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Edição 1 790 - 19 de fevereiro de 2003
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CINEMA

Arca Russa: filmado em uma hora e meia, sem nenhum corte

Arca Russa (Russkij Kovcheg, Rússia/Alemanha, 2002. A partir de sexta-feira em São Paulo) – O diretor russo Aleksandr Sokurov realizou um feito sem precedentes: um filme inteiro rodado em seqüência, sem nenhum corte. Durante uma hora e meia, a platéia segue o cineasta – presente no filme na forma de uma voz que conversa com o seu guia, um aristocrata francês do século XIX – pelos corredores e salões do Museu Hermitage, de São Petersburgo, uma das jóias herdadas do regime czarista. Do tempo de Pedro, o Grande aos dias de hoje, o passeio emprega cerca de 2 000 atores e atravessa mais de 200 anos de história russa. Sokurov dispôs do Hermitage por apenas dois dias, e só acertou essa imensa coreografia na quarta tentativa – algo preocupante para uma filmagem no inverno, quando não há mais do que quatro horas de luz ao dia. Esse experimentalismo formal sempre foi uma marca registrada da arte russa. Mas Sokurov não o utiliza como um fim em si mesmo, e sim como um modo de fazer com que esses dois séculos de convulsões sejam vividos num só fôlego. O resultado nunca é menos do que deslumbrante. Veja o trailer.


Divulgação
Novas Roupas: um Napoleão que vende melões


As Novas Roupas do Imperador
(The Emperor's New Clothes, Inglaterra/Itália/Alemanha, 2001. Em cartaz em São Paulo) – Pela terceira vez em sua carreira, o ator inglês Ian Holm interpreta Napoleão Bonaparte. Mas, nessa comédia, o imperador tem um destino diverso do registrado pela história: substituído por um sósia em seu exílio na Ilha de Santa Helena, ele volta a Paris para retomar o poder. Seus planos, porém, não seguem como o esperado. Incapaz de convencer quem quer que seja de sua identidade, Napoleão se vê condenado a vender melões na rua em companhia de uma jovem viúva. Dirigido por Alan Taylor, veterano de séries como Six Feet Under e Os Sopranos, o filme nunca recorre ao óbvio, que seria a caricatura. Em vez disso, compõe um retrato afetuoso de um homem compelido a redescobrir-se.

 

LIVROS

Os Investigadores, de Daniel J. Boorstin (tradução de Max Altman; Civilização Brasileira; 416 páginas; 45 reais) – O historiador Daniel Boorstin foi diretor da gigantesca biblioteca do Congresso dos Estados Unidos durante mais de dez anos e ostenta no currículo prêmios importantes como o Pulitzer. Os Investigadores é o volume que fecha uma trilogia em que Boorstin se revela no melhor de sua forma como ensaísta. No livro, ele se dedica a analisar o que teria movido grandes personagens da história, do profeta Moisés ao físico Albert Einstein, em suas inquietações sobre o sentido da existência humana e do universo – e como esse impulso os levou a realizações que mudariam os rumos da história.

Dez Dias que Abalaram o Mundo, de John Reed (tradução de Denise Tavares Gonçalves; Ediouro; 536 páginas; 59 reais) – Misto de jornalista e aventureiro, o americano John Reed estava na Rússia no calor da revolução comunista de 1917. Testemunha ocular da história, ele acabou produzindo esse relato do episódio que até hoje é considerado um exemplo de bom jornalismo. Não é o caso. Como a introdução derramada do líder bolchevique Lenin já denuncia, Dez Dias que Abalaram o Mundo está longe de ser uma narrativa neutra. Militante socialista, Reed tem uma visão apaixonada a favor dos revolucionários – e por isso é parcial e muitas vezes ingênuo. Mas há que se fazer justiça: seu livro continua a ser um documento de um dos momentos-chave do século XX. Leia trechos do livro.

 

DISCOS

 
Divulgação
Corgan (sentado): em boa forma

Mary Star of the Sea, Zwan (Warner) – Para certos roqueiros, não existe remédio melhor para curar a falta de criatividade do que a dissolução de seu grupo. Foi o caso do cantor e guitarrista americano Billy Corgan. Ex-líder dos Smashing Pumpkins, um dos principais ícones do rock alternativo na década passada, ele encerrou as atividades da banda em dezembro de 2000, quando já fazia um bom tempo que ela não criava nada de interessante. Agora Corgan volta à cena com o Zwan, e prova que ainda sabe como servir um banquete pop. Gestado em dois anos de ensaios e gravações, Mary Star of the Sea é um disco alto-astral e freqüentemente empolgante, em faixas como Settle Down e Endless Summer.

 
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Asian Dub: tem até brasileiro

Enemy of the Enemy, Asian Dub Foundation (EMI) – O grupo anglo-indiano sabe dosar música e política, o que é raro no universo pop. O estilo do Asian Dub Foundation é indefinível: reggae e funk são tocados de modo acelerado, acrescidos de guitarras distorcidas e influências de música indiana. As letras apontam o preconceito contra os asiáticos (Fortress Europe) e também criticam o modo bárbaro como mulheres são tratadas em determinados países muçulmanos (1000 Mirrors). Sobrou até para o Brasil. Uma das melhores canções de Enemy of the Enemy é 19 Rebellions,na qual o grupo discorre sobre o massacre do Carandiru, em 1992, quando 111 presos foram mortos pela polícia. A faixa conta com a participação do rapper paulistano Edy Rock.

 
Chico Nelson
Cartola: faixas antológicas

Saudade de Meu Samba, vários intérpretes (BMG) – Essa compilação apresenta catorze sambas cantados por cinco dos principais artistas do gênero: Cartola, Cyro Monteiro, Nelson Cavaquinho, Ismael Silva e Zé Ketti. Algumas gravações são bastante raras, outras nem tanto. Entrada Franca, Se Você Jura e Pra Me Livrar do Mal, por exemplo, fazem parte de um álbum que Ismael Silva lançou em 1973, difícil de encontrar até mesmo nos sebos. As faixas de Cartola são Ciência e Arte e Escurinho. Pertencem aos dois únicos álbuns que o sambista gravou pela BMG, relançados recentemente em CD. Raras ou não, todas as músicas são antológicas. Para quem deseja ter um disco de samba clássico, esse é uma boa escolha.

   
 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
 
   
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