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Visões
da China
Uma
mostra em São Paulo reúne
preciosidades da Cidade Proibida
e alguns dos célebres guerreiros
de terracota
Marcelo Marthe
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Os
guerreiros de Xi'an: a maior estátua de terracota da exposição
representa um general (ao centro) e tem 1,95
metro de altura
e 290 quilos |

Veja também |
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Instaurado
em 1949, o regime comunista chinês manteve-se ortodoxo até
os anos 80. Depois disso, começou a abrandar-se no campo econômico,
num movimento que ainda está ganhando força. Um dos efeitos
colaterais da abertura foi tornar os tesouros artísticos do país
mais acessíveis aos olhos do mundo. O governo percebeu que esse
patrimônio inestimável é um excelente cartão
de visita. Em cartaz a partir desta quinta-feira na Oca, no Parque do
Ibirapuera, em São Paulo, a mostra Os Guerreiros de Xi'an
e os Tesouros da Cidade Proibida é reflexo dessa nova postura.
Orçada em 8,5 milhões de reais, a exposição
reúne cerca de 300 peças pertencentes a dezenove museus
e divididas em dois núcleos. Um deles é dedicado aos achados
arqueológicos da região de Xi'an, no sudoeste da China,
e tem como destaque treze estátuas do célebre exército
de guerreiros de terracota descoberto naquela área nos anos 70.
No outro núcleo estão preciosidades da Cidade Proibida,
o complexo de palácios de Pequim onde viveram os imperadores das
duas últimas dinastias que governaram a China. Em seu conjunto,
a mostra cobre um período de quase 8.000 anos, do Neolítico
ao começo do século XX.
O sítio arqueológico de Xi'an compõe-se de uma sucessão
de tumbas que se estendem ao longo de 50 quilômetros e das quais
se explorou uma ínfima parte até agora. A descoberta dos
guerreiros de terracota (que é como se chama a argila modelada
e cozida) foi o que deu fama ao local. Em 1974, camponeses toparam com
fragmentos de estátuas enquanto escavavam um poço. A partir
da pista, achou-se uma câmara contendo 6.000 imagens de guerreiros,
perfilados como um exército. Eles ostentam feições
e vestimentas distintas conforme sua graduação militar.
Na mostra há onze guerreiros e dois cavalos de terracota
o máximo dessas peças que os chineses já permitiram
que deixasse o país. O maior dos guerreiros representa um general,
com 1,95 metro de altura e 290 quilos. Um dos cavalos tem mais de 2 metros
de comprimento e 350 quilos. A origem dessas figuras é curiosa.
Elas foram fabricadas para ser colocadas na tumba de Qin Shi Huangdi,
o imperador que unificou a China, por volta do ano 220 a.C. Qin se valeu
de 700.000 servos que levaram quase quarenta anos para concluir a construção
de seu túmulo ele acreditava que os soldados o protegeriam
na eternidade. As escavações nas imediações
trouxeram à tona mais peças funerárias, várias
delas presentes na exposição. São objetos que ilustram
como as técnicas de manufatura em cerâmica e bronze, embora
tenham aportado na China depois de outras civilizações,
ali atingiram um nível de refinamento nunca antes visto.
Esse refinamento chegaria a seu apogeu entre os séculos XVI e XIX,
época em que a fama da seda e da porcelana produzidas na China
já estava consolidada em todo o mundo. É na seção
relativa à Cidade Proibida que se encontram as peças daquele
tempo. Localizada na área central de Pequim, a Cidade Proibida
é um conjunto de palácios cuja arquitetura em vermelho e
dourado busca transmitir harmonia e equilíbrio e simbolizar
a autoridade sem limites do imperador. Ele vivia dentro de seus muros
cercado por suas muitas esposas e concubinas, além de centenas
de serviçais eunucos. Os utensílios ilustram a rotina da
corte imperial, que era regida por uma etiqueta rígida. Foram trazidos
um dos tronos e os móveis e objetos da sala de estudos do imperador
a tradição exigia que o governante fosse um homem
culto, amante da poesia e da filosofia. Em momentos conturbados da história
chinesa, os palácios da Cidade Proibida foram pilhados. Mas, como
o acervo era enorme, restaram milhares de objetos. Sorte da China. Sorte
do mundo.
Fotos divulgação
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| Objetos
da Cidade Proibida: duas pinturas em seda com cenas do imperador (no
alto), uma armadura de sua guarda (à esq.) e vaso
de porcelana |
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