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CINEMA
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| Arca
Russa: filmado em uma hora e meia,
sem nenhum corte |
Arca
Russa (Russkij Kovcheg, Rússia/Alemanha, 2002. A
partir de sexta-feira em São Paulo) O diretor russo Aleksandr
Sokurov realizou um feito sem precedentes: um filme inteiro rodado em
seqüência, sem nenhum corte. Durante uma hora e meia, a platéia
segue o cineasta presente no filme na forma de uma voz que conversa
com o seu guia, um aristocrata francês do século XIX
pelos corredores e salões do Museu Hermitage, de São Petersburgo,
uma das jóias herdadas do regime czarista. Do tempo de Pedro, o
Grande aos dias de hoje, o passeio emprega cerca de 2 000 atores e atravessa
mais de 200 anos de história russa. Sokurov dispôs do Hermitage
por apenas dois dias, e só acertou essa imensa coreografia na quarta
tentativa algo preocupante para uma filmagem no inverno, quando
não há mais do que quatro horas de luz ao dia. Esse experimentalismo
formal sempre foi uma marca registrada da arte russa. Mas Sokurov não
o utiliza como um fim em si mesmo, e sim como um modo de fazer com que
esses dois séculos de convulsões sejam vividos num só
fôlego. O resultado nunca é menos do que deslumbrante. Veja
o trailer.
Divulgação
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| Novas
Roupas: um Napoleão que vende
melões |
As Novas Roupas do Imperador (The Emperor's New Clothes,
Inglaterra/Itália/Alemanha, 2001. Em cartaz em São Paulo)
Pela terceira vez em sua carreira, o ator inglês Ian Holm
interpreta Napoleão Bonaparte. Mas, nessa comédia, o imperador
tem um destino diverso do registrado pela história: substituído
por um sósia em seu exílio na Ilha de Santa Helena, ele
volta a Paris para retomar o poder. Seus planos, porém, não
seguem como o esperado. Incapaz de convencer quem quer que seja de sua
identidade, Napoleão se vê condenado a vender melões
na rua em companhia de uma jovem viúva. Dirigido por Alan Taylor,
veterano de séries como Six Feet Under e Os Sopranos,
o filme nunca recorre ao óbvio, que seria a caricatura. Em vez
disso, compõe um retrato afetuoso de um homem compelido a redescobrir-se.
LIVROS
Os
Investigadores, de Daniel J. Boorstin (tradução
de Max Altman; Civilização Brasileira; 416 páginas;
45 reais) O historiador Daniel Boorstin foi diretor da gigantesca
biblioteca do Congresso dos Estados Unidos durante mais de dez anos e
ostenta no currículo prêmios importantes como o Pulitzer.
Os Investigadores é o volume que fecha uma trilogia em que
Boorstin se revela no melhor de sua forma como ensaísta. No livro,
ele se dedica a analisar o que teria movido grandes personagens da história,
do profeta Moisés ao físico Albert Einstein, em suas inquietações
sobre o sentido da existência humana e do universo e como
esse impulso os levou a realizações que mudariam os rumos
da história.
Dez
Dias que Abalaram o Mundo, de John Reed (tradução
de Denise Tavares Gonçalves; Ediouro; 536 páginas; 59 reais)
Misto de jornalista e aventureiro, o americano John Reed estava
na Rússia no calor da revolução comunista de 1917.
Testemunha ocular da história, ele acabou produzindo esse relato
do episódio que até hoje é considerado um exemplo
de bom jornalismo. Não é o caso. Como a introdução
derramada do líder bolchevique Lenin já denuncia, Dez
Dias que Abalaram o Mundo está longe de ser uma narrativa neutra.
Militante socialista, Reed tem uma visão apaixonada a favor dos
revolucionários e por isso é parcial e muitas vezes
ingênuo. Mas há que se fazer justiça: seu livro continua
a ser um documento de um dos momentos-chave do século XX. Leia
trechos do livro.
DISCOS
Divulgação
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| Corgan
(sentado): em
boa forma |
Mary
Star of the Sea, Zwan (Warner) Para certos roqueiros, não
existe remédio melhor para curar a falta de criatividade do que
a dissolução de seu grupo. Foi o caso do cantor e guitarrista
americano Billy Corgan. Ex-líder dos Smashing Pumpkins, um dos
principais ícones do rock alternativo na década passada,
ele encerrou as atividades da banda em dezembro de 2000, quando já
fazia um bom tempo que ela não criava nada de interessante. Agora
Corgan volta à cena com o Zwan, e prova que ainda sabe como servir
um banquete pop. Gestado em dois anos de ensaios e gravações,
Mary Star of the Sea é um disco alto-astral e freqüentemente
empolgante, em faixas como Settle Down e Endless Summer.
Divulgação
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| Asian
Dub: tem até brasileiro |
Enemy
of the Enemy, Asian Dub Foundation (EMI) O grupo anglo-indiano
sabe dosar música e política, o que é raro no universo
pop. O estilo do Asian Dub Foundation é indefinível: reggae
e funk são tocados de modo acelerado, acrescidos de guitarras distorcidas
e influências de música indiana. As letras apontam o preconceito
contra os asiáticos (Fortress Europe) e também criticam
o modo bárbaro como mulheres são tratadas em determinados
países muçulmanos (1000 Mirrors). Sobrou até
para o Brasil. Uma das melhores canções de Enemy of the
Enemy é 19
Rebellions,na qual o grupo discorre sobre o massacre do
Carandiru, em 1992, quando 111 presos foram mortos pela polícia.
A faixa conta com a participação do rapper paulistano Edy
Rock.
Chico Nelson
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| Cartola:
faixas antológicas
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Saudade
de Meu Samba, vários intérpretes (BMG) Essa
compilação apresenta catorze sambas cantados por cinco dos
principais artistas do gênero: Cartola, Cyro Monteiro, Nelson Cavaquinho,
Ismael Silva e Zé Ketti. Algumas gravações são
bastante raras, outras nem tanto. Entrada Franca, Se Você Jura
e Pra Me Livrar do Mal, por exemplo, fazem parte de um álbum
que Ismael Silva lançou em 1973, difícil de encontrar até
mesmo nos sebos. As faixas de Cartola são Ciência e Arte
e Escurinho. Pertencem aos dois únicos álbuns
que o sambista gravou pela BMG, relançados recentemente em CD.
Raras ou não, todas as músicas são antológicas.
Para quem deseja ter um disco de samba clássico, esse é
uma boa escolha.
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