Vida em Europa
Nasa descobre evidências
de que
há água em lua de Júpiter
Os cientistas que procuram por vida
fora da Terra receberam uma notícia animadora na
semana passada: a Nasa, agência espacial americana,
anunciou ter encontrado novos indícios de um vasto
oceano em Europa, uma das luas de Júpiter. Água
em estado líquido é um requisito básico
para o aparecimento de formas de vida. Dados obtidos pela
sonda Galileo, coletados em vôos a apenas 351 quilômetros
de altitude, mostram que água e calor são
o que não falta por lá. Os pesquisadores acreditam
que, embaixo da crosta de gelo de 15 quilômetros de
espessura, Europa possui um vasto mar de água salgada
que envolve todo o satélite. Formado pelo derretimento
do gelo em virtude das atividades geológicas do satélite,
esse oceano teria 100 quilômetros de profundidade.
Embora o raio de Europa seja um quarto do terrestre, os
cálculos indicam que pode conter duas vezes mais
água do que todos os rios e mares da Terra juntos.
A cobertura de gelo e a atividade
geológica em Europa são conhecidas pelos astrônomos
há duas décadas. Sempre se suspeitou que o
calor fosse capaz de derreter parte do gelo e criar um mar
subterrâneo. Na semana passada, os técnicos
da Nasa se valeram de um recurso indireto para detectar
a existência da água em estado líquido.
Informações sobre o campo magnético
de Europa, coletadas pela Galileo, revelam que o satélite
é recoberto por uma grossa camada de uma substância
condutora de eletricidade. Como o gelo quase não
tem condutividade e a água salgada é ótima
para transmitir correntes elétricas, ficou-se com
a última opção.
A situação é bem diferente em Io, outra
lua de Júpiter estudada pela sonda espacial. Ali
também há atividade geológica, mas
a superfície é coalhada de gigantescos vulcões
ativos. Dificilmente pode haver vida por lá.