Edição 1888 . 19 de janeiro de 2005

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Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

• GOVERNO

 

Collor destitui o próprio filho

Ana Araújo

Collor: de novo presidente, mas de jornal


Numa operação surpreendente ocorrida na semana passada, Fernando Collor mandou para casa seu filho Joaquim Pedro, de 26 anos, que havia dois presidia as empresas de comunicação da família – uma retransmissora da Globo, duas rádios e a Gazeta de Alagoas. Collor andava irritado com o filho, que ensaiava uma trilha de independência em relação aos seus interesses políticos em Alagoas. Irritado, assumiu a cadeira de Joaquim Pedro. No mesmo rompante, demitiu da direção das empresas seu velho escudeiro e secretário particular nos tempos da Presidência da República, o capitão Dário Cavalcanti.

 

Gasolina à vontade
A Presidência da República prevê gastar 124.000 reais de gasolina neste ano apenas em São Bernardo do Campo, onde mora parte da família do presidente. O suficiente para comprar 60.000 litros de gasolina comum. Dá a média de uns três tanques cheios por dia.

Dirceu é ouvido
Ecos da reforma ministerial: depois de muitos meses deixado um pouco de lado por Lula nos assuntos políticos, José Dirceu voltou a ser consultado pelo presidente.

Sem pressa
Dois meses já se passaram da saída de Cássio Casseb da presidência do Banco do Brasil, e seu posto continua ocupado por um interino. Parece que o governo não tem pressa. Ou está deixando a reforma ministerial decolar para ver o que faz.

Com pressa
A propósito, há um grupo forte no PT – Delúbio Soares à frente – fazendo uma força danada para ejetar Ivan Guimarães da presidência do Banco Popular (a mais nova subsidiária do Banco do Brasil). Essa turma faz força para que Geraldo Magela, candidato derrotado do PT ao governo do Distrito Federal, assuma o posto. A pressão é grande.

De olho no seguro
É forte, muito forte, a pressão que Roberto Jefferson, presidente do PTB, faz sobre o Palácio do Planalto para nomear um novo presidente na Susep e no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), ambos vinculados ao Ministério da Fazenda. Por algum motivo, o PTB tem um carinho muito grande pelo setor de seguros.

Palocci resiste
Até agora Antonio Palocci tem resistido bravamente às investidas petebistas sobre sua seara.

 

• RIO DE JANEIRO

Auxílio-reclusão 1
Duque de Caxias, município de 800.000 habitantes localizado na Baixada Fluminense, está dando um exemplo de solidariedade... com o mundo do crime. O ex-prefeito Zito, que acaba de deixar o cargo, editou uma lei que dá à família dos servidores presos um (veja só!) "auxílio-reclusão" no valor de dois terços do salário, "enquanto perdurar a prisão". Detalhista, o texto ressalta que a ajuda vale para "prisão em flagrante ou preventiva".

Auxílio-reclusão 2
A benesse está escrita no artigo 77 do regime jurídico dos servidores municipais. Não seria exagero ser apelidada de Lei de Proteção ao Crime.

Contrato de risco
O governo do Rio de Janeiro e o Tribunal de Contas do Estado gostam de brincar com fogo: recentemente, os conselheiros do TCE aprovaram a contratação, pelo governo de Rosinha Garotinho, da empresa Hebara, que desde a década de 90 explora no estado loterias como a raspadinha. O valor do contrato entre a Hebara e a Loterj é de 112 milhões de reais. No relatório da CPI da Loterj, aprovado pouco antes na Assembléia Legislativa, a Hebara foi acusada de, entre outras façanhas, sempre ganhar licitações com "cartas marcadas".

 

• BANCOS

Citi se protege
O Citibank e o executivo Luiz Demarco fumaram o cachimbo da paz. Pelo acordo que firmaram, Demarco não fará mais carga contra o banco americano. Demarco há anos briga ferozmente contra o banqueiro Daniel Dantas, que administra um fundo de investimentos do Citi no Brasil. Com o acordo, o banco americano quis a garantia de que não iria mais levar as sobras da pancadaria.

Adesão zero
Sabe quantos credores do Banco Santos aderiram até sexta-feira passada ao plano de reestruturação, elaborado por uma consultoria contratada por Edemar Cid Ferreira? Nenhum. Pela proposta, durante seis meses os credores não fariam saques de seus ativos.

Safra de lucros
Surfando na onda do crédito consignado em folha de pagamento, uma das operações mais bem-sucedidas do ano passado e em que é líder no setor bancário, o BMG anuncia nesta semana um lucro líquido de 275 milhões de reais. É mais que o triplo alcançado em 2003 e representa uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido de impressionantes 52%.

 

Divulgação

Gisele: custa caro, mas vale quanto pesa

O preço da diária
de Gisele Bündchen

A quem interessar possa: é de 150.000 dólares o valor da diária de Gisele Bündchen – ou seja, a sua simples presença num evento, não incluindo desfile na passarela. No preço, estão incluídas passagens de primeira classe para a modelo e para seu staff, hotel e confortos adicionais. É quanto custaria para uma cervejaria, por exemplo, ter a modelo num desses supercamarotes no Carnaval.

 

• FUTEBOL

As mangas da seleção
Um contrato milionário entre a CBF e a Vivo está previsto para ser anunciado nesta semana em grande estilo. Durante dez anos, a Vivo pagará 4 milhões de dólares anuais para patrocinar as mangas da camisa de treino da seleção brasileira. (É isso mesmo: todos esses milhões apenas pelas mangas das camisas usadas nos treinos.) Outros 20 milhões de dólares entrarão no caixa da CBF para que a Vivo tenha exclusividade no Brasil nos downloads de noticiários, jogos e informações sobre a seleção também durante uma década – e não serão dez anos quaisquer: em 2014 a Copa do Mundo deverá ser jogada aqui.

 

• MÚSICA

O rei do DVD
Nos primeiros quinze dias nas lojas, o DVD de Roberto Carlos vendeu 110.000 cópias. Um recorde – nunca tantos DVDs foram vendidos em tão pouco tempo no Brasil.


Colaborou Marcelo Carneiro

 




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