O número 1
Câncer de estômago já
mata
mais que o de pulmão
Gisela Sekeff
Os brasileiros começam a pagar caro pela alimentação
inadequada. No ano passado, o câncer de estômago
consolidou-se como o líder de mortes causadas por
tumores. Com cerca de 13.000
óbitos e mais de 20.000
doentes, ultrapassou as marcas do câncer de pulmão.
Na teoria, não haveria por que ser assim, afinal
trata-se de um tipo de câncer em que a genética
conta muito pouco menos de 5%. Além disso, pode
ser facilmente evitado com mudanças nos hábitos
alimentares. Comida salgada em demasia (como charque), enlatados
e embutidos (presuntos e salames, frios em geral), quando
consumidos em excesso, podem facilitar o surgimento da doença.
Nossa dieta é composta, em média, de 30% de
gordura. Um índice 10% superior ao considerado saudável
pela Organização Mundial de Saúde.
Já os produtos que todos já sabem que são
saudáveis cereais, frutas, verduras e legumes
diminuem os riscos. Mas quem aceita trocar feijoada com
carne-seca, lingüiça e paio, ou um churrasco
temperado com sal grosso, por uma simples salada?
Além
dos riscos da dieta em si, há o problema da higiene.
Muitos dos alimentos consumidos no Brasil estão contaminados
pela bactéria H. pylori. Esse micróbio
é o causador da úlcera gástrica. A
inflamação na parede do estômago, com
o passar do tempo, pode evoluir para um câncer. A
radialista carioca Mildred Mary Asfour, 48 anos, descobriu-se
portadora da H. pylori em 1997. "Procurei um médico
porque achava que tinha uma gastrite e encontrei algo bem
pior", diz. Submetida a uma cirurgia que lhe extirpou três
quartos do estômago, Mildred livrou-se do câncer.
Hoje, não fuma mais, evita fast foods e fica longe
do saleiro. Melhorou a dieta com muita fibra, frutas, legumes
e verduras. Os sintomas do tumor são muito parecidos
com os de uma gastrite queimação, enjôo,
sensação de saciedade mesmo depois de uma
pequena refeição e intolerância alimentar.
Como a melhor arma contra qualquer tipo de câncer
é o diagnóstico precoce, os médicos
recomendam a realização anual de exames preventivos,
sobretudo a partir dos 40 anos. No estágio inicial
da doença, as chances de cura chegam a 100%.