Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 790 - 19 de fevereiro de 2003
Geral Cidades
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
 

Teoria diz que chineses descobriram a América
O sucesso da recuperação de áreas decadentes
Irmã de Pedrinho conhece sua verdadeira mãe
Kelly Key e a campanha contra a Aids no Carnaval
Jóias brasileiras premiadas no exterior
Uma mostra dos sapatos de Manolo Blahnik
A ordem em Salvador é enrolar os cabelos
A caça a bilhões no fundo do mar

Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
VEJA on-line
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2003
Reportagens de capa
2000|01|02|03
Entrevistas
2000|01|02|03


Crie seu grupo




 

Lavadas com dinheiro

Obras milionárias transformam
áreas urbanas decadentes em
ímãs para turistas e investimentos

Raul Juste Lores, de Barcelona

 
Lusa

Veja também
Galeria de fotos: áreas recuperadas na Europa
Da internet
Barcelona 2004
Parque das Nações, em Lisboa
Bilbao Ría 2000
Urbis Center, Manchester
Roterdã

Barcelona é uma cidade milenar, conhecida pela beleza de suas avenidas e obras de arte. Mas quem a visita nos dias de hoje fica ainda mais impressionado com o futuro. A capital catalã vai inaugurar até 2004 dois grandes centros de convenções, três parques públicos, um porto esportivo, um campus universitário e vários hotéis. Barcelona é um exemplo mundial de renovação de áreas urbanas degradadas desde o início dos anos 90, quando aproveitou as Olimpíadas para uma recauchutagem geral. Foi então que o velho porto se transformou em point da moda com edifícios residenciais, restaurantes e barzinhos, sedes de multinacionais e variadas atrações turísticas, como o aquário local. Nas principais metrópoles do Primeiro Mundo, a ordem é a mesma: converter áreas abandonadas e decadentes em lugares pujantes, que fazem bem não apenas à aparência, mas também ao bolso. "Cidades de cara nova, com maior segurança e prédios projetados por arquitetos badalados atraem turistas e investimentos", disse a VEJA Juan José Güemes, o secretário de Turismo da Espanha. Mais de 50 bilhões de dólares estão sendo investidos em quase 100 grandes centros da Europa e dos Estados Unidos nesse processo de cirurgia estética urbana.

 
AP

Roterdã, na Holanda, e Hamburgo, na Alemanha, estão transformando a região portuária em bairros modernos. Em julho, foi inaugurada a nova sede da prefeitura de Londres. Será um símbolo da recuperação da antes decadente margem sul do Rio Tâmisa. Com a despoluição do rio, o lugar ficou tão valorizado que o preço do metro quadrado ali já é um dos mais altos da capital inglesa. Há uma razão para a recuperação intensiva. Hoje, as cidades competem entre si para sediar grandes empresas e para realizar feiras e congressos. Boa imagem é tudo. A Inglaterra pretende gastar 4 bilhões de dólares até 2009 em 39 áreas degradadas de suas maiores cidades. Os centros urbanos são tradicionalmente os lugares com melhor infra-estrutura de serviços públicos e maior oferta de transportes coletivos. Mas estão, em geral, atulhados de carcaças da industrialização pesada da primeira metade do século XX. São velhas fábricas, instalações portuárias, estações ferroviárias e armazéns tomados pela sujeira e pela criminalidade. As fábricas maiores e mais modernas fugiram do trânsito e dos preços altos dos terrenos do centro das metrópoles, deixando um rastro de desemprego. "O que está ocorrendo no Primeiro Mundo é uma tentativa bilionária de reverter a tendência de abandono e transformar esses centros em áreas habitáveis e com conforto", afirma o arquiteto paulista Marcelo Ferraz, que trabalhou na recuperação da antiga Berlim Oriental.

 
Spin Mediá/divulgação

Às vezes, um grande evento, como as Olimpíadas de Barcelona, é a desculpa para a faxina geral. Em Lisboa, a Exposição Universal de 1998 foi instalada em um bairro decadente às margens do Rio Tejo, onde havia um matadouro, um ferro-velho e a estação de tratamento de esgotos da cidade. Terminada a exposição, ergueram-se ali charmosos conjuntos habitacionais, prédios comerciais, escolas e uma estação de trens de linhas arrojadas integrada ao metrô. A cidade gostou tanto da idéia que contratou o badalado arquiteto Frank Gehry, responsável pelo espetacular prédio do Museu Guggenheim de Bilbao, para recuperar o Parque Mayer, o decadente bairro dos teatros lisboetas. Paris, que não precisa de desculpas para ficar mais bela, prevê a recuperação até 2005 da Ilha Seguin, em sua periferia. Onde havia uma velha fábrica da Renault será instalado um museu com a coleção de arte do milionário François Pinault, além de parque, edifícios residenciais e de escritórios.

 
Source Central Artely/Tunnel Project, Boston, MA, USA

Chicago, uma das cidades mais congestionadas do planeta, reagiu com a criação de uma avenida só para o comércio de luxo, chamada de Magnificent Mile. Os lojistas organizaram uma associação que cuida dos jardins, da iluminação e até da segurança do lugar, em acordo com a prefeitura. "Não podíamos deixar que todos fossem para os shoppings e que o centro urbano ficasse abandonado", disse a VEJA Russell Salzman, presidente da associação dos lojistas da Magnificent Mile. A prefeitura de Nova York conseguiu a proeza de arrumar a antes perigosa e suja área de Times Square, um de seus pontos mais turísticos. Cinemas pornôs e bordéis cederam espaço para cinemas e teatros. Boston partiu para uma experiência mais radical – e bilionária – para salvar seu centro. Cortada por um horrendo elevado de 6 quilômetros de extensão, está gastando 14 bilhões de dólares para construir um enorme túnel subterrâneo. O elevado será destruído até o fim de 2004 e a cidade ganhará 600.000 metros quadrados de área em plena região central, que será ocupada por parques, praças e áreas de lazer.

 
Foster and Partners

O turismo é uma das ferramentas utilizadas para dar atividade econômica a esses centros renovados, e a arquitetura de vanguarda é aliada para encher os olhos e atrair visitantes a essas metrópoles do futuro. Bilbao, na Espanha, era um feioso pólo siderúrgico e de estaleiros. Hoje é um centro de serviços. Tudo começou com o Museu Guggenheim, que atrai 1 milhão de visitantes por ano e chamou a atenção para a cidade basca. Nas áreas próximas ao museu, ao longo do Rio Nervión, vários quilômetros de estradas de ferro, estaleiros e fábricas abandonadas estão sendo substituídos por edifícios residenciais e comerciais, universidade e áreas de lazer. Tudo acompanhado de obras vistosas da fina nata da arquitetura mundial. Além do museu de Frank Gehry, as estações de metrô são do inglês Norman Foster, o novo aeroporto é do espanhol Santiago Calatrava e o remodelamento do bairro de Abandoibarra ficou a cargo do argentino Cesar Pelli.

 
Divulgação

Manchester, na Inglaterra, era famosa não por atrativos naturais ou arquitetônicos, mas pela poluição e estrago causados pela indústria pesada. Manchester gastou 200 milhões de dólares para reformar seu principal museu e construir outros dois, o Museu Imperial da Guerra e o Urbis Centre, cujo tema, curiosamente, são as cidades pelo mundo, tanto do ponto de vista da arquitetura quanto do urbanismo (São Paulo é um dos exemplos em "exposição"). Ambos têm desenho de embasbacar o turista atrás de bons ângulos para tirar fotos. Não ficou só nos museus: desenvolve até 2005 um projeto para reurbanizar sua zona norte, com novos edifícios residenciais e de escritórios. Manchester, a cidade conhecida por sua feiúra, está ficando bela. A busca por maior conforto, beleza e riqueza nas metrópoles realmente provoca milagres.

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS