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Use, baby, use
O vírus
da Aids infecta mais moças
do que rapazes. Kelly Key vem para
alertá-las dos riscos do sexo inseguro
Paula Neiva
Divulgação
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| Kelly
Key: a campanha estrelada pela cantora vai ao ar sob protestos |
Depois de muita polêmica, a nova campanha de prevenção
contra a Aids entrará no ar neste domingo, dia 16. Estrelada pela
cantora carioca Kelly Key, de 19 anos, a propaganda é destinada
primordialmente aos adolescentes. A notícia de que a protagonista
das peças publicitárias seria a jovem que entoa versos como
"Baba, olha o que perdeu / Baba, criança cresceu / Bem feito pra
você" ou "Vem aqui / Que agora eu tô mandando / Vem, meu cachorrinho,
a sua dona tá chamando" atiçou as feministas e representantes
de algumas ONGs de combate à doença. Para eles, a imagem
de Kelly Key não respeita "uma visão política do
mundo e suas relações de gênero" e defende "uma pseudoliberdade
sexual, em que o homem é o oprimido e a mulher é a opressora".
Tudo bobagem. Para funcionar, uma campanha tem de se valer de instrumentos
com os quais o público-alvo se identifique. Não se trata
aqui de discutir a qualidade das músicas de Kelly Key. Elas não
são ruins, são péssimas mas é inegável
o sucesso que a cantora faz com a garotada. Ela já vendeu mais
de meio milhão de discos. Kelly Key chama a atenção
de meninos e meninas de todo o Brasil, e é isso que importa. Neste
Carnaval, no jingle inspirado na música Baba, ela decreta:
"Sem camisinha não vai dar".
A escolha
de Kelly Key pelo Ministério da Saúde justifica-se pela
preocupação com o crescente número de adolescentes
infectados pelo HIV, especialmente as meninas. Ao longo dos 22 anos de
história da Aids, o perfil da epidemia mudou. Em 1985, para cada
25 homens contaminados havia uma mulher na mesma situação.
Hoje, as relações heterossexuais são a principal
forma de transmissão do vírus, e a proporção
de infectados é de dois homens para uma mulher. A única
faixa etária em que o sexo feminino ultrapassou o masculino em
número de soropositivos é dos 13 aos 19 anos. Para cada
menino portador do HIV, duas meninas estão com o vírus.
Em 1991, por exemplo, a relação de contaminados era de quatro
garotos para uma garota. O fenômeno se explica pelo fato de a idade
da primeira relação sexual das brasileiras ser cada vez
mais baixa. Elas perdem a virgindade, em média, aos 14 anos
na década de 60, era aos 17 , com rapazes mais velhos e com
uma vida sexual ativa há muito mais tempo. "Com pouca ou nenhuma
experiência, elas não se sentem à vontade para impor
o uso do preservativo", diz Paulo Teixeira, coordenador nacional do Programa
DST/Aids, do Ministério da Saúde. Apenas 44% dos jovens
brasileiros usam camisinha no primeiro encontro sexual. Além disso,
os cuidados preventivos tendem a arrefecer conforme a relação
do casal se estabiliza como se compromisso protegesse contra a
Aids.
A campanha
com Kelly Key revela uma evolução na linguagem das propagandas
anti-Aids feitas no Brasil. As peças publicitárias estão
cada vez mais objetivas e direcionadas a um público específico.
Só para lembrar: a primeira campanha do governo sobre o tema é
de 1987. Nela, um grupo de jovens gritava, como numa passeata: "Camisinha!
Camisinha!" Mais vago impossível. Kelly Key é bem mais direta:
sexo sem camisinha? Só olhe e babe, baby.
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JINGLE DA CAMPANHA
Você
não acreditou, achou que ia rolar
Achou
que eu ia relaxar e esquecer
Mas, agora decidi, sem camisinha não vai dar
Não
vou acreditar nesse blá, blá, blá
E pra não dizer que eu sou ruim vou ajudar você a usar
Vai usar, tem que usar, baby, usa camisinha, baby, usa camisinha...
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