doença está localizado,
não por acaso, a 30 quilômetros da reserva de Lossi. O vírus
Ebola foi descoberto em 1976 nas margens do Rio Ebola, no Congo, e ainda
não se descobriu se a doença teve origem no homem ou em
algum animal. O que se sabe é que ela é transmitida pelo
contato com saliva ou sangue do doente. Uma hipótese é que
tenha sido espalhada entre os seres humanos por caçadores que tiveram
contato com gorilas ou chimpanzés contaminados.
Ninguém
sabe como a epidemia começou entre os grandes macacos. Uma das
suposições é que, para evitar a internação
hospitalar, alguns doentes tenham se escondido na mata, onde morreram.
Chimpanzés e gorilas podem muito bem ter se alimentado de seus
restos. "Quando as pessoas são infectadas, nós podemos educá-las
sobre o risco de tocar ou consumir animais mortos ou doentes. Se adoecem,
podemos tratá-las no hospital", afirma Karesh. "Mas com os animais
só podemos deixar a natureza seguir seu curso na floresta." A epidemia
de Ebola é mais uma má notícia para o futuro dos
primatas. Um estudo da ONU previu que dentro de trinta anos o habitat
dos grandes macacos africanos estará reduzido a 10% do tamanho
atual. Uma em cada três espécies de macacos existentes no
mundo está ameaçada de extinção. Na lista
de maior risco estão o orangotango, que vive nas florestas da Indonésia,
o brasileiro muriqui e o gorila da África.
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