Edição 1 632 -19/1/2000

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Vida em Europa

Nasa descobre evidências de que
há água em lua de Júpiter

Os cientistas que procuram por vida fora da Terra receberam uma notícia animadora na semana passada: a Nasa, agência espacial americana, anunciou ter encontrado novos indícios de um vasto oceano em Europa, uma das luas de Júpiter. Água em estado líquido é um requisito básico para o aparecimento de formas de vida. Dados obtidos pela sonda Galileo, coletados em vôos a apenas 351 quilômetros de altitude, mostram que água e calor são o que não falta por lá. Os pesquisadores acreditam que, embaixo da crosta de gelo de 15 quilômetros de espessura, Europa possui um vasto mar de água salgada que envolve todo o satélite. Formado pelo derretimento do gelo em virtude das atividades geológicas do satélite, esse oceano teria 100 quilômetros de profundidade. Embora o raio de Europa seja um quarto do terrestre, os cálculos indicam que pode conter duas vezes mais água do que todos os rios e mares da Terra juntos.

A cobertura de gelo e a atividade geológica em Europa são conhecidas pelos astrônomos há duas décadas. Sempre se suspeitou que o calor fosse capaz de derreter parte do gelo e criar um mar subterrâneo. Na semana passada, os técnicos da Nasa se valeram de um recurso indireto para detectar a existência da água em estado líquido. Informações sobre o campo magnético de Europa, coletadas pela Galileo, revelam que o satélite é recoberto por uma grossa camada de uma substância condutora de eletricidade. Como o gelo quase não tem condutividade e a água salgada é ótima para transmitir correntes elétricas, ficou-se com a última opção. A situação é bem diferente em Io, outra lua de Júpiter estudada pela sonda espacial. Ali também há atividade geológica, mas a superfície é coalhada de gigantescos vulcões ativos. Dificilmente pode haver vida por lá.