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Edição 1 790 - 19 de fevereiro de 2003
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Glamour de salto alto

Exposição celebra Manolo Blahnik,
o sapateiro que tem mulheres do
mundo todo a seus pés

No dia 20 de janeiro passado, Nova York amanheceu coberta de neve e sob temperatura ártica. Na esquina da Quinta Avenida com a Rua 54, uma longa fila de mulheres, queixo batendo e cartão de crédito em punho, aguardava um momento mágico: a abertura da liquidação anual da loja de Manolo Blahnik, o sapateiro das estrelas, aquele cujo nome virou sinônimo de salto altíssimo, estilo sensual, cores fantásticas e detalhes surpreendentes. Carrie Bradshaw, a personagem de Sarah Jessica Parker no seriado Sex in the City, toda vez que está deprimida sai e compra um Manolo. Madonna deu a definição mais provocante: "Maravilhoso, dura mais do que sexo" (uma frase tão boa que o próprio não agüenta mais ouvir, de tão repetida). Blahnik ocupa o vértice supremo da santíssima trindade da sapataria chique – os outros dois são o francês Christian Louboutin e Jimmy Choo, nascido na Malásia e radicado em Londres. É, de longe, o mais conhecido e badalado estilista de sapatos do mundo. Tão incensado que ganhou neste mês uma exposição de suas obras-primas no Museum of Design de Londres. Considerou a homenagem um tanto apressada: "Nem morri ainda".

Aos 60 anos, nascido nas Ilhas Canárias de pai checo e mãe espanhola, morador da cidade de Bath, na Inglaterra, Blahnik, ao contrário de outras sumidades do mundo da moda, não é dado a chiliques e tem amigos por toda parte. Bianca Jagger é "como se fosse da família" desde os tempos em que era casada com Mick, e até hoje se lembra de seu primeiro Manolo: "Tinha pétalas, como uma flor, e folhas". Blahnik justifica: "Sempre fui muito botânico". E, de fato, seu primeiro modelo de sucesso tinha cerejinhas. Jerry Hall, a segunda senhora Jagger, é freguesa desde 1984. Todo ano, pede que lhe faça uma nova versão do chinelinho sem salto (sim, existem Manolos sem salto) que comprou naquele ano para usar na praia. Todas as modelos o adoram: Naomi Campbell, Linda Evangelista, Christy Turlington, Kate Moss, que bateu ponto (de Manolos, claro) na abertura da exposição, e companhia limitada. Jennifer Lopez gravou um clipe de botinhas Manolo. A princesa Diana apreciava os modelos clássicos. Jacqueline Kennedy gostava dos que ostentavam pouco ou nenhum salto. Marge Simpson, não – usou salto agulha em um episódio de 1991. Blahnik vibra com tantas mulheres a seus pés, e só reclama quando tiram o sapato e pedem um autógrafo ("Estava no pé! Preferia não tocar nele!"). Vendido no Brasil apenas na butique Daslu, de São Paulo, um par de Manolos vale, no mundo todo, o quanto se fala dele: vai de 400 dólares o mais simplesinho a 800 ou até 1.000 dólares os cobertos de pedrarias. Entendeu por que compensa esperar na fila em temperatura abaixo de zero?

   
 
   
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