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Edição 1 790 - 19 de fevereiro de 2003
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]

 

Varig no exterior, TAM por aqui

Raul Junior
TAM e da Varig: fusão inicia decolagem

O desenho básico da fusão TAM/Varig está pronto. À Varig caberiam as linhas internacionais, aproveitando a marca forte da empresa no exterior. A marca TAM ficaria para os vôos domésticos. A idéia também é criar um nome para a holding. Assim como surgiu AmBev, da união de Brahma e Antarctica. Resta ainda resolver o abacaxi financeiro, é claro. Mas se a fusão decolar mesmo terá essa modelagem – com Daniel Mandelli, presidente da TAM, no manche, como principal executivo. Pode ser mera coincidência, mas, meses atrás, o todo-poderoso José Dirceu, chefe da Casa Civil de Lula, desfiava privadamente a alguns interlocutores exatamente essa solução para o setor aéreo brasileiro.


AVIAÇÃO

O contra-ataque da Gol
Vai começar a ofensiva do Davi da aviação para balançar o coreto da dupla Varig/TAM. Na terça-feira, a Gol levará aos céus uma promoção dos diabos: o passageiro compra a passagem de ida e paga 1 real pelo bilhete de volta. Isso mesmo: 1 real, lançando por aqui um estilo de promoção que já existe na Europa.

 

GOVERNO

O esperto e o bobo
Em meio a uma conversa com um amigo na noite de terça-feira passada no Alvorada, Lula deu uma curta (e grossa) definição de George W. Bush. "De bobo ele não tem nada; bobo é quem teve mais votos do que ele e não levou a eleição", resumiu, numa alusão ao imbróglio na contagem dos votos entre Bush e Al Gore.

O outro japonês do Lula
Pode reparar: Lula já não pousa tanto a mão esquerda no ombro direito. O responsável é um japonês que tem ido ao Alvorada com freqüência desde o início do mês. Não, não é o Gushiken. É o acupunturista que tem dado um poderoso alívio na bursite do presidente.

Fome aliada
O PTB do Paraná, de José Carlos Martinez, está fazendo uma força danada para indicar o presidente do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). Se não der, aceita de bom grado um posto de destaque num fundo de pensão.

 

CORRUPÇÃO

Mão na massa
A equipe da corregedoria da Receita Federal que investiga os fiscais cariocas com contas na Suíça encontrou provas concretas contra três deles e as divulgará no início da semana. Rodrigo Silveirinha, Carlos Eduardo Ramos e Júlio Nogueira fizeram uma movimentação bancária engenhosa para colocar a mão no dinheiro ilícito. Agora, estão prestes a colocar as mãos em algemas.

 

GENTE

O retorno do chefe
Um grupo de tucanos mais chegados está preparando uma grande festa de recepção para FHC em março, quando ele retorna de sua jornada parisiense.

 

ECONOMIA

De cara amarrada
As reuniões entre Antônio Palocci e a turma do FMI não têm sido um mar de rosas. Nas primeiras rodadas, Palocci saiu das conversas razoavelmente contrariado.

A volta do polvo canadense
A Brascan está ensaiando um namoro com a endividada Eletropaulo. Se a coisa engrenar, será a volta dos canadenses à Eletropaulo – a Light, antiga denominação da Eletropaulo, era controlada justamente pela Brascan.

Alô, alô
Alguns setores ainda se safam do marasmo geral provocado pela perspectiva de crescimento irrisório da economia neste ano. A programação de lançamento de modelos de telefones celulares da Nokia, por exemplo, é impressionante: até o fim de 2003, um novo modelo desembarcará a cada quinze dias no mercado brasileiro.

A AmBev cresce
A AmBev vai entrar com os dois pés no Peru ainda neste ano. Já comprou o terreno e vai erguer uma fábrica para produzir a cerveja Brahma. Lá, duelará contra a Backus, dona de quase 100% do mercado local.

Conta que não fecha
O grupo Aster conseguiu autorização da Agência Nacional do Petróleo para ser o primeiro a fabricar gasolina por um processo novo, alternativo ao refino. Pelas regras da ANP, quem tem problemas com o Fisco deveria ficar fora da disputa. E o Aster, como se sabe, volta e meia deixa o Leão uma fera. A empresa, no entanto, garante que suas pendências com a Receita estão sendo resolvidas.

Foi o "Bode"
O investidor misterioso que comprou a participação de 10 milhões de dólares que o Bank of America possuía na Ipiranga foi o ex-banqueiro Antonio José Carneiro, o "Bode", como é mais conhecido no mercado financeiro.

 

Ele não sabe o que é crise

 
Rafael Neddermeyer/AE
Guerreiro: ganhando por dia o que recebia num mês

Renato Guerreiro deixou a presidência da Anatel em março passado para abrir, quatro meses depois, uma consultoria. Dizia que queria ganhar, enfim, dinheiro – coisa que o salário do serviço público definitivamente não permite. Menos de um ano depois, está dando consultoria às principais empresas de telefonia fixa e móvel do país. E a grana pintou: só da Telemar, Brasil Telecom e Embratel são quase 200.000 reais por mês. Um contrato com a Telefônica lhe rendia outros 50.000 reais, mas acabou em dezembro. Isso sem contar com a grana das celulares. Como presidente da Anatel, Guerreiro tinha um contracheque de 8.200 reais por mês.


EDUCAÇÃO

Gastando certo
Viviane Senna está juntando as pontas entre megaempresas e o governo de Pernambuco para um ousado projeto de alfabetização. Segundo um empresário que deve bancar uma parte, é coisa de gente grande – 100 milhões de reais em quatro anos.

 

IMPRENSA

Olho por olho
Está perto, muito perto de pegar fogo, com direito a ações na Justiça, a disputa pelo controle da Gazeta Mercantil. De um lado do ringue, o empresário baiano Nelson Tanure. Do outro, German Efromovich. Ambos são oriundos do setor naval e se estimam tanto quanto George Bush e Saddam Hussein.

 


Colaborou: Ronaldo França

 

 
 



Foto Ricardo Stuckert

 

   
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