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Edição 1 790 - 19 de fevereiro de 2003
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Quem chegou primeiro:
os chineses ou Colombo?

Pesquisador inglês acredita que
a China descobriu a América

 
Montagem com ilustrações de arquivo pessoal Zhou Shixiu
Os barcos do almirante Zheng He eram várias vezes maiores que os usados nos descobrimentos portugueses

Veja também
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A versão do pesquisador Gavin Menzies para as viagens de Zheng He (em inglês)
A rota de Zheng He (revista Time, em inglês)
Da internet
Site oficial do livro 1421 — O Ano em que a China Descobriu o Mundo

No início do século XV, por ordem do imperador Yong Le, o terceiro da dinastia Ming, uma frota de centenas de navios chineses desceu o Oceano Índico até Calicute, na Índia, navegou pelo Golfo Pérsico e percorreu a costa oriental da África. Foi uma aventura memorável. Mais espetacular ainda é a nova teoria de que a frota chinesa foi muito além do que se pensava. Os juncos teriam contornado o Cabo da Boa Esperança antes de Bartolomeu Dias, chegado à América antes de Cristóvão Colombo e, por fim, efetuado a circunavegação do globo antes de Fernão de Magalhães. Qual a prova? O inglês Gavin Menzies, historiador naval e ex-oficial da frota de submarinos de Sua Majestade, baseia sua teoria em mapas pré-colombianos que parecem mostrar as ilhas do Caribe, em alguns controversos achados arqueológicos e no fato de que a China dominou os mares antes dos europeus. Na dinastia Ming, os navios chineses chegavam a ter 120 metros de comprimento, com nove mastros. Setenta anos mais tarde, a caravela de Vasco da Gama possuía apenas 30 metros. O livro em que Menzies expõe sua teoria – 1421: O Ano em que a China Descobriu o Mundo – está na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times e será lançado no Brasil em maio.

Reprodução do livro 1421/William Morrow Publishers
Imperador Yong Le: expedições à África


Há várias teorias sobre contatos pré-colombianos entre o Velho e o Novo Mundo. Parece certo que 1.000 anos atrás os vikings estabeleceram uma colônia no que hoje é o Canadá. Uma questão que intriga os historiadores é como Colombo e outros europeus souberam ou suspeitaram da existência de novas terras antes de se aventurar no mar. A fonte seriam os navegantes chineses? O sucesso do livro de Menzies talvez se deva menos à teoria da descoberta da América do que à narrativa da navegação chinesa propriamente dita. A frota que deixou a China em 1421 era liderada pelo almirante Zheng He, um eunuco. Num período de trinta anos, ele comandou sete expedições para demonstrar o poder da China e estabelecer rotas de comércio. Levou seda e porcelana e retornou com mercadorias e animais exóticos. Uma girafa trazida da África foi identificada na corte chinesa como sendo um unicórnio. Sabe-se que o almirante eunuco navegou até Calicute e dali voltou a Pequim. Menzies afirma que três de seus capitães foram adiante. Teriam dobrado o Cabo da Boa Esperança, no sul da África, e se separado em flotilhas. Uma explorou a América do Sul, a Antártica e a Austrália, enquanto outros dois grupos navegaram pela costa das Américas Central e do Norte e contornaram a Groenlândia. Todos voltaram para a China dois anos depois. Após a morte de Yong Le, a dinastia Ming decidiu isolar a China do mundo. Proibiu novos contatos com o exterior e mandou destruir a frota. Quando Zheng He morreu, em 1435, seus escritos foram queimados. Não fosse isso, talvez os espanhóis e os portugueses não tivessem tido a chance de conquistar o Novo Mundo.


   
 
   
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