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Como mulher, mãe e profissional, fiquei impressionada com os depoimentos
das mulheres na reportagem sobre filhos e carreira ("Com filhos no currículo",
12 de fevereiro). Acho que, antes de pensar em dividir o mundo profissional
com os homens, a mulher deve fazer isso em casa. Não é possível
reivindicar igualdade na empresa se em casa é diferente. Quando
o homem também tiver de repensar seu tempo com os filhos, a carga
da mulher ficará muito menor, e, dessa forma, o homem perderá
a vantagem competitiva que tem graças ao sacrifício que
a mulher faz de assumir tudo sozinha. Há
tempos VEJA vem mostrando a cara dessa nova mulher vitoriosa e
realizada interna e externamente , deixando claro que sua ascensão
é fruto da necessidade de realização de qualquer
ser humano, independentemente da tarja masculino ou feminino vinculada
a espaço ou tempo. Lendo
a reportagem lembrei-me da história dos dois barcos a vapor que
resolveram travar uma disputa para ver qual chegava primeiro. O vencedor
foi aquele que usou a própria carga como combustível. Venceu
a disputa, mas queimou a carga que deveria ser entregue intacta ao destinatário.
O que adianta ser bem-sucedido na carreira profissional mas sacrificar
a própria família?
Maravilhosa a entrevista com Geoffrey Kurland (Amarelas, 12 de fevereiro).
Esse exemplar (edição 1.789) deveria servir
de "livro" de cabeceira para muitos médicos que não respeitam
seus pacientes.
A entrevista com o médico Geoffrey Kurland devia ser usada como
abertura dos cursos de medicina que, no decorrer dos séculos, deixaram
de abordar e praticar a essência do que Hipócrates pregava:
o relacionamento humano. A
história do médico Geoffrey Kurland retrata uma verdade
escrita num conto pouco famoso de Machado de Assis ("Não procures
um médico, procures alguém que já esteve doente"),
mostrando que a dor do paciente é mais valorizada por quem já
experimentou do remédio. A quebra da onipotência do médico
quando ele adoece faz despertar a importância do afeto e da compaixão
no exercício da profissão. Um
autêntico exemplo de superação e perseverança,
o do médico Geoffrey Kurland. Uma figura cativante e de imenso
carisma. Se as pessoas reconhecessem o verdadeiro valor da vida e acreditassem
sempre num futuro melhor, como Kurland, seguramente não estaríamos
atravessando essa fase de tensão mundial causada por ameaças
terroristas.
Fiquei muito feliz em saber que há mais alguém achando que
quem financia pesquisas, principalmente as acadêmicas, deveria ter
um pouco mais de praticidade na cabeça. Nosso país padece,
e ainda estão aprovando pesquisas sem propósito e sem aplicabilidade
("A pesquisa sertaneja", Ponto de vista, 12 de fevereiro)!
Achei muito interessante a Carta ao leitor sobre o recorde de impostos
("Um recorde perverso", 12 de fevereiro). O Brasil é considerado
uma nação com alta carga tributária e somos um país
subdesenvolvido, o que nos leva a crer que não deveríamos
ter tantos impostos assim. Esperamos que nosso presidente Luiz Inácio
Lula da Silva acabe com os sonegadores para que pelo menos esse excesso
que pagamos seja mais bem distribuído, evitando assim que poucos
paguem muito e muitos não paguem. Não é pela desigualdade
que conseguiremos fazer o país crescer. Que todos paguem o que
é justo!
Sugiro ao Arc avaliar a frase de Rumsfeld: "Saddam Hussein pretende usar
civis como escudo". Arc, qual é a diferença entre usar pessoas
como escudo na defesa ou usá-las no ataque, enquanto os lunáticos
mandatários assistem à guerra de seus gabinetes refrigerados?
Ao defenderem as teses absurdas e inadmissíveis citadas na reportagem
"Anatomia do rolo compressor" (12 de fevereiro), esses parlamentares do
PT mostram quanto estão distanciados do povo brasileiro. Só
para mencionar uma delas: o controle dos meios de comunicação
os aproxima da ditadura da qual nossa sociedade tem "ódio e nojo",
lembrando as palavras do democrata doutor Ulysses Guimarães. Os
radicais do PT sempre defenderam suas opiniões publicamente e nunca
foram criticados por Lula, Dirceu nem Genoíno. Agora, no governo,
a cúpula petista ameaça punir os descontentes, outrora companheiros,
por serem coerentes. Não se devem questionar as mudanças,
mas os reais motivos que as ensejaram. De qualquer forma, Lula deve estar
sentindo na pele o que é ser situação, pagando pelos
próprios excessos que cometeu quando na oposição.
A diferença é que seus críticos hoje são da
mesma família.
A entrevista ("Abaixo o esquerdismo", 12 de fevereiro) com o ministro
da Fazenda, o senhor Antônio Palocci, demonstrou sua seriedade e
firmeza de convicções, fatores elementares à cúpula
governamental para não apenas lidar com dissidências partidárias
insatisfeitas, mas para gerir com competência uma nação
de magnitudes continentais. Minhas sinceras congratulações
ao ministro e esperançosos votos de sucesso ao novo governo brasileiro!
Extremamente oportuna a divulgação de informações
sobre a artrite reumatóide. Os medicamentos capazes de bloquear
seletivamente citocinas envolvidas na inflamação, como a
proteína TNF, já têm comprovada ação
terapêutica e demonstrada ação custo-benefício,
através de estudos bem controlados, desenvolvidos em outros países,
mas nem todos os pacientes respondem ao tratamento, podendo haver recorrência
da doença, por causa da interrupção de seu uso. Estamos
apenas começando a usá-los no tratamento da doença,
sendo indicados, atualmente, de modo geral, quando falharam os tratamentos
usuais. Seu alto custo, sua administração parenteral e a
necessidade de rigorosa monitorização a curto e longo prazo
em razão de seus potenciais efeitos colaterais são também
empecilhos à sua larga utilização ("Ossos que entortam",
12 de fevereiro).
Como dizia Maquiavel: "Em um mundo imperfeito, os homens bons, empenhados
em fazer o bem, precisam saber como ser maus". Bush está se superando
na arte da maldade, chegando a atingir estágios de tirania para
atacar o Iraque. O mais preocupante nessa história é que
"a regra maquiavélica" vale para os dois lados, o que poderá
gerar um saldo bastante negativo para o restante do mundo ("Bush diz que
o jogo acabou", 12 de fevereiro).
Fantástico o ensaio "Mendicância chique" (12 de fevereiro),
de Roberto Pompeu de Toledo, que narra de forma clara e sem máscara
o sentimento que temos diante de uma mesma situação com
protagonistas diferentes. É hilariante quando os ricos, em nome
de "uma simples diversão", sem conotação pejorativa,
se igualam aos pobres pedintes nas esquinas e nos semáforos. Que
pena! Poderiam pensar em algo mais requintado. Vivendo
distante do Brasil, passo a olhá-lo com a visão do outro,
e o ensaio do senhor Pompeu nos mostra de forma singular e magnífica
como o Brasil brinca com suas misérias. O rir de si mesmo não
ajuda em nada se não servir como uma crítica construtiva.
Toda vez que tenho acesso a VEJA me emociono, pois é como se estivesse
vivenciando a história presente do Brasil. Adoro vocês.
CORREÇÕES: Na reportagem "Vestidos
para o sucesso" (12 de fevereiro), a diretora de importados
de cosméticos Viviane Simões foi identificada erroneamente
como a secretária Patrícia Silveira, e vice-versa.
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