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Edição 1 794 - 19 de março de 2003
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Programa de milionário

Com audiência nas alturas e vistos
em mais de 100 países, astros
americanos lucram milhões com seus
quinze minutos semanais de fama

Gabriela Carelli

O artista plástico Andy Warhol dizia que no futuro todo mundo teria quinze minutos de fama. Para rostos como o da atriz Jennifer Aniston cada um desses quinze minutos se traduz em milhões de dólares de rendimento. Na bilionária indústria do entretenimento dos Estados Unidos, os salários dos atores e apresentadores de televisão são atualmente o maior espetáculo. O ator Kelsey Grammer, o mais bem pago em toda a história da TV, recebe 1,6 milhão de dólares para estrelar cada episódio do seriado Frasier, em que interpreta um psiquiatra. São 38,4 milhões de dólares por ano, o que dá uma média de 4 383 dólares a cada sessenta minutos, incluindo as horas de sono de Grammer. Jennifer Aniston, a loira vistosa da série Friends, ganha 1 milhão de dólares pela mesma meia hora de episódio. Ao longo do ano, recebe, em média, 22 milhões de dólares apenas com o programa. Oprah Winfrey, de 49 anos, a diva dos talk shows americanos, faturou 300 milhões de dólares no ano passado e tornou-se a primeira mulher negra a ser incluída na recém-publicada lista de bilionários da revista Forbes. Um exercício aritmético simples mostra quanto a fama pode chegar a valer. Esse exercício consiste em comparar o rendimento dos atores com o salário na vida real dos personagens que eles interpretam. Um dos mais bem pagos cronistas esportivos dos Estados Unidos, Rick Reilly, levou 24 anos de profissão para conseguir um salário anual de 750.000 dólares. Para interpretar um jornalista da mesma área, o ator e produtor Ray Romano ganha 25 vezes mais. George W. Bush, o homem mais poderoso do mundo, recebe menos que Martin Sheen, que faz o papel de presidente dos Estados Unidos na televisão. O homem que ocupa a Casa Branca ganha 400.000 dólares por ano, enquanto o ator ganha 300.000 por semana. Quando cai no gosto do público, um artista se torna uma mina de ouro para as emissoras de televisão. Nada menos que 23 milhões de americanos se acomodam no sofá a cada episódio de Friends, o segundo programa mais assistido entre os 152 transmitidos no horário nobre dos Estados Unidos. O comediante James Belushi, que há dois anos deixou o cinema para estrelar a série According to Jim, explicou a força da telinha da seguinte forma: "Para continuar na TV, preciso conquistar 15 milhões de espectadores por semana. Atrair esse público num fim de semana para ver um filme meu é impossível", diz ele.

A audiência gera publicidade na mesma proporção, o que garante mais recursos para bancar salários tão polpudos. Um comercial de trinta segundos no intervalo da série Friends é um dos mais caros da televisão: 450.000 dólares. "A inserção de comercial em Friends só é menos cara que no Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano, e na entrega do Oscar", disse a VEJA Feona McEwan, da holding de publicidade WPP. Uma inserção durante o Super Bowl custou 2,2 milhões de dólares. Um comercial no Oscar 2002 custou 1,2 milhão de dólares. De uns anos para cá, a venda dos programas americanos no exterior tornou-se outra formidável fonte de renda, devidamente explorada pelos empresários dos artistas. "Quanto maior o alcance de uma série ou programa no exterior, maiores serão os lucros da emissora e maiores serão os salários dos astros", diz Carolina Vianna, gerente de marketing do canal Sony do Brasil. Só na América Latina Friends é transmitido para vinte países. O talk show da bilionária Oprah atinge 140 países.

A televisão americana é uma indústria de proporções gigantescas. No ano passado, ela absorveu a maior parte dos 117 bilhões de dólares gastos em publicidade. No Brasil, a televisão faturou 5,6 bilhões de reais com os anúncios no mesmo período. Mas não é só na telinha que os números americanos impressionam. O galã Leonardo DiCaprio ganhou 33 milhões de dólares em 2002: 20 milhões de dólares por sua atuação no filme Prenda-me Se For Capaz, de Steven Spielberg. No campo da música, o ex-beatle Paul McCartney continua soberano e mais rico do que nunca. Sua fortuna estimada em 1 bilhão de dólares foi acrescida de outros 190 milhões de dólares no ano passado. O cachê de cantores e cantoras supera até mesmo a hiperinflacionada turma de atores e atrizes. A canadense Celine Dion acaba de fechar um contrato com um hotel de Las Vegas em que vai ganhar 100 milhões de dólares para apresentar-se ali durante três anos. É cinco vezes o valor do contrato que Mariah Carey fechou com uma gravadora para fazer três álbuns. Tem cada vez mais gente disposta a pagar mais para assistir aos quinze minutos de fama das celebridades.

   
 
   
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