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Carta ao leitor
Culto à mediocridade
Sérgio Lima/Folha Imagem
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| O ministro Amorim: inglês é elitista.
Francês e espanhol não |
Em si, a decisão
do Itamaraty de diminuir o peso do idioma inglês nas provas
de admissão ao Instituto Rio Branco, porta de entrada da
diplomacia brasileira, nada tem de absurda. A idéia declarada
do Ministério das Relações Exteriores foi a
de não podar as chances de candidatos bem preparados na maioria
das disciplinas apenas por terem sido superados por outros no grau
de domínio do idioma inventado literariamente por Geoffrey
Chaucer na Inglaterra do século XIV, enriquecido por William
Shakespeare 200 anos mais tarde e transformado em uma espécie
de língua universal no século passado pela emergência
dos Estados Unidos como potência mundial.
Ao justificar a medida, porém,
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, enrolou-se
em argumentos que revelam um culto ao "homem comum", em voga no
Brasil e que esconde tão-somente a reverência à
mediocridade. Amorim justificou a decisão dizendo que é
preciso acabar com a "elitização da carreira" e que
o "inglês deve deixar de ser indispensável". Como prova
de suas convicções, revelou que dera uma entrevista
em francês e falara em espanhol.
A razão pela qual o ministro
Amorim considera elitista falar inglês, mas não comunicar-se
em francês e em espanhol, é mais uma das insondáveis
dissimulações do comando da diplomacia brasileira,
que, movido por ideologias, utopias e irrealismo, elegeu prioridades
que afastaram o Brasil dos veios mais promissores do comércio
mundial, em especial do mercado americano.
Difícil entender as razões
para desdenhar o inglês, que se tornou a língua universal
do comércio, do turismo, da diplomacia, das finanças,
das ciências e, em sua forma mais rarefeita e maltratada,
da internet. A busca por idiomas comuns é prevalente na história
humana. A seu tempo, o grego, o latim e o francês exerceram
esse papel no passado. Os índios brasileiros, por eras, resolveram
suas diferenças em nheengatu, a língua geral das diferentes
tribos.
A decisão da diplomacia
revela desconhecimento da realidade contemporânea e um antiamericanismo
tosco. Essa estreiteza de visão desserve ao país e
produz uma perplexidade: por que, tendo sido em governos passados
celeiro de idéias e quadros brilhantes para a alta administração,
o Itamaraty se tornou sob o PT a vanguarda do atraso nacional?
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