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Programa de milionário
Com audiência
nas alturas e vistos
em mais de 100 países, astros
americanos lucram milhões com seus
quinze minutos semanais de fama

Gabriela
Carelli
O artista
plástico Andy Warhol dizia que no futuro todo mundo teria quinze
minutos de fama. Para rostos como o da atriz Jennifer Aniston cada um
desses quinze minutos se traduz em milhões de dólares de
rendimento. Na bilionária indústria do entretenimento dos
Estados Unidos, os salários dos atores e apresentadores de televisão
são atualmente o maior espetáculo. O ator Kelsey Grammer,
o mais bem pago em toda a história da TV, recebe 1,6 milhão
de dólares para estrelar cada episódio do seriado Frasier,
em que interpreta um psiquiatra. São 38,4 milhões de dólares
por ano, o que dá uma média de 4 383 dólares a cada
sessenta minutos, incluindo as horas de sono de Grammer. Jennifer Aniston,
a loira vistosa da série Friends, ganha 1 milhão
de dólares pela mesma meia hora de episódio. Ao longo do
ano, recebe, em média, 22 milhões de dólares apenas
com o programa. Oprah Winfrey, de 49 anos, a diva dos talk shows americanos,
faturou 300 milhões de dólares no ano passado e tornou-se
a primeira mulher negra a ser incluída na recém-publicada
lista de bilionários da revista Forbes. Um exercício
aritmético simples mostra quanto a fama pode chegar a valer. Esse
exercício consiste em comparar o rendimento dos atores com o salário
na vida real dos personagens que eles interpretam. Um dos mais bem pagos
cronistas esportivos dos Estados Unidos, Rick Reilly, levou 24 anos de
profissão para conseguir um salário anual de 750.000
dólares. Para interpretar um jornalista da mesma área, o
ator e produtor Ray Romano ganha 25 vezes mais. George W. Bush, o homem
mais poderoso do mundo, recebe menos que Martin Sheen, que faz o papel
de presidente dos Estados Unidos na televisão. O homem que ocupa
a Casa Branca ganha 400.000 dólares
por ano, enquanto o ator ganha 300.000 por
semana. Quando cai no gosto do público, um artista se torna uma
mina de ouro para as emissoras de televisão. Nada menos que 23
milhões de americanos se acomodam no sofá a cada episódio
de Friends, o segundo programa mais assistido entre os 152 transmitidos
no horário nobre dos Estados Unidos. O comediante James Belushi,
que há dois anos deixou o cinema para estrelar a série According
to Jim, explicou a força da telinha da seguinte forma: "Para
continuar na TV, preciso conquistar 15 milhões de espectadores
por semana. Atrair esse público num fim de semana para ver um filme
meu é impossível", diz ele.
A audiência
gera publicidade na mesma proporção, o que garante mais
recursos para bancar salários tão polpudos. Um comercial
de trinta segundos no intervalo da série Friends é
um dos mais caros da televisão: 450.000
dólares. "A inserção de comercial em Friends
só é menos cara que no Super Bowl, a final do campeonato
de futebol americano, e na entrega do Oscar", disse a VEJA Feona McEwan,
da holding de publicidade WPP. Uma inserção durante o Super
Bowl custou 2,2 milhões de dólares. Um comercial no Oscar
2002 custou 1,2 milhão de dólares. De uns anos para cá,
a venda dos programas americanos no exterior tornou-se outra formidável
fonte de renda, devidamente explorada pelos empresários dos artistas.
"Quanto maior o alcance de uma série ou programa no exterior, maiores
serão os lucros da emissora e maiores serão os salários
dos astros", diz Carolina Vianna, gerente de marketing do canal Sony do
Brasil. Só na América Latina Friends é transmitido
para vinte países. O talk show da bilionária Oprah atinge
140 países.
A televisão
americana é uma indústria de proporções gigantescas.
No ano passado, ela absorveu a maior parte dos 117 bilhões de dólares
gastos em publicidade. No Brasil, a televisão faturou 5,6 bilhões
de reais com os anúncios no mesmo período. Mas não
é só na telinha que os números americanos impressionam.
O galã Leonardo DiCaprio ganhou 33 milhões de dólares
em 2002: 20 milhões de dólares por sua atuação
no filme Prenda-me Se For Capaz, de Steven Spielberg. No campo
da música, o ex-beatle Paul McCartney continua soberano e mais
rico do que nunca. Sua fortuna estimada em 1 bilhão de dólares
foi acrescida de outros 190 milhões de dólares no ano passado.
O cachê de cantores e cantoras supera até mesmo a hiperinflacionada
turma de atores e atrizes. A canadense Celine Dion acaba de fechar um
contrato com um hotel de Las Vegas em que vai ganhar 100 milhões
de dólares para apresentar-se ali durante três anos. É
cinco vezes o valor do contrato que Mariah Carey fechou com uma gravadora
para fazer três álbuns. Tem cada vez mais gente disposta
a pagar mais para assistir aos quinze minutos de fama das celebridades.
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