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Glamour
de salto alto
Exposição
celebra Manolo Blahnik,
o sapateiro que tem mulheres do
mundo
todo a seus pés
No dia 20 de janeiro passado, Nova York amanheceu coberta de neve e sob
temperatura ártica. Na esquina da Quinta Avenida com a Rua 54,
uma longa fila de mulheres, queixo batendo e cartão de crédito
em punho, aguardava um momento mágico: a abertura da liquidação
anual da loja de Manolo Blahnik, o sapateiro das estrelas, aquele cujo
nome virou sinônimo de salto altíssimo, estilo sensual, cores
fantásticas e detalhes surpreendentes. Carrie Bradshaw, a personagem
de Sarah Jessica Parker no seriado Sex in the City, toda vez que
está deprimida sai e compra um Manolo. Madonna deu a definição
mais provocante: "Maravilhoso, dura mais do que sexo" (uma frase tão
boa que o próprio não agüenta mais ouvir, de tão
repetida). Blahnik ocupa o vértice supremo da santíssima
trindade da sapataria chique os outros dois são o francês
Christian Louboutin e Jimmy Choo, nascido na Malásia e radicado
em Londres. É, de longe, o mais conhecido e badalado estilista
de sapatos do mundo. Tão incensado que ganhou neste mês uma
exposição de suas obras-primas no Museum of Design de Londres.
Considerou a homenagem um tanto apressada: "Nem morri ainda".
Aos 60 anos, nascido nas Ilhas Canárias de pai checo e mãe
espanhola, morador da cidade de Bath, na Inglaterra, Blahnik, ao contrário
de outras sumidades do mundo da moda, não é dado a chiliques
e tem amigos por toda parte. Bianca Jagger é "como se fosse da
família" desde os tempos em que era casada com Mick, e até
hoje se lembra de seu primeiro Manolo: "Tinha pétalas, como uma
flor, e folhas". Blahnik justifica: "Sempre fui muito botânico".
E, de fato, seu primeiro modelo de sucesso tinha cerejinhas. Jerry Hall,
a segunda senhora Jagger, é freguesa desde 1984. Todo ano, pede
que lhe faça uma nova versão do chinelinho sem salto (sim,
existem Manolos sem salto) que comprou naquele ano para usar na praia.
Todas as modelos o adoram: Naomi Campbell, Linda Evangelista, Christy
Turlington, Kate Moss, que bateu ponto (de Manolos, claro) na abertura
da exposição, e companhia limitada. Jennifer Lopez gravou
um clipe de botinhas Manolo. A princesa Diana apreciava os modelos clássicos.
Jacqueline Kennedy gostava dos que ostentavam pouco ou nenhum salto. Marge
Simpson, não usou salto agulha em um episódio de
1991. Blahnik vibra com tantas mulheres a seus pés, e só
reclama quando tiram o sapato e pedem um autógrafo ("Estava no
pé! Preferia não tocar nele!"). Vendido no Brasil apenas
na butique Daslu, de São Paulo, um par de Manolos vale, no mundo
todo, o quanto se fala dele: vai de 400 dólares o mais simplesinho
a 800 ou até 1.000 dólares os cobertos de pedrarias. Entendeu
por que compensa esperar na fila em temperatura abaixo de zero?
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