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Retórica
na Alca não resolve
AP
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| Reunião
para discutir o acordo de livre-comércio das Américas
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Está
passando da hora de o governo brasileiro encarar o enorme desafio de negociar
seriamente a Área de Livre Comércio das Américas
(Alca) com os Estados Unidos. Como México e Canadá aprenderam
há mais tempo, não se arrancam concessões comerciais
dos EUA com bravatas ou retaliações verbais. Os americanos
se vergam ao peso de pressões lastreadas em argumentações
técnicas. Na negociação do Nafta, o acordo comercial
que entrou em vigor em 1994 entre Estados Unidos, Canadá e México,
a equipe montada pelo governo mexicano tinha duas centenas de técnicos,
entre eles cinqüenta com título de Ph.D. Na semana passada,
o governo americano, em cumprimento ao calendário acertado com
os demais países participantes, divulgou sua oferta inicial a respeito
da Alca. É uma proposta pífia e inaceitável, quase
uma provocação ao Brasil. Se vier a entrar em vigor, ela
piora muito a situação das empresas brasileiras que exportam
para o mercado americano.
A reação da diplomacia brasileira foi imediata, porém
retórica. Diversas autoridades prometeram que o Brasil vai ser
"duro" com os americanos. Tão afeito aos conselhos e às
câmaras setoriais, o governo do PT possui as credenciais para montar
uma equipe usando o que tem de melhor nessa área a inteligência
brasileira para enfrentar os americanos na mesa de negociação
com alguma chance de sucesso, como fizeram os mexicanos. Ao reforçar
sua diplomacia com uma equipe técnica de alto nível, o México
lucrou muito. Em menos de dez anos de vigência do Nafta, o México
se tornou a maior economia da América Latina e a oitava do mundo
em exportação. Oito de cada 10 dólares das exportações
mexicanas vêm do mercado americano. O México é hoje
o maior exportador para os Estados Unidos de 157 produtos agrícolas.
Uma reportagem
de VEJA desta semana mostra que o Brasil se tornou um eficiente exportador
para os vizinhos da América Latina, que nos compram 10 bilhões
de dólares em mercadorias por ano. É apenas um aperitivo
quando se lembra que os americanos gastam 1 trilhão de dólares
por ano em importações. Ter acesso privilegiado a um mercado
desse tamanho exige empenho na montagem de uma equipe impecável
de negociadores. E quanto mais cedo melhor.
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