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Edição 1 790 - 19 de fevereiro de 2003
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Retórica na Alca não resolve

AP
Reunião para discutir o acordo de livre-comércio das Américas

Está passando da hora de o governo brasileiro encarar o enorme desafio de negociar seriamente a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) com os Estados Unidos. Como México e Canadá aprenderam há mais tempo, não se arrancam concessões comerciais dos EUA com bravatas ou retaliações verbais. Os americanos se vergam ao peso de pressões lastreadas em argumentações técnicas. Na negociação do Nafta, o acordo comercial que entrou em vigor em 1994 entre Estados Unidos, Canadá e México, a equipe montada pelo governo mexicano tinha duas centenas de técnicos, entre eles cinqüenta com título de Ph.D. Na semana passada, o governo americano, em cumprimento ao calendário acertado com os demais países participantes, divulgou sua oferta inicial a respeito da Alca. É uma proposta pífia e inaceitável, quase uma provocação ao Brasil. Se vier a entrar em vigor, ela piora muito a situação das empresas brasileiras que exportam para o mercado americano.

A reação da diplomacia brasileira foi imediata, porém retórica. Diversas autoridades prometeram que o Brasil vai ser "duro" com os americanos. Tão afeito aos conselhos e às câmaras setoriais, o governo do PT possui as credenciais para montar uma equipe usando o que tem de melhor nessa área – a inteligência brasileira – para enfrentar os americanos na mesa de negociação com alguma chance de sucesso, como fizeram os mexicanos. Ao reforçar sua diplomacia com uma equipe técnica de alto nível, o México lucrou muito. Em menos de dez anos de vigência do Nafta, o México se tornou a maior economia da América Latina e a oitava do mundo em exportação. Oito de cada 10 dólares das exportações mexicanas vêm do mercado americano. O México é hoje o maior exportador para os Estados Unidos de 157 produtos agrícolas. Uma reportagem de VEJA desta semana mostra que o Brasil se tornou um eficiente exportador para os vizinhos da América Latina, que nos compram 10 bilhões de dólares em mercadorias por ano. É apenas um aperitivo quando se lembra que os americanos gastam 1 trilhão de dólares por ano em importações. Ter acesso privilegiado a um mercado desse tamanho exige empenho na montagem de uma equipe impecável de negociadores. E quanto mais cedo melhor.

 
 
   
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