Edição 1 632 -19/1/2000

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O número 1

Câncer de estômago já mata
mais que o de pulmão

Gisela Sekeff

Os brasileiros começam a pagar caro pela alimentação inadequada. No ano passado, o câncer de estômago consolidou-se como o líder de mortes causadas por tumores. Com cerca de 13.000 óbitos e mais de 20.000 doentes, ultrapassou as marcas do câncer de pulmão. Na teoria, não haveria por que ser assim, afinal trata-se de um tipo de câncer em que a genética conta muito pouco – menos de 5%. Além disso, pode ser facilmente evitado com mudanças nos hábitos alimentares. Comida salgada em demasia (como charque), enlatados e embutidos (presuntos e salames, frios em geral), quando consumidos em excesso, podem facilitar o surgimento da doença. Nossa dieta é composta, em média, de 30% de gordura. Um índice 10% superior ao considerado saudável pela Organização Mundial de Saúde. Já os produtos que todos já sabem que são saudáveis – cereais, frutas, verduras e legumes – diminuem os riscos. Mas quem aceita trocar feijoada com carne-seca, lingüiça e paio, ou um churrasco temperado com sal grosso, por uma simples salada?

Além dos riscos da dieta em si, há o problema da higiene. Muitos dos alimentos consumidos no Brasil estão contaminados pela bactéria H. pylori. Esse micróbio é o causador da úlcera gástrica. A inflamação na parede do estômago, com o passar do tempo, pode evoluir para um câncer. A radialista carioca Mildred Mary Asfour, 48 anos, descobriu-se portadora da H. pylori em 1997. "Procurei um médico porque achava que tinha uma gastrite e encontrei algo bem pior", diz. Submetida a uma cirurgia que lhe extirpou três quartos do estômago, Mildred livrou-se do câncer. Hoje, não fuma mais, evita fast foods e fica longe do saleiro. Melhorou a dieta com muita fibra, frutas, legumes e verduras. Os sintomas do tumor são muito parecidos com os de uma gastrite – queimação, enjôo, sensação de saciedade mesmo depois de uma pequena refeição e intolerância alimentar. Como a melhor arma contra qualquer tipo de câncer é o diagnóstico precoce, os médicos recomendam a realização anual de exames preventivos, sobretudo a partir dos 40 anos. No estágio inicial da doença, as chances de cura chegam a 100%.