Escalada da fama
A gostosa vida dos aventureiros que sempre
encontram patrocínio para suas escapadas
Fotos: Miguel Costa
Junior
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Klink, no rali: do mar para o deserto por 30 000
reais
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O aventureiro Amyr Klink já atravessou o Oceano
Atlântico num barco a remo e realizou duas jornadas
solitárias pela Antártica. Agora, trocou o
mar pelo deserto. Com a equipe brasileira Troller, participa
do rali ParisDacarCairo, o mais perigoso do
mundo. Além do prazer de superar as dificuldades
da prova, Amyr vai receber ao final dos dezoito dias da
corrida o equivalente a 30.000
reais, pagos pela Troller. É um negócio bom
para os dois lados. A presença do conhecido aventureiro
atrai patrocinadores e a atenção da mídia.
Garante assim um ótimo retorno na forma de publicidade
para a empresa que o patrocina. "Teríamos de gastar
3,6 milhões de dólares em propaganda para
ocupar um espaço equivalente", calcula Mário
Araripe, dono da Troller.
Amyr
é o melhor exemplo de como funciona o esquema dos
aventureiros profissionais. Trata-se de gente com vocação
para emoções fortes e faro para aproveitar
as boas oportunidades oferecidas pelo marketing (veja
quadro). Escrever um livro ou produzir um vídeo
é uma das melhores formas de garantir visibilidade.
O alpinista Waldemar Niclevicz já lançou cinco
obras do gênero duas delas contando como não
conseguiu atingir o cume do Everest, no Nepal, e do K2,
no Paquistão, as montanhas mais altas do mundo. Depois
de chegar ao topo do Everest, em 1995, lançou outras
duas festejando o feito. No momento, tenta levantar com
patrocinadores 800.000 dólares
para uma nova tentativa de chegar ao topo do K2. Parte desse
dinheiro, 20.000 dólares,
vai financiar a ida de jornalistas para acompanhar a empreitada.
Enquanto não viabiliza a aventura, Waldemar vive
com o que recebe em palestras para executivos. "Quando não
era conhecido, pedia 50 dólares e achavam caro",
conta ele. "Hoje, cobro 5.000
dólares e não me faltam convites."
Uma feira de aventuras realizada no ano passado em São
Paulo retratou o tamanho desse mercado. O evento contou
com 120 expositores e gerou 20 milhões de reais em
negócios. Conforme a concorrência vai crescendo,
aumenta o grau de criatividade dos aventureiros. Não
basta apenas dar a volta ao mundo dentro de um barco. O
casal de velejadores Walter Garcia e Cristiane Magalhães
foi além disso: planejou ter um filho no meio do
trajeto. As despesas do parto seriam bancadas pelo patrocinador
da viagem, o plano de saúde Blue Life. Em troca,
a empresa faria publicidade de sua maternidade. O motor
do barco quebrou e o plano foi adiado. Há centenas
de exploradores tentando escalar os picos mais altos, percorrer
as distâncias mais longas e atingir os lugares mais
remotos. Alguns não conseguem. O velejador Paulo
Alexandre Del Nero se propôs a encontrar a mitológica
cidade perdida de Atlântida numa volta ao mundo de
barco, em 1995. Vendeu o projeto a uma emissora de TV a
cabo, a GNT, que anunciou uma extensa cobertura do evento,
com a exibição de 260 documentários.
Depois dos treze primeiros capítulos, o canal cancelou
a série. Descobriu que o veleiro de Del Nero não
havia ido além de Bertioga, o porto no litoral paulista
de onde deveria partir.